Pesquisar este blog

terça-feira, 19 de abril de 2016

MICHEL TEMER: AMPLOS FATORES FAVORÁVEIS! - Do EXBLOG do César Maia - 19-04-2016


Amigos, a avaliação do ex-prefeito do Rio César Maia, no seu ex-blog de hoje que transcrevo a seguir, é uma análise bastante objetiva, a meu ver, que parte do pressuposto - como diria Aristóteles - "da política possível", não "da política ideal" - como diria Platão -. E, como vivemos no mundo das probabilidades, não dos ideais puros, considero que se aproxima mais do que realmente pode acontecer. Uma perspectiva salutar diante da desconstrução do Estado efetivada pela Dilma e corroborada pelo messianismo pífio do Lula e da sua dogmática militância. Que o Senado, com senso de responsabilidade, faça a sua tarefa neste período crucial da história brasileira!

---------------------
                  
1. Sua posse (de Michel Temer) como presidente será um enorme alívio nas relações internacionais. Nos Estados Unidos e União Europeia há uma sensação além de alívio e até de euforia. Na Argentina e na Colômbia idem. A escolha certa do ministro de relações internacionais, por Temer, completará esse quadro. Chefes de estado e de governo europeus devem ter acompanhado a votação e comemorado.
                  
2. Com um período curto de governo –iniciado sob o manto do curtíssimo prazo- Temer não seria ingênuo de publicar um plano de governo. Seria o pretexto para ser cobrado aqui e acolá. Tende a apresentar umas 3 ou 4 medidas de impacto nas áreas fiscal, previdenciária e federativa, lastreadas numa política externa aberta (o abraço em Macri será para valer). A euforia trará um forte fluxo de capitais para obter ganhos futuros de um ciclo positivo.
                  
3. Temer foi deputado federal seis vezes, presidente da Câmara duas vezes, e secretário estadual de segurança pública em S.Paulo. E vice-presidente duas vezes. Como jurista, não precisa de detalhes para despachar decretos. Terá uma relação fluída com o Poder Judiciário, fundamental agora. Dilma nunca havia sido sequer vereadora. Não sabia –e não sabe nada- da arte da política. Como ministra e como presidente aprofundou esse desentendimento, por arrogância e autoritarismo.
                  
4. Pelo fato de ter sido secretário de segurança pública do Estado de São Paulo, coisa que de Getúlio à Dilma nenhum presidente foi e nenhum viveu essa experiência, abrirá um campo de diálogo em matéria crítica para os Estados nesse momento. E para as Olimpíadas. Saberá se assessorar. Dilma viveu como presidente um trauma permanente por ter sido presa política e uma enorme dificuldade de dialogar com policiais e militares. De longe, e de perto, lembrava esse trauma.
                  
5. As articulações políticas desenvolvidas por Temer como vice-presidente e aprofundadas na crise política que se seguiu à eleição de 2014 construíram relações de confiança e impediram quaisquer dependências partidárias. Isso será fundamental agora. Dilma vivia a esquizofrenia das relações com o PT.
                  
6. Temer não terá superego político e econômico. O PSDB enfraqueceu-se na crise política, terá que dialogar horizontalmente como os demais, sem barões e cardeais. Excluindo PMDB, o bloco de 3 partidos médios-grandes com o qual Temer vem trabalhando têm mais que o dobro da bancada do PSDB. E todos têm quadros técnicos ou contatos extraparlamentares para qualquer função.
                  
7. Os Jogos Olímpicos, que começam em pouco mais de três meses, vinham sofrendo desgaste contínuo com as reações figadais de Dilma. Aberta ou reservadamente, mostrava sua antipatia com o presidente do COB/CO-2016. Nos dias que antecederam a votação do Impeachment, autoridades olímpicas mostravam seu desconforto com Dilma. O futebol brasileiro –em destaque a CBF- era tratado de forma generalizada por Dilma, como uma máfia. Trauma das vaias da Copa do Mundo de 2014. As relações serão recompostas. Temer voltará a recebê-los.
                  
