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domingo, 17 de abril de 2016

O PATRIMONIALISMO E O INFERNO DE JEFFERSON (Publicado no Estado de S. Paulo, 16/04-2016)

Bartolomeu de Fruosino - Ilustração para o Mapa do Inferno de Dante Alighieri (1430).

Uma das primeiras obras da narrativa moderna é a Divina Comédia de Dante Alighieri. Nela, retomando o leitmotiv das obras medievais (o mundo do Além), numa perspectiva individual que antecipa os relatos de viagens da literatura do Iluminismo, o florentino conta a visita que o seu personagem central, ele mesmo, faz ao mundo do além, dividido segundo a imaginação cristã em três cenários: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Pela mão do seu guia, o poeta latino Virgílio, Dante percorre os sombrios corredores do Purgatório e os indescritíveis círculos do Inferno. E da mão da sua amada, Beatrice, visita as fulgurantes escadarias e caminhos floridos do Paraíso.

Destaca-se, na bela poesia de Dante, a perspectiva humana: os personagens que povoam o Mundo do além ocupam posições relacionadas ao papel que desempenharam em relação à cidade do narrador: a sua amada Florença. Para os amigos, o Céu; para os inimigos, o Inferno, com a incômoda companhia do diabo em pessoa! Perspectiva bem moderna, aliás. Para os amigos, leia-se: aqueles relacionados com a construção da Polis dos nossos sonhos, a eterna lembrança da bem-aventurança. Para os que conspiraram contra esse ideal cívico, o inferno do esquecimento!

Pois bem: Roberto Jefferson, o ex-presidente do PTB, condenado no Mensalão, sai do inferno da penitenciária, perdoado pela Justiça, e se reintegra ao mundo dos cidadãos. A entrevista que concedeu recentemente ao Estadão (01-04-2016) dá conta do que ele viu e a memória das trevas fá-lo lembrar daquilo que constitui a essência do Estado Patrimonial.

No clima escatológico que estamos vivendo, um fato salta à vista na citada entrevista. Nela, como numa revelação do que se passa nas entranhas do Estado Patrimonial brasileiro, o ex-parlamentar que assumirá novamente o seu cargo de Presidente do PTB, dá detalhes de como funciona o aparelho patrimonialista na alta política.

A fonte de financiamento das atividades do Estado Patrimonial são as estatais. Sem elas não haveria bala na agulha para os aliciadores de fidelidades caninas aos donos do poder. Frisa Jefferson: “(A Petrobrás) sempre foi a empresa elite dos partidos mais poderosos. As estatais no Brasil são o braço financeiro das corporações sindicais e partidos. Quem financia partido são as estatais. (...). A estatal é a semente da corrupção no Brasil. Partidos disputam cargos nas estatais pera seu financiamento. O que vão assaltar nos seis meses enquanto durar o processo de impeachment é uma loucura. Vai todo mundo querer fazer caixa, porque ela cai em seis meses. Cobra 100% de comissão aí!”

Ora, a história moderna do Brasil mostra exatamente isso que Jefferson revela. Os processos modernizadores, desde o Estado getuliano até a contemporaneidade têm naufragado justamente por causa de que, potencializadas pela produção de riqueza que o setor privado garantiu, as lideranças políticas terminaram desviando o caminho do progresso, para garantirem uma ordem clientelística mantida às custas dos recursos que financiariam a definitiva entrada do Brasil na modernidade.

O Estado getuliano, pensado na rígida regra do estatismo castilhista, se louvando, de outro lado, da experiência modernizadora de Mussolini na Itália, terminou carregando mundos e fundos no financiamento dos sindicatos dependentes do Estado, pensados como esteios da nova ordem. Os partidos getulianos nasceram da visão corporativista que arregimentou os apoiadores do regime, identificados com os que mantinham a sociedade organizada ao redor dos sindicatos e dos empresários aglutinados em torno ao Estado, presidido pelo Executivo tecnocrático.

Clima semelhante terminou afetando o regime militar de 64, no final do ciclo, em meados dos anos 80 do século passado. A pesada estrutura sindical janguista, herdeira do getulismo, terminou sendo substituída pelo bipartidarismo artificial financiado pelas estatais que, de 90, no início do ciclo, pularam para 490 no final desse período. Esse estatismo levou o general Médici, em viagem presidencial ao Nordeste, a pronunciar a famosa frase: “Estado rico, país pobre”. 

Caem os panos da representação da ópera bufa em que se tornou a nossa República nestes tempos de lulopetismo cínico e o que vemos pela lente de Roberto Jefferson? Um panorama semelhante, justiça sendo feita ao passado, sem a lisura da maior parte dos militares no comando do navio, que terminaram remediados como entraram, descontados os espertalhões que se locupletaram ao redor das Estatais e da própria Petrobrás, bem como nas Secretarias chefiadas por técnicos militares, como a famosa Secretaria Especial de Informática, que vendeu cara a entrada das empresas ao mundo digital mediante licenças concedidas a preço de ouro. 

Na festa iconoclasta e de cinismo explícito a que estamos assistindo, o PT deixou claro para que veio: para se locupletar a partir das estatais, beneficiando aqueles que os apoiam e deixando na sombra do esquecimento (quando não do cemitério, como aconteceu com Celso Daniel), aqueles que ousaram colocar obstáculos de monta aos engenheiros da nova ordem que acabaria com a pobreza no Brasil.


A receita para o mal foi assinalada pelo próprio Roberto Jefferson na sua entrevista:  “Se queremos país moderno, vamos ter que fazer privatização, porque (ela) não vai permitir a concentração da corrupção”.

sábado, 5 de dezembro de 2015

O MOLUSCO FALOU. FAÇAMOS O CONTRÁRIO DO QUE ELE MANDA!

Manifestação anti PT em Londrina, Abril de 2015 (Foto: arquivo do autor).

Lula, o Molusco Corruptor do Brasil, mandou acelerar os acontecimentos com a finalidade de passar por cima do processo de Impeachment da Presidenta Dilma, que corre legalmente no Congresso e que, evidentemente, tem os seus prazos regimentais. Lula acha que é tempo demais respeitar esses prazos e manda aos brasileiros que passem por cima da ordem legal, a fim de defender um mandato que, na cabeça narcisista desse corrupto e corruptor essencial, é inimputável. Como inimputável na sua doentia imaginação, é ele próprio, Lularápio, a sua família e a grande família sindical dos militantes petralhas. (Claro, desde que façam o que ele manda. O destino de Celso Daniel fica na memória como alerta para os que ousarem se insubordinar).

