Pesquisar este blog

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

UM ROTEIRO PARA O MEC

Amigos, escrevo como docente que, através das vozes de algumas pessoas ligadas à educação e à cultura (dentre as quais se destaca o professor e amigo Olavo de Carvalho), fui indicado para a possível escolha, pelo Senhor Presidente eleito Jair Bolsonaro, como ministro da Educação.

Aceitei a indicação movido unicamente por um motivo: tornar realidade, no terreno do MEC, a proposta de governo externada pelo candidato Jair Bolsonaro, de "Mais Brasil, menos Brasília". Acho que o nosso Presidente eleito ganhou definitivo apoio da sociedade brasileira no pleito eleitoral recente, em decorrência de um fator decisivo: ele foi o único candidato que soube traduzir os anseios da classe média, que externou a insatisfação de todos os brasileiros com os rumos que os governos petistas imprimiram ao país ao ensejar uma tresloucada oposição de raças, credos, nós contra eles, como se não pudêssemos, os habitantes deste país, sedimentar alguns consensos básicos em relação ao nosso futuro. Jair Messias Bolsonaro foi eleito em razão deste fato: traduziu, com coragem e simplicidade, os anseios da maioria dos eleitores. A sua campanha, carente de tempo na mídia e de recursos, ameaçava não decolar. Decolou, e, mais ainda, ganhou as praças e ruas, através de meios singelos de comunicação como o Smartphone e a Internet, coisas que o brasileiro comum utiliza no seu dia a dia desta quadra digital da nossa sociedade tecnológica. 

Como professor e intelectual que pensa nos paradoxos estratégicos do Brasil, apostei desde o início no candidato Bolsonaro. Achei a sua proposta de escutar o que as pessoas comuns pensam uma saída real para a insatisfação e a agonia que as sufocavam, nesses tempos difíceis em que se desenhava, ameaçadora, a hegemonia vermelha dos petistas e coligados. Graças a Deus o nosso candidato saiu vencedor, numa campanha agressiva em que foram desfraldadas inúmeras iniciativas de falseamento das propostas e de fake news, e em que pese o fato de que ele próprio tivesse de pagar um preço alto com a facada de que foi vítima em Juiz de Fora, desferida por um complô do crime organizado com os radicais de sempre.

Enxergo, para o MEC, uma tarefa essencial: recolocar o sistema de ensino básico e fundamental a serviço das pessoas e não como opção burocrática sobranceira aos interesses dos cidadãos, para perpetuar uma casta que se enquistou no poder e que pretendia fazer, das Instituições Republicanas, instrumentos para a sua hegemonia política. Ora, essa tarefa de refundação passa por um passo muito simples: enquadrar o MEC no contexto da valorização da educação para a vida e a cidadania a partir dos municípios, que é onde os cidadãos realmente vivem. Acontece que a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de "revolução cultural gramsciana", com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do "nós contra eles" e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados "intelectuais orgânicos", destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo.

Na linha dos pre-candidatos ao cargo de ministro da Educação foram aparecendo, ao longo das últimas semanas, propostas identificadas, uma delas, com a perpetuação da atual burocracia gramsciana que elaborou, no INEP, as complicadas provas do ENEM, entendidas mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino. 

Outra proposta apareceu, afinada com as empresas financeiras que, através dos fundos de pensão internacionais, enxergam a educação brasileira como terreno onde se possam cultivar propostas altamente lucrativas para esses fundos, mas que, na realidade, ao longo das últimas décadas, produziram um efeito pernicioso, qual seja o enriquecimento de alguns donos de instituições de ensino, às custas da baixa qualidade em que foram sendo submergidas as instituições docentes, com a perspectiva sombria de esses fundos baterem asas quando o trabalho de enxugamento da máquina lucrativa tiver decaído. Convenhamos que, em termos de patriotismo, essas saídas geram mais problemas do que soluções.

