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quarta-feira, 13 de julho de 2016

POPULISMO E NEOPOPULISMO NA AMÉRICA LATINA




 Entre 7 e 10 de Julho teve lugar em Gramado (Rio Grande do Sul), na bela Estalagem St. Hubertus, à beira do Lago Negro, o Colóquio intitulado: "Latin American Populism and Neo-populism", promovido pelo Liberty Fund.

O evento realizou-se sob a direção de Roberto Fendt Jr. (Conselho Empresarial Brasil-China, Rio de Janeiro). Atuou como Discussion Leader Julio H. Cole (Universidade Francisco Marroquin, Guatemala) e, na qualidade de representante do Liberty Fund, Leonidas Zelmanovitz. Os demais participantes foram os seguintes: Gunter Axt (Consultor do Memorial do Ministério Público de Santa Catarina, Florianópolis), Marc Antoni Deitos (UniRitter, Porto Alegre), Sérgio Fausto (Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, São Paulo), Ricardo Santos Gomes (Gomes y Takeda, Advogados Associados, Porto Alegre), Sary Levy-Carciente (Universidad Central de Venezuela, Caracas), Eduardo José Marty (Junior Achievement, Buenos Aires), Antônio Carlos Pereira (Jornal O Estado de São Paulo), Carlos Pio (Universidade de Brasília), Hélio Portocarrero de Castro (Consultor empresarial, Rio de Janeiro),   Kathrin L. Rosenfield (UFRGS, Porto Alegre),  Sandra Axelrud Saffer (Axelrud Arquitetura, Porto Alegre), Arno Wehling (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro) e Ricardo Vélez Rodríguez (Faculdade Arthur Thomas, Londrina). A Assistente do evento foi Daniela Becker (Porto Alegre).

O Colóquio constou de seis sessões que versaram sobre os seguintes temas: 1 - O que é Populismo? 2 - O Populismo Latino-americano. 3 - O Populismo: uma ameaça para a democracia? 4 - Os programas econômicos do Populismo. 5 - O líder carismático, as demandas não satisfeitas, o discurso e o "povo": Juan Domingo Perón. 6 - O líder carismático, as demandas não satisfeitas, o discurso e o "povo": Hugo Chávez Frías. Para alimentar os debates, os participantes do Colóquio leram a bibliografia que aparece no final deste post, que lhes foi distribuída um mês antes do evento. Uma documentação realmente de peso, como poderão observar os leitores.

Essa bibliografia foi primorosamente escolhida a partir dos autores que se debruçaram, nas últimas décadas, sobre o fenômeno do Populismo na América Latina. Somente faltou, a meu ver, inserir nessa lista de leituras alguma relativa ao fenômeno do Patrimonialismo, tão característico das nossas formações sociais. Porque, sem essa variável, a análise do Populismo fica incompleta, devido ao fato de que o mesmo se insere e se fortifica com a tradicional crença, típica do Patrimonialismo, de que o Estado é um bem a ser privatizado pelos clãs e patotas, a fim de garantirem o seu enriquecimento. 

Um fenômeno tão forte como a onda de corrupção do Estado e do sistema produtivo, revelado pela Operação Lava Jato no Brasil, dá a medida da importância da variável de análise do Patrimonialismo, para bem compreender essa maré de privatização do Estado por partidos e clãs, que é o mal que afeta hodiernamente ao Brasil e a outros países latino-americanos como a Argentina (administrada pelo casal Kirschner, nas últimas décadas, como propriedade do peronismo), ou o México, às voltas com as tentativas dos cartéis de drogas para se sobreporem ao Estado de Direito (como, aliás, já tinha ocorrido na Colômbia das últimas décadas do século passado). 