Bom. Comecemos pelas atribuições do mandato presidencial. Elas não são infinitas. Os poderes presidenciais contam com regras muito claras que fixam os seus limites. A primeira dessas regras consiste em respeitar a Constituição e as Leis. Acontece que a Presidenta, seguindo o roteiro petralha, passou por cima delas. Como não podia ser objeto da petição de Impeachment a gestão anterior pelo motivo das "pedaladas fiscais", os petralhas do Planalto acharam por bem continuar pedalando. O buraco é já sem fundo. O Congresso, num cochilo lamentável, preso nos compromissos de legendas afinadas com os donos do poder, deu luz verde às irregularidades contáveis, tornando "legais" os desmandos orçamentários do ano passado e os desde ano. Haverá, certamente, quem questione esse fato.

De qualquer forma, apesar do crime acima mencionado, a apresentação do pedido de Impeachment impetrado por Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e outros recebeu acolhida por parte da Presidência da Câmara. Não adianta dizer que, como o Presidente desse corpo legislativo está sendo questionado no Comitê de Ética, o andamento do pedido de Impeachment por ele acolhido não tem base legal. Tem sim. Embora o Presidente da Câmara possa ser acusado formalmente pelo Comitê de Ética no decorrer das próximas semanas, isso já é outra coisa. Eduardo Cunha, por enquanto, é o Presidente da Casa. E o encaminhamento do pedido de Impeachment da Presidenta é plenamente legal.

O certo é que a Comissão da Câmara dos Deputados que tratará das primeiras providências rumo ao Impeachment, está a caminho de ser formalizada e, no decorrer da próxima semana, iniciará os seus trabalhos. É bem verdade que o clima no país é de pessimismo, em face das irregularidades constantes dos petralhas e aliados na condução do Estado, que conduziram à lamentável situação econômica em que o Brasil se encontra, num mundo cada vez mais globalizado e competitivo. A crise é grave. É institucional, é econômica, mas é, sobretudo, moral. O abismo da dissolução da República parece que assoma por entre as névoas de tanta insensatez, o que tem levado analistas e desenharem um quadro verdadeiramente dantesco do Brasil.

Nestes momentos em que os petralhas se agarram com unhas e dentes ao poder, desconhecendo a insatisfação da sociedade brasileira com a incompetência que tem caracterizado os seus governos, nós, cidadãos, devemos prosseguir no que já temos feito ao longo destes meses: continuemos no nosso lugar, trabalhando no dia a dia, colocando os pingos nos iis no que tange a denunciar os desmandos oficiais e voltando às ruas, a partir deste 13 de Dezembro, a fim de turbinar uma força que fará com que o Congresso cumpra com a sua missão nestes tempos difíceis. O Supremo Tribunal Federal já derrubou duas tentativas dos petralhas de impedir a instauração do processo de Impeachment. A batalha é dia a dia, metro a metro, mas o importante é não desfalecer. Continuemos a fazer o que sabemos fazer, como aconselhava Tocqueville nas difíceis circunstâncias pelas que passava a França quando da Revolução de 1848, que tentava implantar o socialismo pela via do golpe de Estado. Mas não esmoreçamos na nossa luta em prol de um Brasil com instituições mais acordes àquilo que desejamos. buscando um governo que não pense apenas em si, mas em todos os brasileiros.

Gozado como Lula, expert na retórica leninista, acusava recentemente a opinião pública do Brasil justamente daquilo de que ele e a sua patota são acusados: só pensam neles mesmos! São tempos sombrios de cinismo e incompetência. Mas, no final, a verdade terminará emergindo das sombras da retórica falsa. O lamaçal revelado pela operação Lava-Jato (que continua firme nas suas investigações, para bem do país) já lambe os calcanhares do Lularápio e dos seus íntimos, após a prisão do empresário Bumlai, do senador Delcídio do Amaral, do banqueiro André Esteves e outros. 

Como se fossem poucos todos esses sinais de desgaste do lulopetismo, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu retomar o julgamento sobre o pedido de anulação das eleições presidenciais passadas, a partir de denúncias da Oposição de que o pleito que reconduziu Dilma ao poder tinha sido financiado de forma irregular. Mais uma frente de desgaste para o governo da Presidenta que, de outro lado, continua amargando baixíssimos índices de aceitação por parte da opinião pública. Com Ministros do PMDB desembarcando nestes dias do gabinete lulopetralha, a coisa está ficando cada vez mais feia para os inquilinos do Planalto.

Como se fosse pouco, no plano internacional o populismo bolivariano está caindo aos poucos. Já foi derrotado o kirchnerismo peronista na Argentina. A ditadura do Maduro na Venezuela está caindo de podre. Os lulopetralhas não perdem por esperar. O Brasil é maior do que o projeto fajuto de poder de meia dúzia de corruptos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

RÁPIDAS SOBRE TERRORISMO INTERNACIONAL E SEM-SEM-VERGONHICE NACIONAL


Desenho de Eva Vásquez - El País
Na semana que está acabando, duas circunstâncias lamentáveis na política interna da comunicação global: na Globonews, o Mário Sérgio Conti, que faz perguntas que ninguém faz, entrevistou o chefão do MST Stédile, com luvas de pelica, como se se tratasse de uma inocente velhinha ou de um senhorzinho aposentado. Nenhuma pergunta constrangedora e tempo suficiente para o Stédile vender o seu peixe podre de um socialismo caduco.
E o que dizer do Roberto D'Ávila entrevistando ontem, meia-noite, o Lularápio? Como sempre, Lula tem a sua versão pessoal dos fatos, tudo gira em torno dele, tudo perfeito no ciclo de maior roubalheira da história do Brasil, presidido por ele e pela Mandioca Sapiens. Como se não tivesse havido Mensalão nem Petrolão. Lula é cara de pau mesmo! Lamentei, certamente, que o jornalista fosse tão bem comportado. Era hora de apertar o Pixuleco. Nada de palanque e sim muitos holofotes sobre os desmandos petralhas. A impressão que me restou é que a Globo está acomodando as coisas, abrindo espaço para a petralhada novamente. Ruim para o Brasil e para a imprensa brasileira!   
No terreno dos fatos internacionais, ressalta a figura do Putin em face do Terror Islâmico do ISIS. Desde o início, há meses, o czar vinha insistindo em que o principal é o principal e o acessório, acessório. No caso sírio, o principal era atacar o ISIS, o grupo totalitário que agora partiu para ferir diretamente o Ocidente, com os atentados de sexta-feira passada em Paris. Isso se tornou questão de honra depois da derrubada, pelos radicais islâmicos, do airbus russo que vitimou 250 cidadãos desse país. 