8. A força de pressão da tradicional “sociedade civil organizada” não é a mesma hoje, no mundo todo e ainda mais no Brasil. As ruas têm mostrado isso no Brasil todo, há 4 anos. No Brasil –ao contrário do que tem ocorrido em outros países- as redes sociais impulsionando as ruas reais e virtuais, não têm inspiração populista. Não têm interlocução partidária preferencial. Aqui, hoje, são redes sociais livres, não manipuladas (desierarquizadas, horizontais e de agregação individual). E as redes sociais têm consciência que foram parte fundamental da mobilização de opinião e da vitória. Temer terá uma carência de pelo menos 9 meses por parte delas. Se estão na origem do impeachment, é natural e humano que queiram que as coisas caminhem bem: são parte da vitória.

ARISTÓTELES, A GLOBALIZAÇÃO DE ALEXANDRE O GRANDE E O PRIMADO DA EXPERIÊNCIA



Aristóteles (detalhe, acima) e A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio de Urbino (1483-1520), Museu Vaticano. (Fonte: Wikipedia).

Aristóteles nasceu em Estagira (Macedônia) em 384 a.C. e morreu em Cálcis, na Ilha de Eubea, em 324 a.C. Durante 20 anos, entre 367 e 347 a.C. foi discípulo de Platão (427-347 a.C.), na Academia.

Por volta de 342 a.C. foi-lhe confiada a educação de Alexandre (356-323 a.C.), filho de Filipe II (382-336 a.C.), rei da Macedônia, missão que o nosso pensador cumpriu até 335 a.C. Nesse ano Aristóteles fundou, em Atenas, no Liceu, a sua própria escola, chamada de peripatética e nela desenvolveu a docência da filosofia e das ciências até 323 a.C., quando se retirou  à ilha de Eubea (terra da sua mãe), no Mar Egeu.

Os escritos do filósofo que conhecemos, na sua maior parte estão constituídos pelas notas de aula tomadas pelos seus discípulos, nos cursos que ofereceu no Liceu. Esses escritos eram chamados, pelo próprio Aristóteles, de esotéricos. Diferentemente de Platão, que escreveu a sua obra no elegante dialeto ático, Aristóteles utilizou a língua comum, a koiné (ou grego vulgar), que se estendeu como língua franca ao longo da bacia do Mediterrâneo, e que deu ensejo à grande globalização cultural do Império de Alexandre.

Em 7 itens podemos sintetizar o essencial do pensamento de Aristóteles:

1 - Com Aristóteles encontramos um sistema filosófico completo. A sua obra pode ser agrupada em cinco grandes blocos, assim:

I – Lógica, que abrange seis obras, genericamente denominadas de Organon: Categorias, Da Interpretação, Primeiros Analíticos, Segundos Analíticos, Tópicos e Refutação dos Sofistas.

II – Escritos Científicos, integrados por quatro obras: Física, Sobre a Alma, Partes dos Animais e Astronomia.

III – Metafísica, que inclui os quatro livros que levam esse título.

IV – Ética, com as seguintes obras: Ética a Nicômaco, Ética a Eudemo, Grande Ética, Política e Constituição de Atenas.

V – Poética, que abrange dois escritos: Retórica (8 livros) e Poética.

2 – No conjunto de obras que integram o Organon, notadamente nos Analíticos e nos Tópicos, Aristóteles formula a sua Lógica Formal, que estuda os esquemas de raciocínios válidos, independentemente do conteúdo dos mesmos. A Lógica Aristotélica foi aperfeiçoada, posteriormente, por Boécio[1] (480-524) e por Pedro Hispano[2] (1205-1277). A Lógica Formal de Aristóteles foi recebida, na tradição medieval, como parte da Filosofia e se denominava “logica minor”, sendo que a “logica maior” correspondia à Teoria do Conhecimento.

A Lógica Formal somente se começou a distanciar da Filosofia no século XVII, quando Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) formulou a sua Ars Combinatoria, que deitou os alicerces da Lógica Matemática, a partir do princípio de que seria possível substituir os conceitos, nos raciocínios, por símbolos matemáticos. Com essa base, Leibniz pretendia evitar as disputas sobre conceitos com significação equívoca, atribuindo, a cada um deles, uma significação exata, expressa em símbolos matemáticos.