Livros que analisam a questão do Patrimonialismo como pano de fundo do populismo não faltam. No caso brasileiro, por exemplo, menciono dois pesos pesados: de Antônio Paim, A querela do estatismo (1ª edição, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1978) e do embaixador Meira Penna, O dinossauro (São Paulo: Queiroz, 1987). No caso latino-americano, menciono o meu livrinho: O Patrimonialismo e a realidade latino-americana (Rio de Janeiro: Documenta Histórica, 2006). Registro, por outro lado, que em Abril de 2013 publiquei neste blog detalhada caracterização do Neopopulismo, assinalando as suas linhas principais, que identificava em 12 pontos:
http://pensadordelamancha.blogspot.com.br/2013/04/consideracoes-acerca-do-conceito-de.html

Reinou entre os participantes do evento de Gramado o clima de amizade intelectual, de análise crítica e de liberdade de exposição, que constituem as marcas registradas dos Colóquios do Liberty Fund. Um clima bem diferente do que se vive atualmente nas Universidades públicas brasileiras, presas à luta pela manutenção de privilégios e sinecuras de docentes e administradores, sem que uma contribuição significativa apareça em meio ao clima de incertezas que domina o País. O que mais se destaca, pelo contrário, é o "nada a declarar" com que a musa do PT na USP, Marilena Chauí, responde corriqueiramente aos jornalistas abelhudos que lhe perguntam se a academia tem algo a dizer sobre a maior onda de corrupção em que mergulhou o Brasil, pela mão dos petistas no poder há quatorze anos. 

Quando alguma análise de peso aparece, como as publicadas pelo historiador Marco Antônio Villa, professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos, o seu autor rapidamente é defenestrado pelos antigos colegas com a acusação de "neoliberal" que constitui, hoje, o grande xingamento da esquerda cartorial. Isso para não falar dos processos que o professor Villa enfrenta, movidos pelos advogados de Lula. Tudo porque se atreveu a criticar a horda de saqueadores em que degenerou o Partido dos Trabalhadores. Talvez seja essa uma das características fortes dos Populismos latino-americanos: o horror ao pensamento. 

O horror ao pensamento se desenvolveu ali onde foi mais forte a onda populista na America Latina. Essa "flor do mal" abriu-se infelizmente aqui, no Brasil, acompanhando a onda lulopetralha; floresceu também na Venezuela chavista e também na Argentina, até ontem dominada pelos peronistas radicais que assassinaram (como acaba de revelar o agente Schiuso), com a colaboração de militantes do regime de Teherão, o fiscal Nisman, o maior crítico dos crimes da presidente Cristina Kirschner, ao ensejo do acobertamento oficial sobre a investigação em torno às ações terroristas praticadas pelos iranianos com o beneplácito peronista, no final do século passado. Terrorismo, aliás, perpetrado pelos populistas não em defesa de uma "ideologia" ou de um modelo de governo (como nas décadas passadas), mas por um motivo bem mais prosaico: manter o "bom negócio" do enriquecimento às custas do Tesouro da Nação. Talvez seja esta mais uma das características dos Populismos Latino-americanos nestes tempos sombrios e medíocres...

Seria difícil aqui fazer um resumo, mesmo que sumário, da totalidade dos itens debatidos no Colóquio. Destacarei os três aspectos que mais me chamaram a atenção: 1 - A amplitude do fenômeno populista, mais um estilo de governo do que um modelo acabado. 2 - Os fortes traços messiânicos dos populismos latino-americanos, notadamente do peronismo argentino e do bolivarianismo de Chávez. 3 - A base econômica dos populismos: o Estado como fator de enriquecimento e de distribuição de benesses.

1 - A amplitude do fenômeno populista, mais um estilo de governo do que um modelo acabado. Vários autores destacaram essa característica do populismo, dentre eles Benjamin Arditi, Gino Germani, Susanne Gratius e Ernesto Laclau. O Populismo abrange uma série de práticas de centralização do poder e de relativização das instituições, destacando, em contrapartida, o peso que têm as relações de caráter direto entre o líder populista e as multidões que se sentem espelhadas nele. 

Não é de hoje, aliás, que se sedimentou essa característica, como se pode ver pela presença dela em versões anteriores, nos casos de Facundo Quiroga, na Argentina do século XIX, segundo a análise feita por Domingo Faustino Sarmiento em Facundo: civilização e barbárie no pampa argentino (1846), ou na belíssima versão romanceada por García Márquez em O outono do patriarca, da sanguinolenta e modernizadora ditadura (1908-1937) de Juan Vicente Gómez na Venezuela.