A desengonçada política internacional de Obama - sempre os democratas dando mole em política externa - abriu espaço para que o Estado Islâmico se fortalecesse, antes de começar a atacá-lo e, pior ainda, brigando com Putin como se ainda estivéssemos na Guerra Fria. Com os atentados de Paris, volta a Rússia a ser procurada pelas potências ocidentais, a começar pela França, para traçar os rumos de uma política objetiva contra o verdadeiro inimigo do Ocidente e dos países herdeiros da tradição cristã: o ISIS, o grupo que tenta criar o Califado Totalitário e extinguir, primeiro, os cristãos da face da Terra e, em seguida, os países herdeiros dessa tradição. O Estado Islâmico dá razão a Huntington com a sua tese do "choque de civilizações". 

E o Brasil no meio disso tudo? Começamos mal com a Dilma tomando o partido dos totalitários islâmicos, defendendo primeiro o diálogo com eles, quando os Estados Unidos decidiram bombardeá-los. E, agora, demora a ser aprovada a Lei Anti-terror, que desagrada aos ditos "movimentos sociais" e aos petralhas. O Brasil não está livre dos ataques do totalitarismo islâmico. A Olimpíada vem aí. A aprovação, pelo Congresso, da lei que relaxa as exigências de visto para as Olimpíadas, é um tiro no pé. Tem toda razão o Exército em estar preocupado com isso. Tomara que a presidência da República vete essa lei estúpida e não a sancione..

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A GRANDE MENTIRA - LULA E O PATRIMONIALISMO PETISTA

Amigos, apresento o meu novo livro: A grande mentira - Lula e o patrimonialismo petista (Campinas: Vide Editorial, 2015, 231 p.).

    Muito se escreveu e se escreve nestes dias acerca do fenômeno do Lulopetismo no Brasil. É algo que marcou a nossa história. Por quê? Trata-se de alguma novidade? Diria que sim, não em termos substanciais, mas apenas, como diria Aristóteles, do ângulo “acidental”: a novidade veio, a meu ver, por causa da intensidade do fenômeno. Como frisei em entrevista recente, "O PT, no Brasil, potencializou o Patrimonialismo". 

      O Partido dos Trabalhadores veio com tudo para tomar conta do Estado e colocá-lo ao seu serviço. Unica e exclusivamente com essa finalidade. Para tornar o Brasil, a sua economia, a sociedade, as manifestações culturais, apenas massa de manobra na construção do "novo príncipe" gramsciano, que garantiria a hegemonia lulopetista para todo o sempre. Somente isso. Foi uma mudança na intensidade da privatização do poder para benefício de uns poucos. Para conseguir esse efeito, o PT constituiu-se numa quadrilha muito bem arquitectada, segundo foi sendo revelado pelo julgamento do Mensalão e pelas atuais investigações da Magistratura, do Ministério Público e da Polícia Federal acerca da Operação Lava-Jato.

       Foi uma obra e tanto de engenharia da corrupção que gerou a corrupção da nossa engenharia, das grandes empreiteiras e da Petrobrás. O PT chegou como um novo mito, salvacionista, sebastianista, que nos tiraria das sombras e nos levaria às alturas iluminadas da Utopia sonhada. Sem esforço. Por obra e graça do carisma do líder. Ele fez reviver, nas almas, a concupiscência orçamentívora de que não é preciso trabalhar para chegar lá. Tudo viria de cima para baixo, como chuva 
benfazeja nesta terra de Santa Cruz, onde "se plantando, tudo dá". Ou tudo viria, como discursava Lula com o macacão da Petrobrás, as mãos sujas de óleo, de baixo para cima, do pre-sal. Tanto faz. O importante era a ausência de esforço individual e a gratuidade da gorda mesada que a mãe natureza nos dava miraculosamente, pelas mãos do Estado empresário, “ex opere operato”, como frisavam os teólogos ibéricos dos séculos XVI e XVII, ou seja, de maneira automática.

        Lula reviveu nos corações o mito do Estado Providência, da "mamãezada", como diz Meira Penna. O Estado, com o auxílio dos seus conselhos técnicos, de acordo à variante pombalina do mito redentor, garante a riqueza da Nação. Logo, é só encostar-se a ele para tudo obter sem esforço. Ou melhor: sem respingo de liberdade. Esse pequeno detalhe. Entregamos o bem maior, a nossa liberdade, para termos o conforto de não pensarmos no futuro, para vermos garantidos os nossos desejos, como eternos submissos à minoridade intelectual, como meninos mimados, como diuturnos dependentes do Pai Estado. Essa foi e ainda é a força do Lula. A encarnação do mito do 
Paterfamílias que a todos cuida e que zela pelo bem-estar dos filhos, conquanto eles não pensem nem divirjam.

       Mas o Mito da ubérrima riqueza que a todos atinge sem esforço e por graça da força da gravidade das benesses cuspidas do trono como bolsas incondicionais, tem um viés sombrio. Mário de Andrade intuiu essa outra cara da moeda do nosso mito da Idade de Ouro. Assim como para os mexicanos o pai previdente é, na narrativa de Octavio Paz, também o "ogre filantrópico" que bate em quem dissente, o nosso herói tem face dupla. Há algo de sombrio na sua figura, nas dobras ontológicas da sua presença: é Macunaíma, o "herói sem nenhum caráter". Lascivo, engambelador, engana as multidões que, diante da força bruta do carisma, se comportam como a mulher frágil, em tudo acreditando e tudo esperando daquele que a tornou presa fácil da sua sedução. Misterioso, brincalhão, assim como ele vem insinuante das florestas e dos sertões, volta sem dar resposta, deixando a seca e a fome como herança. Tudo ficou na mesma. Ou pior do que estava, porque à carência dos iludidos soma-se a desesperança e a raiva dos traídos. E nós, brasileiros, abandonados pela Utopia, ficamos pendurados pagando a conta.

Mas os Mitos, como diz Ortega, não morrem de fora para dentro, mas de dentro para fora. O mito sebastianista está morrendo com Lula e o lulopetismo. Só nos resta descobrir, no fundo dos nossos corações, uma nova razão para a vida coletiva. Qual?
      
       Quando tudo fica nas sombras, quando não enxergamos mais saída, Hegel diz que a razão volta sobre si mesma e descobre no seu interior aquela luz pela qual nos tornamos filhos de Deus, que brilha em todos nós, o sol da inteligência iluminando a nossa liberdade individual, intransferível, trágica. É esse novo mito que está sendo redescoberto nas almas dos brasileiros nestes tempos de agruras. Quando um jovem escritor diz: "Pare de acreditar no governo" (Bruno Garschagen), o que quer transmitir? Ele diz: “Acredite em você!” “Ponha fé no seu interior, na força das suas convicções e, sobretudo, no impulso da sua liberdade que é o bem mais prezado, pelo qual vale a pena viver, morrer e ressuscitar!”