As hipóteses de Leibniz foram aperfeiçoadas, do ângulo matemático, por George Boole (1815-1864), na obra intitulada: Uma interpretação das leis do pensamento em que se fundamentam as teorias matemáticas da Lógica e das Probabilidades (1857). Esta obra deu ensejo à denominada álgebra booleana, ou conjunto de técnicas algébricas para lidar com expressões no cálculo proposicional. Com base nesse fundamento, a Lógica Matemática foi sistematizada, no século XX, por Bertrand Russell (1872-1970) e Alfred North Whitehead (1861-1947), na obra: Principia Mathematica (1913). Mais adiante, na metade do século XX, foi formulada a Lógica dos Circuitos pelo engenheiro norte-americano Claude Shannon (1916-2001), com a obra intitulada: A mathematical Theory of Communication (1948), na qual os símbolos matemáticos são substituídos pela Lógica Binária (passível de ser traduzida em impulsos eletrônicos). Essa é a base da linguagem e da memória artificial utilizadas nos hodiernos computadores.

Como se pode observar, longa foi a caminhada da Lógica Formal até as manifestações contemporâneas dessa especialidade que, sem Aristóteles, certamente não teria chegado até os magníficos resultados que apresenta, hoje, como disciplina autônoma no terreno das ciências.

3 - Na Teoria do Conhecimento, Aristóteles partiu para elaborar um ponto de vista transcendente ou realista, como tinha feito o seu mestre Platão. No entanto, o cerne da gnosiologia aristotélica não é constituído, como em Platão, pela hipótese de Idéias subsistentes e independentes do mundo. Para Aristóteles, o fundamental é o conhecimento da realidade que nos circunda, e é aí que ele coloca a sua noção da substância primeira (próte ousía), que é definida como aquilo que é em si e não em outro. As substâncias externas, objeto da nossa experiência sensível, são as substâncias primeiras. Elas são formadas por matéria (hyle) e forma (morfé). A forma das realidades substanciais conhecidas pelos sentidos movimenta a razão humana, que se encontrava em potência (intellectus patiens, segundo a terminologia escolástica). Ativada pela forma substancial, a razão fica em estado de ato (intellectus agens) e se torna capaz de agir, elaborando representações das formas substanciais intuídas na experiência. A partir da intuição, pela razão, da essência da substância concreta (ou seja, da sua forma), é elaborada uma representação abstrata da mesma, que Aristóteles denomina de substância segunda (deutere ousía) denominada também de conceito universal, e que consiste numa representação abstrata da substância primeira. O processo do conhecimento se completa mediante a predicação, pela razão, no juízo, em relação a uma substância primeira, da substância segunda, abstrata, que lhe é correspondente. Quando digo, por exemplo, “isso é um cachorro”, estou predicando a representação abstrata que repousa na minha razão, de um ente concreto que está diante de mim, o animal de quatro patas que eu chamo de “cachorro”.

Aristóteles valoriza a experiência (ampeiría). Para ele, todos os nossos conhecimentos provêm dos sentidos. Os escolásticos sintetizaram esse princípio aristotélico da seguinte forma: “nihil est in intellectu quod prius non fuerit in sensu” (“Não há nada no entendimento que antes não tenha passado pelos sentidos”). Para Aristóteles, há cinco tipos de conhecimento, todos eles interligados, começando pelos sentidos e subindo até intelecção. Temos, em primeiro lugar, o conhecimento sensorial (aísthesis) em segundo lugar, o conhecimento empírico propriamente dito (ampeiría) em terceiro lugar, vem o conhecimento técnico (téchne) em quarto lugar, temos o conhecimento científico, pelas suas causas, das substâncias ocultas atrás dos fenômenos (epistéme) e, em quinto lugar, o conhecimento das totalidades à luz do ser (sofía).

A nossa razão atua como ordenadora dos fenômenos dispersos, mediante a intuição das essências substanciais das coisas que aparecem na experiência sensorial. Aristóteles valoriza o conhecimento das coisas da natureza pelas suas causas, bem como a classificação dos seres a partir da experiência, sendo que a Lógica fornece os instrumentos conceituais necessários para essa ação ordenadora. Dentre os conceitos que a Lógica oferece, sobressaem os de gênero e diferença específica. É possível fixar conceitualmente as características essenciais de uma determinada realidade, mediante a explicitação do gênero próximo ao qual ela pertence, adicionando a diferença específica, que é a responsável pela sua identidade, no contexto do gênero. Assim, por exemplo, a essência humana consistiria de duas notas: animal (gênero próximo) e racional (diferença específica). Utilizando esse mecanismo, Aristóteles realizou amplo trabalho de classificação dos seres vivos, dando início à taxonomia.