2 - Os fortes traços messiânicos dos populismos latino-americanos, notadamente do peronismo argentino e do bolivarianismo de Chávez. Duas leituras ilustram bem esse aspecto: no caso do peronismo, os discursos do líder, magnificamente apresentados por Carlos Altamirano em: Bajo el signo de las masas. No caso de Chávez, a análise crítica feita pela estudiosa venezuelana Margarita López Maya acerca do discurso de Hugo Chávez, ao longo da sua permanência no poder entre 1999 e 2013, no ensaio intitulado: "Popular Power in the Discourse of Hugo Chávez´s Government". 

Tanto no caso peronista, quanto no de Chávez, fica clara a índole messiânica de que se revestem ambos os caudilhos, curiosamente vinculados a um estamento mediador, o "ejército" que repete, nos dias atuais, as gestas libertadoras de San Martín e de Bolívar, como numa espécie de reprodução litúrgica do Mito Primordial. Foram de especial interesse as páginas de Enrique Krauze na sua obra: Redeemers - Ideas and Power in Latin America, que ilustraram detalhadamente acerca da mediação messiânica dos atuais populismos latino-americanos, bem como dos populismos presentes em versões de poder anteriores, como as ensejadas pelo leninismo, no contexto da Revolução Russa, na autorizada interpretação de Plekhânov. Para ilustrar a dimensão messiânica do chavismo, recomendaria a leitura do vivo ensaio da jornalista espanhola Beatriz Lecumberri (que dirigiu a agência France Presse em Caracas) sobre o regime chavista, na sua obra: La revolución sentimental (Caracas: Puntocero, 2012).

3 - A base econômica dos populismos: o Estado como fator de enriquecimento e de distribuição de benesses. Ficou claro, a partir das leituras de autores como Rudiger Dornbusch, Sebastian Edwards, Hector E. Schamis, Enrique Peruzzotti e Francisco Panizza, que os populismos latino-americanos cuidam bem da sua sobrevivência econômica, mantendo, sempre, o Estado empresário como a fonte que garante duas realidades: de um lado, o enriquecimento do líder e dos seus seguidores e, em segundo lugar, a distribuição de benesses entre o povinho e os aliados internacionais da liderança populista. A identificação dessa dimensão econômica do populismo é muito importante, pois ela garante a sobrevivência do sistema. 

No caso brasileiro, é clara a presença da empresa populista, através da manutenção dos mecanismos patrimonialistas de apropriação das empresas estatais e do seu patrimônio, transformando assim o Estado em fonte duradoura de recursos para o líder e a sua burocracia, cooptando, de outro lado, o setor empresarial mediante a transformação de alguns empresários escolhidos a dedo, em ícones de produtividade ou "campeões de bilheteria". Esse modelo, no caso luso-brasileiro, é bem antigo e se remonta até o Marquês de Pombal em pleno século XVIII, como foi analisado com riqueza de detalhes pelo saudoso Gilberto Paim na sua obra: De Pombal à reabertura dos portos (Rio de Janeiro: Reproarte, 2011).

A seguir, a lista das leituras feitas pelos participantes do Colóquio, a fim de alimentar o debate:

ARDITI, Benjamin. Populism in the Mirror of Democracy. (Editado por Francisco Panizza). London: Verso, 2005. Seleção do Cap. 3, "Populism as an Internal Periphery of Democratic Politics", pg. 78-87.

DI TELLA, Torcuato. "The Transformations of Populism in Latin America". Journal of International Cooperation Studies, vol. 5 nº 1 (June 199) pgs. 47-78.

DORNBUSCH, Rudiger / Sebastian EDWARDS. The Macroeconomics of Populism in Latin America. Chicago: Chicago University Press, 1991, Cap. 1, "The Macroeconomics of Populism", pg. 7-13.

GERMANI, Gino. Authoritarianism, Fascism and National Populism. New Brunswick: Transaction Books, 1978. Capítulo 8, "Middle Classes and Social Mobilization in the Rise of Italian Fascism: A Comparison with the Argentine Case", pgs. 225-242.

GRATIUS, Susanne. "The 'Third Wave of Populism' in Latin America". Fundación para las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior. Madrid, October 2007 pgs. 1-19.

KRAUZE, Enrique. Redeemers - Ideas and Power in Latin America. (Tradução ao inglês de Frank Heifetz e Natasha Wimmer). New York: Harper Collins, 2011.