     A questão que está em jogo em face do Lulopetismo é a da liberdade. A sociedade brasileira está acordando para esse detalhe. Conquistamos a "Carta da Cidadania", a Constituição de 1988, como "o avanço do retrocesso", segundo intitulávamos obra coletiva vários amigos na época, em referência aos vícios da nossa Carta Magna. Nada de deveres. Muitos direitos. Para governar, os administradores tiveram de deixar sem regulamentar muita coisa. Era a carta da ingovernabilidade. Também pudera! Até os juros tinham sido tabelados em 12% para "felicidade geral da Nação".

     Mas a conta veio. Como diz o mestre Antônio Paim, "as instituições do governo representativo não caem do céu". Ou como frisava Tocqueville, "precisamos construir o homem político". Não cuidamos, ao longo destes anos de abertura democrática, do aperfeiçoamento das nossas instituições. Conquistamos durante os governos social-democratas a estabilidade econômica. Mas não demos alicerces suficientes ao aperfeiçoamento institucional, de modo a garantirmos o livre rodízio no poder e a autêntica representação de interesses. E a economia ficou sem âncora, tendo voltado a ressurgir as forças do atraso do patrimonialismo provinciano.

E ei-nos aqui, nessa sem-saída institucional, diante de uma Presidência da República enfraquecida pela falta de apoio popular e pelas criminosas pedaladas fiscais, e em face de um Congresso podre pelo clientelismo e sem lideranças, que mal consegue se entender e que pretende disciplinar a nossa vida pública. Felizmente resta uma tênue áurea de luz nesses Magistrados que, ao redor do bravo juiz Sérgio Moro e de alguns dos membros do Supremo, do Ministério Público e de outros tribunais, ainda tentam manter a casa em pé. Resta, como luz que alumbra nas sombras, a imprensa livre, cada vez mais assediada. Restam também as nossas Forças Armadas, que em vã tentativa de retaliação imposta pelos derrotados de ontem, enfrentam ainda hoje as estapafúrdias “Comissões da Verdade”.

         Do jeito em que as coisas estão, a resposta certamente virá das ruas. Da renovação dos protestos multitudinários contra a onda podre e cínica que nos asfixia. A sociedade brasileira já se derramou por ruas e avenidas ao longo destes últimos três anos para pressionar os políticos. E o fará de novo. Enquanto o tempo passa, enquanto os "rios profundos" do que vai por baixo das aparências não emergem, resta-nos o que aconselhava o grande Tocqueville em momentos de turbulência: fiquemos onde estamos, fazendo o que sabemos fazer. E o que sei fazer é escrever e dar aulas. E continuarei a fazê-lo. Alertando os meus alunos. Instigando os meus leitores. Destacando que o momento é grave, porque estamos jogando com o preço incalculável da nossa liberdade.

       Uma última palavra antes da rápida viagem pela obra que ora apresento: quem sou eu? Na casa dos 70, o que posso dizer? O que posso ensinar ao meu filhinho Pedro, de quase 4 anos, à minha filha Vitória, de 40, à minha jovem esposa Paula que me pede para deixar algum testamento espiritual para o nosso rebento?

Amigos, querida família, vou dizer apenas uma coisa: Sou um apaixonado pela liberdade! Filio-me à tradição liberal clássica, whig, à de Locke, Kant, Dom Quixote que enfrentava de peito aberto os moinhos de vento do Patrimonialismo ibérico para libertar e fazer justiça a camponeses indefesos, viúvas e prisioneiros, à tradição de Adam Smith, Madame de Staël, Benjamin Constant, Guizot, Silvestre Pinheiro Ferreira, do visconde de Uruguai, de Dom Pedro II, Sampaio Bruno, Herculano, Tocqueville, Rui Barbosa, Silveira Martins, Assis Brasil, Fidelino de Figueiredo, Miguel Reale com o seu "liberalismo social", de Gilberto Ferreira Paim, de Jorge Bornhausen, de Antônio Paim o mestre que me obrigou, jovem mestrando, a ler sistematicamente os clássicos liberais, me libertando dos dogmas do marxismo vulgar lá pelos idos de 70 do século passado, de Meira Penna com o seu espadachim espírito libertário, de Hayek, Aron, Furet, Françoise Mélonio, Von Mises, de Merquior, de Ubiratan Macedo, de João Carlos Espada, Og Leme, Roberto Campos, Donald Stewart, Otto Morales Benítez e Lleras Restrepo na Colômbia. Junto-me à tradição que hoje inspira a tantos e tantos jovens que lutam por um espaço de liberdade. Filio-me, em síntese, à família espiritual de Tocqueville. Porque entendi que o grande ideal pelo qual vale a pena viver é o da conquista da liberdade para todos, não apenas para uma minoria. Liberdade democrática!

Dividi a minha obra em oito capítulos, destacando, em cada um deles, um aspecto essencial da proposta lulopetista. Muitas e muitas coisas poderia ter adicionado a essas páginas e, de fato, as escrevi em jornais, revistas e blogs. Mas selecionei aqui os aspectos mais marcantes da caminhada do Partido dos Trabalhadores nestes últimos treze anos em que foi submetido, como dizem os anglo-saxões, “à prova da História”. 

No capítulo primeiro, “Avaliação do ciclo lulopetista”, destaco a índole esquizofrênica do PT, dividido, na época das eleições de 2002, entre duas propostas contraditórias: a “Carta de Olinda” e a “Carta do Recife”. Pela primeira, Lula apresentava ao eleitorado o que sempre tinha proposto em eleições anteriores: um programa de socialismo antiquado, amarrado ao modelo cubano. Programa totalitário que, certamente, lhe garantiria a derrota. Pela “Carta do Recife”, obra dos marqueteiros lulistas, o candidato se apresentava como um moderado socialdemocrata que respeitaria os contratos internacionais, os pactos do Brasil em matéria de política externa, a economia de mercado, o funcionamento pleno da oposição, das instituições democráticas e o cuidado para com as liberdades. Com essa plataforma Lula conquistou a classe média e se elegeu. Mas não abriu mão de “fazer o diabo” quando necessário, tirando do saco de maldades do primeiro documento, a “Carta de Olinda”, aquilo que fosse preciso para encurralar oposicionistas, tirar vantagem e fazer crescer a militância com a finalidade de fortalecer os movimentos sociais e amedrontar os adversários. Isso se tornou uma saída com a descoberta do Mensalão. E está sendo posto em prática hoje, quando as águas turvas do Petrolão chegam aos calcanhares do chefe.