Aposto, para o MEC, numa política que retome as sadias propostas dos educadores da geração de Anísio Teixeira, que enxergavam o sistema de ensino básico e fundamental como um serviço a ser oferecido pelos municípios, que iriam, aos poucos, formulando as leis que tornariam exequíveis as funções docentes. As instâncias federal e estaduais entrariam simplesmente como variáveis auxiliadoras dos municípios que carecessem de recursos e como coadunadoras das políticas que, efetivadas de baixo para cima, revelariam a feição variada do nosso tecido social no terreno da educação, sem soluções mirabolantes pensadas de cima para baixo, mas com os pés bem fincados na realidade dos conglomerados urbanos onde os cidadãos realmente moram. 

Essa proposta de uma educação construída de baixo para cima foi simplesmente ignorada pela política estatizante com que Getúlio Vargas, ao ensejo do Estado Novo, pensou as instituições republicanas, incluída nela a educação, no contexto de uma proposta tecnocrática formulada de cima para baixo, alheando os cidadãos, que passaram a desempenhar o papel de fichas de um tabuleiro de xadrez em que quem mandava era a instância da União, sobreposta aos municípios e aos Estados.

"Menos Brasília e mais Brasil", inclusive no MEC. Essa seria a minha proposta, que pretende seguir a caminhada patriótica empreendida pelo nosso Presidente eleito.

26 comentários:

  1. profesor universitario e investigador en el área de historia de las ideas, la teoría del conocimiento, la cosmología y la filosofía política.

    Isso sim é um currículo de alguém pronto para exercer o cargo de Min. Da Educação!
    Vamos juntos!

    ResponderExcluir
  2. Muita sorte ao senhor e desejo que seja o escolhido pelo nosso presidente. Precisamos de pessoas como o senhor para colocar a educação de nossas crianças e jovens como prioridade para construir um país melhor.

    ResponderExcluir
  3. Caro Professor Vélez-Rodriguez, interessou-se pela Escola do Porto? Visitou o Projeto Âncora, em Cotia, São Paulo?

    ResponderExcluir
  4. Caro Prof. Ricardo parabéns e coragem no desafio em pro do Brasil. Sou da Argentina e estou no Brasil a 22 anos e como Padre vejo a decadência e instrumentalização das Escolas para fins da ideologias ateias. Muito triste! Vejo uma renovação da esperança neste novo governo. Rezo pelo Sr. Deus te abençoe.
    Mons. Héctor Rios.

    ResponderExcluir
  5. Conhecimento dos problemas e serem combatidos o senhor tem .Faço votos que tenha também e energia e a firmeza para enfrentar a "resistência" que encontrará com adeptos do petismo que têm cargos efetivos.

    ResponderExcluir
  6. Parabéns professor. Indicado por Olavo, logo, não existe outra pessoa mais qualificada para tal indicação. Sendo assim, o melhor para o Brasil estar por vir.

    ResponderExcluir
  7. uma pessoa profundamente qualificada para tal missao e que nos faz transbordar de esperança... parabens mestre

    ResponderExcluir
  8. Bom texto, professor. Nessa perspectiva, o quê fazer com a prova nacional do Enem? Extinguí-la? A própria noção de prova nacional e formulada apenas em um canto, não é aplicação de ideia totalitária na educação? Ao meu ver, dever-se-ia voltar coma independencia das universidades e das regioes a escolherem seus métodos de selecao. Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo plenamente, Thiago Sampaio. Esse negócio de existir um exame nacional para, igual para todos, é uma furada. Quando se estabelece a independência das universidades, você seleciona muito melhor os estudantes. As provas das universidades são muito melhores elaboradas e mais objetivas, condizentes com os estudos do ensino médio e com conteúdos relacionados às regiões dos vestibulares, o que acho uma grande vantagem(conhecer a geografia e a história do local onde se vive).