LACLAU, Ernesto. On Populist Reason. London: Verso, 2005, Parte I, Capítulo 1º:"Populism: Ambiguities and Paradoxes", pg. 3-20.

LÓPEZ MAYA, Margarita. "Popular Power in the Discourse of Hugo Chávez´s Government (1999-2013)", In: The Promise adns Perils of Populism: Global Perspectives. (Obra editada por Carlos de La Torre). Lexington: The University Press of Kentucky, 2015.

PANIZZA, Francisco. Populism and the Mirror of Democracy. (Editado por Francisco Panizza). Londron: Verso, 2005. Seleção da Introdução: "What is Populism?", "The Conditions of Emergence of Populism", "Who are the People?", pgs. 2-17 e "The Populist Gaze", pg. 24-31.

PERUZZOTTI, Enrique. "Populism in Democratic Times: Populism, Representative Democracy, and the Debate on Democratic Deepenig". In: Latin American Populism in the Twenty-First Century, (editado por Carlos de la Torre e Cynthia J. Arnson), Baltimore: John Hopkins University Press, 2013, pg. 61-84.

PERÓN, Juan Domingo. Bajo el signo de las masas (1943-1973) - Biblioteca del Pensamiento Argentino, Volumen VI. (Edición preparada por Carlos Altamirano). Buenos Aires: Emecé, 2007.

RIKER, William H.  Liberalism Against Populism. Prospect heights: Waveland Press, Inc., 1982. Cap. 1, "The Connection Between the Theory of Social Choice, and the Theory of Democracy". pg. 1-16.

SCHAMIS, Hector E. "From the Peróns to the Kirchners", in: Latin American Populism in the Twenty-First Century. (Editado por Carlos de La Torre e Cynthia . Arnson). Baltimore: John Hopkins University Press, 2013, pg.  151-163.

SIGAL, Silvia / Eliseo VERÓN. Perón o muerte - Losd fundamentos discursivos del fenómeno peronista. Buenos Aires: Biblioteca Virtual Universal, 2006, Pg. 1-28.

WEBER, Max. On Charisma and Institution Building. University of Chicago Press, 1968.


(Em sentido horário): Gunter Axt, Sandra Axelrud Saffer, Ricardo Santos Gomes,  Sérgio Fausto, Kathrin L Rosenfield. (Foto: Ricardo Vélez Rodríguez)

(Em sentido horário): Helio O. Portocarrero de Castro, Roberto Fendt Jr., Sary-Levy Carciente, Eduardo José Marty, Antonio Carlos Pereira, Ricardo Vélez Rodríguez. (Foto: Ricardo V. Rodríguez).


(Em sentido horário): Kathrin Rosenfield,  Sandra Axelrud Saffer, Sary Levy-Carciente, Roberto Fendt Jr., Eduardo José Marty, Ricardo Santos Gomes. (Fotografia de Daniela Becker).

(Em sentido horário): Antonio Carlos Pereira, Leonidas Zelmanovitz,  Júlio H. Cole, Ricardo Vélez Rodríguez. (Fotografia de Daniela Becker).

(Em sentido horário): Arno Wehling, Sérgio Fausto, Gunter Axt, Marc Antoni Deitos, Hélio O. Portocarrero de Castro. (Fotografia de Daniela Becker).

Foto final do Colóquio. (Fotografia de Daniela Becker).
Este cronista na entrada posterior da Estalagem St. Hubertus, em Gramado. (Foto de Ricardo V. Rodríguez).


sábado, 26 de março de 2016

A REPÚBLICA DOS PETRALHAS E OS PROTESTOS (publicado em O Estado de São Paulo em 26/03/2016)

Londrina: domingo 13 de Março de 2016: 90 mil contra Lula e Dilma (Foto: Folha de Londrina).
Brasília: 17 de Março de 2016: Dilma dá pose a Lula como Ministro da Casa Civil (Foto: Divulgação).


Contrariamente ao que pensava Tocqueville em A democracia na América, como sendo a República “O reino tranquilo da maioria”, para os petralhas ela é o reino intranquilo da minoria. Por um motivo: Lula, Dilma et caterva privatizaram as instituições republicanas, para coloca-las a serviço de si próprios e dos seus amigos, tendo, de outro lado, cooptado empresários para que vendessem criminosamente bens e serviços superfaturados à Petrobrás, a fim de a elite petralha se beneficiar financeiramente e abastecer o Partido para se tornar hegemônico.