No capítulo segundo, “O lulopetismo no seio do neopopulismo latino-americano”, destaco a forma em que o PT inseriu-se, no continente sul-americano, no seio da maré de neopopulismo que se alastrou por estas praias, dando continuidade a tendência presente também em outras regiões do mundo. O neopopulismo é fruto das dificuldades enfrentadas por economias não suficientemente dinâmicas no agressivo mundo globalizado de hoje.  Constitui uma espécie de defesa tacanha dessas sociedades, contra as medidas que precisam ser feitas. Ora, isso acelera as contradições e piora as coisas. Foi o que aconteceu, ao longo dos últimos treze anos, no Brasil, na Venezuela, na Argentina, na Bolívia, no Equador, etc., países pelos quais se derramou como óleo a mancha do “socialismo bolivariano do século XXI”, concebido pelo coronel Chávez na Venezuela e vendido aos seus vizinhos como a grande solução para os problemas do desenvolvimento. Lula, do alto do perpétuo palanque em que subiu após ter sido eleito, discursou entusiasmado apoiando a nova onda que terminou, infelizmente, por piorar as coisas em termos de perda de oportunidades para fazer negócios com o resto do Planeta.

No capítulo terceiro, “O lulopetismo na perspectiva da América Latina: entre a Aliança do Pacífico e o neopopulismo bolivariano”, analiso as oportunidades perdidas pelo Brasil ao longo dos governos petistas, ao ensejo de ter se trancafiado no âmbito do MERCOSUL, tendo deixado de lado a negociação bilateral com países e blocos extracontinentais, reforçando antiquadas posições ideológicas favoráveis à sobrevida do cadáver do comunismo no Foro de São Paulo, criado por Lula e Fidel Castro nos anos 90. Ora, os países latino-americanos que se abriram ao comércio do Pacífico (a região econômica mais dinâmica do mundo), Chile, Peru, México e Colômbia, multiplicaram as suas possibilidades de comercialização e de dinamização das economias nacionais. No decorrer deste ano, com a assinatura, inclusive pelos Estados Unidos, do Tratado do Pacífico, que reúne 40 % da economia mundial, essa tendência se sedimentou. O Brasil lulopetista ficou do lado de fora, solidário com os seus “amigos do peito” do atraso, Argentina e Venezuela.

No capítulo quarto, “As desgraças do intervencionismo no Brasil”, destaco o quanto têm sido nocivos, na nossa história econômica e social, os golpes desferidos pelo Estado Patrimonial contra a livre iniciativa, já desde o século XIX. As agruras do visconde de Mauá decorriam, certamente, do fato de o empreendedor ter cogitado o funcionamento de empresas independentes dos “intendentes do rei”, em que pese o fato de o soberano, Dom Pedro II, ser uma figura de formação liberal, mas com um fardo muito grande: a herança patrimonialista ibérica. Ora, nessa luta de forças encontradiças terminou perdendo Mauá e a dinâmica da nossa livre iniciativa. No período republicano, submetido à influência perversa do cientificisismo positivista, essa tendência se tornou obstáculo quase intransponível para o livre-empreendedorismo e o crescimento da economia. O fenômeno da “desindustrialização” que contribui hoje ao quadro desolador da nossa economia, só se agravou nesse clima de estatismo improdutivo e de Cartorialismo vácuo que o PT, sob Lula e Dilma, potencializou de forma exponencial, culminando com as criminosas “pedaladas fiscais”, que não são outra coisa do que um saque desonroso contra a riqueza dos brasileiros, praticado pelo que de mais improdutivo há no nosso panorama institucional: a corrupta burocracia patrimonialista que tomou conta do Estado.

No capítulo quinto, “Um caso típico de voo de galinha: as políticas públicas em educação de 64 até 2014”, analiso as políticas educacionais da era Lula e Dilma, à luz do processo de massificação do ensino superior que tomou conta do país após o Ciclo Militar. Se bem os militares conseguiram dinamizar a extensão do ensino universitário, descuidaram, contudo, o ciclo básico, fato que se projetaria de forma negativa nas etapas subsequentes da nossa caminhada educacional. Nos governos socialdemocratas de Fernando Henrique Cardoso conquistou-se a racionalidade quanto aos repasses de verbas para o ensino fundamental e médio. Mas não houve grandes avanços no tocante à diversificação do sistema de ensino superior, muito engessado num modelo único de universidade, notadamente no setor público. Já nos governos petistas, o açodamento populista tomou a dianteira por cima dos rigores do planejamento racional. Tudo passou a ser feito a toque de caixa, de acordo com o jargão do ”nunca na história deste país”. Os critérios de avaliação dos vários níveis de ensino ficaram confusos, não houve uma clara política para com o setor privado (considerado como inimigo pelos petistas, embora precisassem dele), os preconceitos ideológicos passaram a ser o clima do debate no meio acadêmico e tudo terminou desaguando no desastre da “Pátria Educadora”       que fecha escolas, corta verbas essenciais e frustra gerações pelo país afora.

No capítulo sexto, “O marxismo gramsciano, pano de fundo ideológico da reforma educacional petista”, destaco que o marco conceitual a partir do qual os petistas pensaram a educação foi o da chamada “revolução cultural gramsciana”. Tudo foi imaginado, em termos de cultura e educação, para garantir a hegemonia do “novo príncipe”, o PT, que garantiria a efetiva revolução proletária no Brasil. Tratou-se de uma desastrada operação de enquadramento da realidade nos conceitos estreitos do comunismo pensados por Antônio Gramsci para a Itália. Tudo terminou cedendo às prioridades ideológicas. O que deveria ser alçado às alturas seria o Partido dos revolucionários de plantão, os militantes do PT e seus coligados. O resto que se danasse. O país que fosse culturalmente para o brejo. Era necessário reescrever a nossa história, agora ao redor de “heróis orgânicos” do proletariado, como facínoras do tipo Marighela e outros traidores da Pátria.

No capítulo sétimo, “A Rússia, a modernização brasileira e a saída do patrimonialismo”, traço um paralelo entre os processos modernizadores russo e brasileiro, ao longo dos séculos XIX e XX. Se o Brasil foi denominado por Gilberto Freyre de “Rússia dos trópicos” pela sua imobilidade e o seu paquidermismo burocrático, as semelhanças estendem-se à forma pela qual foi concebido, já no século XVIII, o processo modernizador do Estado nos dois contextos, à sombra do cientificismo iluminista que marcou as Reformas Pombalinas. Ora, estas processaram-se de forma semelhante a como se deu na Rússia czarista a modernização do Estado na época de Anna Ivanovna, sendo o médico cristão novo português Antônio Nunes Ribeiro Sanches, radicado em Paris, o consultor comum de Pombal e da Czarina na reforma dos estudos superiores e da alta burocracia.