      Excluir
  9. Li ali abaixo onde diz que o senhor é amante das "canções românticas latina" e eu como professor de espanhol, estudante de mestrado em educacao em Assunção, gostaria que o senhor estando lá tivesse um olhar carinhoso pela disciplina de espanhol, afinal somos latinos e deveríamos ter uma maior comunicação com nossos irmãos, valorizando o ensino de espanhol na rede publica de ensino. E tmbm avaliar junto ao MEC essa burocracia monstruosa que as Universidades Publicas impõe para revalidar nossos diplomas de mestre e doutores feito nos países do Mercosul.

    Grande abraço

    Saludos

    ResponderExcluir
  10. Torço para que o senhor faça um ótimo trabalho. E quanto ao Homeschooling, qual a proposta?

    ResponderExcluir
  11. Professor, por favor extinga o ENEM ou desconsidere-o como substituto do vestibular. Uma prova que olha apenas para o passado do aluno não deveria ser usada como vestibular. Este sim, deve ser a(s) prova(s) que contemple duas características que interessam observar para o futuro dos candidatos: criatividade e talento.

    ResponderExcluir
  12. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  13. Obrigado por aceitar esse cargo, professor. Também acho que os vestibulares tradicionais deveriam ser o único meio de aplicação para a entrada na universidade. Cobrando conteúdos objetivos e regionais.
    Muito obrigado a você, ao Olavo de Carvalho,José Monir Nasser,Pierluigi Piazzi e todos os que lutaram, e ainda lutam pela recuperação da educação no Brasil.

    ResponderExcluir
  14. Professor, se um dia eu puder ajudar nesta transformação, conte comigo. Frederico Frazão, leiloeiro, empresário, do mercado de novas tecnologias e financeiro.

    ResponderExcluir
  15. Muito feliz com essa possibilidade de ter um professor como você assumindo esse cargo. Adquirimos muitis conhecimentos com o mestrado. Muita honra tê-lo como professor e mais ainda como Ministro da Educação.

    ResponderExcluir
  16. Acredito que a mudança educacional brasileira passa pela preocupação da sociedade como um todo. Nesse sentido, e grande o desafio e desejo, caso o senhor seja escolhido, muita força e perseverança! Conte com a ajuda dos brasileiros de bem 💪

    ResponderExcluir
  17. Torcendo muito pela sua indicação para ministro. As universidades federais chegaram no limite, transformaram -se em comitês partidários, não há ensino, nem pesquisa, nem valores morais para se formarem profissionais capazes.

    ResponderExcluir
  18. Muito bem, professor! Quem mais entende o que o povo precisa é o próprio povo, e não burocratas centralizados em Brasília.

    ResponderExcluir
  19. Parabéns, meu querido Mestre! O Brasil merece o melhor! Muito orgulhosa de você, Ricardo!

    ResponderExcluir
  20. Penso que a nossa Educaçao só terá concerto se passar a ser EXIGIDA uma RECICLAGEM completa de TODO o corpo docente nacional, de todos os niveis. Obrigatoria. Quem nao quiser se submeter, exonera. Pelo menos 1 (um) ano de reciclagem.
    Grata pela atençao.

    ResponderExcluir
  21. Parabéns, meu professor e orientador de Doutorado, Prof. Dr. Ricardo Vélez Rodríguez.
    Só nós que atuamos como docente numa universidade pública nos últimos anos sabemos o que passamos quando não concordávamos com cartilha do MEC e a vulgata do partido. Não preciso dizer mais nada!

    ResponderExcluir
  22. Parabéns!Conheço seu valor intelectual e acho que teremos, finalmente, um Ministro a altura do cargo.
    Participei ativamente da campanha de Bolsonaro e sinto imenso orgulho pelo meu , nosso , combate.

    ResponderExcluir
  23. O Brasil precisa aceitar a prática do homeschooling e dar liberdade total para cada escola adotar seus próprios currículos e métodos.

    ResponderExcluir
  24. Parabéns professor! Que Deus e a coragem acompanhem os seus passos.

    ResponderExcluir