É isso que está levando as multidões às ruas. Os petralhas incorreram no vício que Aristóteles, na sua Política, assinalava como característica dos regimes corruptos: estes ocorrem quando os que governam fazem-no exclusivamente em benefício próprio. Ora, a dupla Dilma-Lula, com a posse do ex-presidente como novo ministro da Casa Civil, pensou em termos puramente domésticos, como se o Palácio do Planalto fosse a “casa da mãe Joana”. Tudo é gerido, nesta República de araque, em benefício exclusivo da grande família lulopetralha. Para o resto, a maioria esmagadora dos cidadãos deste país, não há uma explicação que deva ser dada.

Acresce a isso a deformação que Lula, como populista, impingiu ao Estado Democrático de Direito e às Instituições Republicanas. Para ele, estas são dispensáveis, num clima de patrimonialismo rasteiro, sendo que, como frisava Ruy Castro, “Lula transferiu a Presidência para o mictório de botequim” (“O Estilo é o homem”, Folha de S. Paulo, 16/03/2016).

Convenhamos que o ex-presidente encarna assim  a figura mais atrasada do líder patrimonialista, aquele identificado com personagens lendários das letras latino-americanas, como o Patriarca (que remete à figura do ditador venezuelano Juan Vicente Gómez), que presidia uma republiqueta de bananas, onde burocratas se misturavam com pedintes e filhos das amantes, num clima de bordel caribenho, segundo a contundente narrativa de García Márquez em O outono do Patriarca (1975).

Ou como o personagem central (o chefete provinciano Facundo Quiroga) da obra de Domingo Faustino Sarmiento, intitulada: Facundo, civilização e barbárie no pampa argentino (1846). Quiroga semeava a miséria entre pobres, remediados e ricos da Província de São Luís, na Argentina, taxando-os com uma carga tributária insuportável, tendo-os submetido previamente ao terror policial para “abrandá-los”.

Em ambos os casos, na Venezuela e na Argentina, o líder patrimonialista é essencialmente preguiçoso, somente se preocupando em se locupletar, bem como à sua corja de familiares e apaniguados, tendo as instituições republicanas caído na paralisia total. Tanto na narrativa de García Márquez, quanto na de Sarmiento, só restou o poder privatizado na fazenda do tirano, que de público não tinha mais nada, pois tudo se converteu em função particular do Caudilho. As notícias eram, segundo García Márquez, ilicitamente editadas por uma engenhoca que lia diretamente os pensamentos do dono do poder e os formatava com grande rapidez, para manter incólume “a nau do progresso dentro da ordem”, a fim de “esconjurar a incerteza do povo num poder de carne e osso que, na última quarta-feira de cada mês, divulgava um informe sedativo de sua gestão de governo através da rádio e da televisão”. Convenhamos que os chefetes petralhas foram, com a ajuda dos marqueteiros, muito eficientes na arte de fabricar mentiras e divulga-las aos quatro ventos, tendo para isso decuplicado os gastos da Presidência da República com propaganda, ao longo dos anos de desgovernos petistas.

É claro o clamor das ruas nestes tempos de descarada reformulação do poder por parte dos petralhas, tendo Dilma se colocado como coadjuvante da ópera bufa dirigida por Lula e encenada apenas pelos militantes do PT e os poucos colaboradores que restaram dos outros partidos, que já começam a abandonar a nau em perigo.

Três coisas exigem os cidadãos irados nas passeatas e manifestações que tomaram conta das praças, ruas e avenidas das cidades brasileiras: 1 – a saída de Dilma da presidência, pela via da renúncia ou do impeachment; 2 - a submissão de Lula à Justiça, a fim de que responda pelos seus crimes de enriquecimento ilícito e de atentado contra as instituições republicanas; 3 – a defesa da Magistratura (notadamente do juiz Sérgio Moro), do Ministério Público, da Polícia Federal e outras instâncias que colaboram com as autoridades na administração de justiça.