Um traço comum ao governo Putin e aos governos lulopetistas: ambos fizeram das empresas de óleo e energia a ponta de lança para reforçar o poder do Estado Patrimonial. Mais uma semelhança do nosso Patrimonialismo com o russo. De qualquer forma, a saída do Patrimonialismo parece difícil em ambos os contextos. Destaco que Antônio Paim (O patrimonialismo brasileiro em foco, organização de Antônio Paim, Campinas: Vide Editorial, 2015, 99 p, com a colaboração de Antonio Roberto Batista, Paulo Kramer e Ricardo Vélez Rodríguez) chama a atenção para a formação de uma nova classe média na Rússia, o que talvez ajude à sociedade a fazer diminuir a força estatizante da etapa imediatamente posterior à queda do comunismo.

No capítulo oitavo, “A luta contra o terrorismo em época de bandalha populista” alerto para o fato de o Brasil da era lulopetista não ter-se preparado a contento para sediar grandes eventos internacionais como as Olimpíadas de 2016, em decorrência do fato de não terem sido tomadas as medidas necessárias, de caráter estratégico, para blindar o país contra o terrorismo.

O primeiro fato que deve ser lembrado é que o PT contingenciou o orçamento do Exército, no que tange à efetiva manutenção de uma política eficaz de vigilância de fronteiras, ao ensejo da ampliação do Projeto Sivan – Sisfron. De outro lado, tanto no que se refere à cultura e à educação fundamental, quanto no que tange à economia e à variável política, não foram dados os passos necessários, deixando o país numa zona cinza de instabilidade que preocupa. A começar porque para petistas e coligados o terrorismo ainda não é considerado crime. Ora, a legislação que poderia mudar essa situação está tardando a ser formalizada. De outro lado, porque o PT sempre flertou com a instabilidade e a participação marginal dos chamados “movimentos sociais”. Não é de hoje a preocupação de setores da sociedade brasileira com o fato de o Partido dos Trabalhadores manter nexos com o crime organizado, como foi verificado no Estado de São Paulo, onde políticos petistas foram identificados em atividades marginais conjuntas com o PCC.

A respeito da falta de uma estratégia contra o terrorismo, destaco na minha obra: “Esse cenário piorou com a chegada do PT ao poder, cuja única preocupação consistiu, desde o começo, em garantir a hegemonia partidária e o aniquilamento da oposição. O Brasil perdeu o rumo do médio e do longo prazo. Falta, na atual conjuntura, um tipo de reflexão institucional de caráter estratégico. Tudo se decide no embalo do vaivém da política partidária, sem que se leve em conta o horizonte de interesses permanentes da Nação, para utilizar um conceito que foi posto em circulação pelos liberais do período imperial. Os núcleos de reflexão estratégica existentes na sociedade civil simplesmente não são consultados pelo governo. Ele se pauta, única e exclusivamente, pelas prioridades dos marqueteiros em momentos de eleição, ou pelas preocupações hegemônicas do partido do governo. (...) É evidente o risco que decorre dessa falta de orientação estratégica num mundo global convulsionado pelo terrorismo islâmico” (p. 196).


Concluo a minha obra com as seguintes palavras que destacam a urgência da nossa mudança de atitude, em face do estatismo rasteiro que tomou conta do país: ”O cenário, como se vê, é complicado e não sairemos dele sem um grande esforço pessoal e coletivo. Escrevia recentemente o prêmio Nobel Mário Vargas Llosa (...) que as nações optam, às vezes, pelo haraquiri político, tomando decisões erradas que comprometem o bem-estar de futuras gerações. O Brasil, infelizmente, está nesse caminho, e não será fácil sair dele. Mas não temos outra escolha se quisermos legar aos nossos filhos um país habitável e não um cenário de conflito e destruição” (p. 210). 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

HARA-KIRI POLÍTICO PETRALHA


Este texto foi encaminhado em 25 de Agosto ao Clube Militar como contribuição do autor na Campanha pela Moralidade Nacional, com o título: "A surdez suicida dos petralhas".

Diante da gravidade dos fatos no panorama brasileiro, destaca-se a atitude suicida dos petralhas enquistados no poder: nada ouvem. A plena divulgação da gravidade dos malfeitos que se vem repetindo semana após semana, em nada abala a convicção dos detentores do poder de que ficarão para sempre nele. Nem o sombrio panorama econômico, nem o esvaziamento da autoridade presidencial, nem os protestos de milhares de cidadãos nas ruas, nada os abala. Ou, pelo menos, fingem que nada os abala. Mandatários comunistas são assim, repetindo o exemplo próximo dos irmãos Castro em Cuba, ou do bolivariano Maduro na Venezuela. A opinião pública que se lasque! O essencial é manter o poder, a qualquer preço. Foi assim na Rússia do início do século XX, com os bolcheviques, quando galgaram o poder em 1917. Foi necessário que a casa caísse primeiro, em 1989, para que largassem o osso. Daí por que, no Brasil, os suicidas vermelhos só sairão quando enxotados do Planalto. É o que os brasileiros farão, com certeza, diante da desfaçatez de Lula, Dilma e companhia.

No terreno econômico, os petralhas montaram um esquema de apropriação do dinheiro público, a partir do propinoduto alimentado pela cooptação de empresários corruptos através de empresas estatais como a Petrobrás, a Eletrobrás e a Nuclebrás, e utilizando os empréstimos do BNDES para garantir o financiamento das obras que beneficiariam aos operadores do esquema, todos ligados ao PT e à base aliada. É incrível como esse modelo continuou a funcionar, mesmo após os primeiros crimes terem sido desvendados pela Operação Lava Jato. O honrado juiz Sérgio Moro colocou José Dirceu na cadeia justamente por esse motivo. O que mais assusta nas novas revelações dos investigadores do Ministério Público e da Polícia Federal é que o esquema da corrupção desenfreada passou a operar, nos dois governos petralhas, em todos os campos: na saúde, na educação, na segurança pública, no terreno eleitoral, na gestão das relações exteriores do país, na magistratura, nas obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, etc. É incrível observar como o câncer da roubalheira foi espalhado pela petralhada em todos os órgãos do Estado, não escapando hoje praticamente nenhum setor da administração pública. A cara de pau dos petralhas é de dar inveja ao mais corrupto dos ditadores africanos! Tudo em nome do povo.

O programa “Bolsa Família” converteu-se, no consulado lulista, em desavergonhado esquema de aliciamento do eleitorado pobre, tendo constituído, assim, o maior programa de compra de votos do hemisfério ocidental, como oportunamente destacou o então senador Jarbas Vasconcellos em histórica entrevista dada à Revista Veja (18/02/2009). Lula dizia, logo assim que tomou posse em 2003, que os petistas não podiam errar. Só que não falou em que terreno os petralhas não cometeriam erros. Hoje fica claro que se tratava do campo da corrupção. Eles, os petistas, não poderiam errar na aplicação dos métodos totalitários para a conservação do poder a qualquer preço. Lula e Dilma colocaram em prática o conceito que Lenine tinha do exercício da autoridade à frente do Estado, como sendo “um poder não controlado por leis”. Ou seja, um poder absoluto. Nem o poder espiritual escapou à generalização da roubalheira, com os arautos da teologia da libertação, “frei” Beto, o ex-padre Boff e outros, justificando os desmandos do lulopetismo em nome da justiça social.

O ideal petralha, caso não tivessem sido pegos os dirigentes com a boca na botija da roubalheira generalizada, era desagregar a tal ponto o tecido social brasileiro, de forma a poderem implantar a plena ditadura comunista no Brasil. Se a sociedade brasileira não tivesse acordado, os petralhas já estariam pondo em prática a segunda etapa do processo, após terem se consolidado no poder: a eliminação dos bolsões de resistência que aparecessem na sociedade. Tal como o camarada Stalin fez na Rússia, assassinando friamente mais de 20 milhões de compatriotas. Tal como ocorreu na China do “companheiro” Mão Tse Tung, com os milhões de assassinatos a partir da “Grande Marcha” que consolidou o poder dos comunistas. O ideal petralha era converter o Brasil numa grande prisão, algo assim como os irmãos Castro fizeram em Cuba, onde, dos 11 milhões de habitantes, praticamente a metade, aproximadamente 5 milhões, servem aos “comitês de defesa da Revolução”, prestando informações aos organismos policiais. Lula nunca abjurou do seu conceito estalinista de poder, abraçando a idéia maluca de eliminar fisicamente os seus oposicionistas. Logo no começo do ciclo lulopetralha, foi posto em funcionamento esse esquema totalitário com a eliminação física dos que, de dentro do PT, obstaculizavam as primeiras operações da engenharia da corrupção que embolsava dinheiro dos contribuintes, nas empresas de limpeza urbana das prefeituras paulistas dominadas pelo Partido, mediante o desvio de recursos para o mesmo. Celso Daniel e Toninho do PT foram as primeiras vítimas desse esquema podre. Foram assassinados a sangue frio, a fim de dar uma lição antecipada do que aconteceria com outros “companheiros” que se opusessem à política da ladroagem. Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho foram os articuladores desse esquema de assassinatos e de corrupção da política partidária.

No terreno cultural, a petralhada pôs em funcionamento desavergonhada política de destruição dos valores e instituições tradicionais caros aos brasileiros: família, Forças Armadas, religião, solidariedade social, moralidade, etc. A ideologia de gênero, que é a versão atual do marxismo cultural, passou a ser a orientadora da educação sexual das crianças com que o prefeito de São Paulo tenta corromper as novas gerações, destacando que o que importa não é a família tradicional nem a educação dada no seu seio, mas a opção sexual individual comandada pelos “educadores” do caos. Professores petralhas orientam os seus alunos pré-adolescentes no sentido de “fazer pesquisa” afetiva, beijando indiscriminadamente três meninos e três meninas, a fim de relatar perante a turma a “experiência afetiva” e assim estimular os outros alunos a fazerem as descobertas cabíveis. Corrupção de costumes na cara de pau! Não se trata aqui, obviamente, de pregar a discriminação das minorias. Trata-se, simplesmente, de denunciar uma prática pseudopedagógica que corrompe os valores tradicionais no seio das famílias.

O gramscismo ou teoria da “revolução cultural” em nome do proletariado vem sendo aplicado nos mais diferentes níveis de educação e de divulgação cultural no Brasil, ao longo dos últimos treze anos. Posto que seria mais prática a derrubada do sistema capitalista, não pela via armada (que termina reforçando o statu quo), mas pelo caminho invisível da corrupção da sociedade, os petralhas passaram a desenvolver ações estratégicas nesse sentido. O revisionismo cultural tomou conta do cenário brasileiro, com historiadores lulopetralhas reescrevendo a nossa história e substituindo os heróis nacionais pelos marginais. A educação fundamental, com a publicação de manuais a serviço da desconstrução do Brasil tradicional foi, certamente, o cenário que os petralhas ocuparam primeiro. Mas outros campos também foram visados. No terreno da informação, as ameaças lulopetralhas com um “estatuto popular para a imprensa e as comunicações” têm agido como espada de Dámocles para assustar os desavisados. E “movimentos sociais” à margem da lei como o MST passaram a receber vultosas ajudas oficiais para desmoralizar os investidores do agronegócio e destruir a propriedade privada, com auxílio de movimentos anárquicos internacionais como “Via Campesina”. O líder do MST, João Pedro Stédile, chegou a receber o título de “pensador brasileiro”, de conhecida Universidade Federal.

Já no campo da destruição da memória nacional, os petralhas instalaram com grande estardalhaço a famosa “Comissão da verdade”, que outra coisa não foi mais do que a tentativa de “Omissão da verdade”. Os comunistas brasileiros são maus perdedores. Vencidos no terreno da luta armada quando, nas décadas de 60 e 70, tentaram organizar a guerrilha a serviço do totalitarismo comunista, os agitadores profissionais não se conformaram com isso: tentaram, gramscianamente, o revide do ressentimento décadas depois, mediante a ocupação do Ministério da Defesa por exmilitantes treinados na estratégia de desmoralizar as nossas Forças Armadas e mediante a organização da “Comissão da Verdade”, com a única finalidade de atacar os militares que fizeram frente ao inimigo terrorista. Os petralhas, desde o Palácio do Planalto, não têm poupado esforços no sentido de apagar da memória do povo os serviços heroicos prestados pelos nossos homens de armas, na defesa do Brasil contra os totalitários de plantão. Medidas concretas do revide lulopetralha: não se pode mais comemorar o aniversário do movimento revolucionário de 64, que depôs um presidente corrupto que tentava implantar a República sindical a serviço do comunismo internacional. A guerrilha do Araguaia, que foi bravamente derrotada pelo Exército, virou, na versão petralha, crime contra a humanidade praticado pelos que defenderam os brasileiros. Não tivessem as nossas Forças Armadas apagado esse foco incendiário, hoje o Brasil teria as suas FARCs, com os mais de 450 mil mortos que esse grupo terrorista causou na Colômbia, na guerra que os vizinhos enfrentaram entre 1979 e 2002.