Segundo o que se vê pelo Brasil afora, os cidadãos deste país não estão dispostos a abrir mão de sanear as instituições. Não adianta políticos espertalhões, da oposição, tentarem capitalizar para os seus currais eleitorais a insatisfação da sociedade. Onde eles têm aparecido têm sido devidamente enxotados. A mensagem é clara: os brasileiros querem renovação da forma de fazer política. Ou os candidatos para as próximas eleições municipais reciclam os seus discursos e as suas propostas, ao vão colher a derrota nas suas bases.


A mensagem vale para as autoridades dos três poderes. Para o Executivo é clara: o tempo de Dilma acabou. Para os Magistrados vale também: os cidadãos estão de olho nas decisões dos tribunais e não aceitarão pedaladas jurídicas destinadas a manter incólumes os interesses dos donos do poder. Para o Legislativo é meridiana: os representantes do povo devem representar mesmo os interesses dos cidadãos, sendo necessário que o Congresso se ocupe, de forma prioritária, da reforma política, de modo a revalorizar a representação, com a adoção de mecanismos de aproximação entre eleitor e eleito, como é o caso do voto distrital. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido - Análisis del conflicto colombiano - De las declaraciones de De La Calle a la trama de un nuevo cese unilateral de las Farc y la realidad

A cúpula das FARC na idade de ouro da guerrilha colombiana, em 2002. (Foto arquivo pessoal).

Amigos, vale a pena ver a quantas anda o processo de paz na Colômbia. Escolhi este artigo de um especialista na matéria, o coronel do Exército colombiano Luis Alberto Villamarín Pulido. Pelo que ele relata, os "diálogos de paz", na Havana, entre as FARC e o governo do presidente Santos, não estão servindo propriamente à causa da pacificação real do país, mas foram colocados em função da vaidade dos políticos e dos interesses totalitários das FARC. Isso conduzirá, a meu modo de ver, a um reforço da figura do ex-presidente Alvaro Uribe Vélez, em cujos dois governos foram deitadas as bases da pacificação colombiana. A maioria esmagadora dos colombianos quer a paz em bases firmes, sem fazer concessões injustas aos genocidas das FARC. Enquanto isso, os "países bolivarianos", incluído aí o Brasil manipulado e afundado pela petralhada, continuam defendendo os interesses das FARC.

 Las estratagemas santistas enfocadas en la búsqueda de un premio Nóbel de Paz, sumadas al prelanzamiento electoral de Humberto De La Calle como candidato presidencial en 2018, y el nuevo anuncio de otro cese unilateral de las Farc, solo han servido para favorecer el plan estratégico de las Farc y en nada han beneficiado a Colombia.

    Con ruidosa y calculada presencia mediática, De La Calle fingió dignidad de vitrina al asegurar que para bien o para mal, las conversaciones de paz en Cuba están próximas a terminar y que inclusive en cualquier momento las Farc se podrían llevar la sorpresa que los delegados del gobierno no volverían a la mesa.

    Ruido de tonel vacío, complementado con la propagandística interacción vía twitter de Santos con muchos internautas escogidos previamente para esa tarea publicitaria de su proceso, y el remate de corrida de las Farc anunciando un nuevo “cese unilateral” al mismo tiempo que secuestraron un oficial en el Putumayo.

    Por desgracia para las esperanzas de paz de los colombianos, ninguna de estas acciones apunta a solucionar el problema, sino por el contrario, a empeorarlo. Con la complicidad de “pacifistas” integrantes del Movimiento Bolivariano y el Partido Comunista Clandestino sumados a decenas de idiotas útiles, las Farc continúan su apertrechamiento clandestino desde la comodidad en La Habana y con el contubernio de los gobiernos proclives de Argentina, Nicaragua, Cuba, Brasil, Bolivia, Ecuador y Venezuela, y de algunas autodenominadas “organizaciones sociales” promueven y buscan a toda costa el cese bilateral.

     Para el efecto, los negociadores de las Farc y de Juan Manuel Santos, se inventaron la palabra “desescalamiento” del conflicto, modismo inexistente en el diccionario español y procedimiento ajeno a las doctrinas militares o de defensa nacional, colombianas y mundiales.