Mas a sociedade brasileira já matou a charada dos lulopetralhas no poder. As multitudinárias manifestações que começaram a ocupar as ruas desde junho de 2013 e que se têm repetido ao longo do país nos dois anos subsequentes, estão a mostrar que os brasileiros querem os petralhas fora do poder e para sempre. Essa é a lição das ruas que os lulopetralhas se recusam a escutar. Mas essa é a voz do povo, que não tolera mais o achincalhe petista contra as instituições democráticas do Brasil. Lula e os seus militantes tentaram de tudo para desmoralizar definitivamente o Congresso e aparelhar a Magistratura. Mas a sociedade está dando o seu recado definitivo nas manifestações populares e nos panelaços que ecoam pelos quatro cantos do país. Os brasileiros queremos o PT fora do poder definitivamente! Não adiantam panos quentes nem conchavos das elites a serviço da petralhada. Quem não quiser ouvir a voz dos brasileiros ficará do lado de fora da história deste país. O impeachment ou a renúncia da Dilma é questão de tempo. E o boneco gigante de Lula em trajes de presidiário com o dizer: “PT 171” virou cena viral que se espalhou pelo mundo afora na internet e nas redes sociais, após as manifestações do passado 16 de agosto. Este é o recado das ruas que os petralhas não querem ouvir: Fora Dilma, fora PT! Os arquitetos do caos não perdem por esperar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O BRASIL VIVE - A OPERAÇÃO LAVA-JATO CONTINUA (Publicado no Estado de S. Paulo, 10-08-2015)

Céu carregado em Brasília. (O Globo)
As investigações da Operação Lava Jato, em que pese o esforço do PT para atrapalhá-las, continuam a todo vapor. Ponto para o juiz Sérgio Moro, para a Procuradoria-Geral da República e para o Ministério Público, bem como para a Polícia Federal. As CPIs da Câmara dos Deputados que investigam os desmandos do governo nas estatais e no BNDES também deslancharam a contento, para desgosto do governo e do PT, que ficaram praticamente do lado de fora das diversas comissões. E vêm aí, de novo, as multitudinárias manifestações de cidadãos descontentes com a administração petralha, no próximo dia 16. Ponto para todos nós, brasileiros, que vemos o Poder Legislativo e a imprensa comprar a nossa insatisfação e a briga com a corrupção instalada no governo pelo PT e a sua base aliada.
Outro fato positivo: José Dirceu voltou ao xilindró, por causa de sua comprovada participação no crime do petrolão, tendo sido observados todos os ritos processuais pela Justiça e pela Polícia Federal. Tudo sem estardalhaço e tendo sido garantidos ao réu todos os seus direitos. As instituições brasileiras funcionam. Palmas para a nossa República! Mais uma vez fica claro que, hoje, no Brasil ninguém está acima da lei.
Os desmandos de corrupção praticados pelo lulopetismo ao longo dos últimos 13 anos tiveram o mérito de fazer acordar a sociedade brasileira, que passou a cobrar dos poderes públicos uma resposta firme em defesa das instituições republicanas. No mesmo sentido têm-se posicionado, por diversas vezes, tanto os Clubes Militares quanto oficiais graduados das Três Armas, cumprindo com a sua missão constitucional de “garantia da lei e da ordem”. E os cidadãos têm externado a sua posição contrária ao patrimonialismo rasteiro que tomou conta do governo. Jovens estudantes, donas de casa, funcionários públicos, políticos da oposição, profissionais liberais, produtores rurais, pastores evangélicos, operários, padres, etc., têm externado pela imprensa, em pregações e em manifestações espontâneas (nos panelaços, nas marchas de rua, nas cartas dos leitores, nas redes sociais, etc.), a sua rejeição à atitude de arrogância do governo e das lideranças petistas e dos seus aliados, em face da corrupção comprovada.
O Brasil não tolera mais a existência dos “donos do poder”. O único depositário deste é o povo brasileiro e, por delegação dele, os seus representantes eleitos para zelar pela Constituição e o cumprimento das leis. Quando os eleitos e os funcionários nomeados por eles se afastam da busca do bem comum, para garantir única e exclusivamente o bem deles próprios e do seu partido, abre-se o caminho para a perda de legitimidade. É a corrupção da política de que já falava Aristóteles. Se a prática desse crime for comprovada em relação à atual presidente, que se cumpra a lei no processo de impeachment. Não vejo como isso possa afetar as instituições republicanas. Muito pelo contrário: se, provada a culpa, não forem tomadas as providências legais, disso advirá sério atentado contra a ordem legal. Esperemos, portanto, com tranquilidade a decisão final do Tribunal de Contas da União (TCU) em face das contas da gestão de Dilma Rousseff, bem como as providências que, em caso de crime de responsabilidade comprovado, deverão ser tomadas pelo Poder Legislativo.
Se ninguém está acima da lei, não há razão para temer eventuais investigações das autoridades competentes em relação aos presidentes da Câmara e do Senado, caso fique comprovada a suspeita da prática de algum crime por eles. O que vale para José Dirceu vale para qualquer outro cidadão, seja ele o ex-presidente Lula, os presidentes da Câmara e do Senado ou qualquer um de nós: em caso de crime comprovado, a aplicação da lei é o único caminho possível. Escrevia Tocqueville em A democracia na América (1835) que a República era, nos Estados Unidos, “o reino pacífico da maioria”. Ora, esse “reino pacífico”, no Brasil de hoje, pressupõe a submissão de todos à lei, sem exceções nem favorecimentos ilícitos.
Quando o ex-presidente Lula, do alto do seu eterno palanque, brada que os petistas estão sendo hoje caçados como os judeus pelos nazistas, simplesmente está tergiversando as coisas. Ora, o Ministério Público, a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro não são administradores de campos de concentração. São honrados funcionários públicos que tentam enquadrar aqueles que, eleitos para governar o Brasil, aproveitaram o poder que lhes foi emprestado pela sociedade para favorecer ilegitimamente a si próprios e ao próprio partido, num esforço por torná-lo hegemônico e se perpetuar no poder. A opinião pública brasileira já matou a charada lulista: distorcer as palavras para, sempre, se colocar como vítima. Esse expediente não funciona mais e o ex-presidente Lula deveria saber disso.
As investigações da Operação Lava Jato vão continuar e os seus executores não se intimidarão pelas bravatas populistas do líder petista. Que ele e o seu partido prestem contas à sociedade pelo descalabro financeiro que fez quebrar a maior empresa pública brasileira, pôs em risco a saúde financeira de outras empresas públicas, como a Eletrobrás, descapitalizou perigosamente bancos oficiais e pôs o maior banco de investimentos do Brasil, o BNDES, a serviço de um projeto personalista de poder, agradando a regimes corruptos pelo mundo afora, a fim de ver acrescidos os seus lucros pessoais com palestras fictícias e outras artimanhas. A engenharia da corrupção lulopetista engendrou a corrupção da engenharia nacional, fazendo mergulhar em águas turvas várias das nossas maiores empreiteiras. Os atuais ciclos de baixa da economia, da autoestima dos brasileiros e das perspectivas de desenvolvimento provêm daí. Esses crimes ainda vão ser postos à luz na sua totalidade, a fim de que, punidos os seus responsáveis, recuperemos o orgulho de ser brasileiros.