    Así como el concepto de paz es etéreo para el gobierno colombiano y sus delegados colmados por el mutismo en Cuba, el criterio del desescalamiento carece de claridad conceptual y práctica. Acaso podría suponer este invento semántico que el promedio de muertos y heridos actuales reduzca al 90% luego al 80% y así sucesivamente. Aceptarlo así, equivaldría a una afrenta contra las víctimas del narcoterrorismo comunista y demostraría ingenuidad rayana del gobierno nacional frente al plan estratégico de las Farc.

    Pero para las Farc cese bilateral y “desescalamiento” del conflicto significan algo diferente: Que las Fuerzas Militares suspendan definitivamente los bombardeos sobre las guaridas, que las tropas se retiren de las áreas de operaciones y les permitan incrementar el reclutamiento y el fortalecimiento de las cuadrillas, que  los terroristas sean tratados de igual a igual como ejército revolucionario en condición de fuerza beligerante y que se les permita legitimarse para lanzar la estocada final contra la institucionalidad vigente.

     En síntesis para las Farc, “desescalamiento” es la soterrada búsqueda consensuada de un  alivio de presión para fortalecerse, y, cese bilateral, es un armisticio en el cual sean reconocidos como fuerza beligerante. Lo negativo del tema, es que por ignorar las verdaderas pretensiones de las Farc, a los altos funcionarios del gobierno y al equipo encabezado por De La Calle en Cuba, actúan a la topa tolondra y son sometidos a las imposiciones permanentes de los terroristas.

  Esta realidad parece no hacerles mella, con la extensiva circunstancia agravante que la multiplicidad de desinformación difundida por los medios de comunicación, casi todos enmermelados, tampoco aporta claridad a la opinión pública, que cansada del terror y la barbarie comunista de más de cinco décadas, podría dar el visto bueno a la paz santista, sin evaluar a fondo la realidad del problema.

    El congreso de la república, inferior al reto como por negativa característica lo ha sido siempre en la accidentada historia colombiana, no ha cumplido su función frente a lo que se dialoga en Cuba con las Farc. Individual y colectivamente los congresistas actuales defienden intereses particulares o sectoriales, sin consensuar en lo que le conviene a Colombia frente a las Farc y las pretensiones de los terroristas.

    Por su parte, en lugar de orientar esfuerzos serios, profundos y efectivos para judicializar a los cómplices políticos y organizativos de las Farc así como de las Milicias Bolivarianas, eje de gravedad del Plan Estratégico reevaluado por Alfonso Cano antes de morir con el nombre de Plan Renacer; el Fiscal General se ha centrado en proponer ridículas penas alternativas para los terroristas y el reconocimiento tácito de la incompetencia de la justicia colombiana, para defender los derechos de las víctimas del narcoterrorismo comunista.

     En medio de ese juego de intereses e ineficiencias, las Fuerzas Militares se han quedado solas y sin respaldo jurídico ni político. La implementación de neófitos e improductivos ministros civiles de Defensa, sin excepción, solo ha servido para facilitar vergonzosos casos de corrupción verbigracia la costosa e ineficiente Sanidad Militar, multiplicidad de improductivos asesores y contratistas civiles en asuntos de defensa y seguridad nacional (que además desconocen); pugnas y favoritismos para escoger oficiales en altos cargos de responsabilidad, inadecuada capacitación profesional de los cuadros de mando y muchas otras perlas que indican que las tropas carecen de dirección político-estratégica, pues el presidente Santos cambia a menudo de puntos de vista y no es puntual ni claro en sus mensajes a los soldados.

     En síntesis, las ruidosas declaraciones de Humberto de La Calle para ir ambientando su candidatura presidencial en 2018 y su obvio deseo de también ser Premio Nobel de Paz al lado de su mentor Juan Manuel Santos, la fanfarronada santitsta de no gobernar para dedicarse a interactuar por twitter con internautas pre-escogidos con preguntas prediseñadas para respuestas de cajón, y el anuncio de un nuevo cese unilateral de las Farc, son componentes de más de lo mismo.

       Y demuestra una vez más, que las Farc si saben para donde van y como quieren meter el narcocomunismo en Colombia, mientras la contraparte navega en la improvisación, sostenida inmerecidamente por el sacrificio, la abnegación y la lealtad de los soldados, que no merecen la incompetencia de dirigentes políticos actuales.