No que tange ao conceito de verdade, Aristóteles distingue dois tipos: verdades categóricas (aquelas referidas às substâncias que, no Cosmo, têm regularidade nas suas ações, o que os Gregos, de modo geral, denominavam de tropos) e verdades dialéticas (aquelas referidas ao comportamento humano, não totalmente previsível porquanto ancorado na liberdade de escolha, e que os pensadores gregos denominavam de anthrópos). Uma coisa é verdadeira quando, no juízo afirmamos de uma substância primeira, o conceito universal (ou substância segunda) que lhe corresponde. Assim, por exemplo, quando digo: “este animal é um cachorro”, a minha afirmação é verdadeira se, efetivamente, a essência do bicho que estou vendo é a de cachorro. Incorro em falsidade quando afirmo de uma substância primeira a substância segunda (ou o conceito universal) que não lhe corresponde (como quando digo de um cachorro que é gato).

4 – A Psicologia ou Tratado da Alma complementa a Teoria do Conhecimento de Aristóteles. O Estagirita distingue três partes da Alma, que remetem a três estratos da Natureza: a Alma Vegetativa ou Alma das Plantas; a Alma Sensível ou Alma dos Animais e, finalmente, a Razão, que somente se encontra no homem.

A Alma Vegetativa é responsável pela subsistência; a Alma Animal é responsável pela sensação e o movimento local, enquanto que a Razão (nous) é responsável pela atividade intelectual. A Alma é o princípio formal de todo corpo. A respeito frisa Aristóteles: “Assim, também, a alma é a entelequia primeira de um corpo natural que possui a vida em potência; tal é o caso do corpo organizado”.

Ao Espírito corresponde um estatuto particular: podemos subdividi-lo em Espírito Sensitivo (receptivo) e em Espírito Agente (ativo), um desempenhando a função de matéria (potencialidade) e o outro a função de forma (atualidade). O Espírito Sensitivo (que está em relação com as percepções da segunda parte da alma) recebe os objetos do pensamento segundo a forma, enquanto que o Espírito Agente representa o espírito todo-poderoso para a atividade da alma espiritual.

Ao contrário das outras partes da alma, o Espírito Agente não está ligado ao corpo e é, assim, imortal. Mas, como o pensamento não pode nascer senão da relação com a sensação, o Espírito, após a morte, não é mais um Espírito Individual (diferentemente do que Platão defende com a sua teoria da alma).

5 – A Teoria do Conhecimento em Aristóteles ancora na Metafísica. A ordem do conhecimento segue a ordem do ser. Assim Aristóteles se mantém fiel à herança platônica. Aristóteles, no entanto, pensa o Ser não como alicerçado num Sumo Bem distante do mundo, mas como o fundamento de tudo quanto existe. O Cosmo e o Homem estão presentes no Ser. Não há, portanto, um mundo separado de Idéias Eternas.

O Ser é partilhado pelos entes, mas eles não o esgotam. Aristóteles partiu, na sua Metafísica, para fundamentar as relações entre o Ser e os entes, mediante a sua doutrina da potência e do ato. Todos os seres do Cosmo, o homem inclusive, partilham limitadamente do Ser, pois são compostos de potência e ato.

6 – A dinâmica da Natureza, a partir dos conceitos de Matéria e Forma. Nos livros da Física, Aristóteles mostra que o Cosmo foi formado a partir de uma matéria primeira (próte hyle) que constituiu os quatro elementos (terra, água, fogo e ar) de que estão compostos todos os corpos. Potência e Ato, nesta dimensão que constitui a Natureza (fysis) relacionam-se como matéria (hyle) e forma (morfé). Estes conceitos integram a denominada Teoria hilemórfica.

Aristóteles desenvolveu a sua teoria da causalidade, para explicar as relações entre os corpos no seio da Natureza. Quatro são as causas: material, formal, eficiente e final. Elas pressupõem a substância, onde se dá a sua dinâmica. Aristóteles reconhecia dois modos de ser ou categorias: ser em si (substância ou ousía) e ser em outro (acidente). O ser em outro se pode dar de nove formas diferentes (que os escolásticos passaram a denominar com as seguintes expressões latinas: quantidade, qualidade, relação, ação, paixão, quando, onde, situação e hábito). Na sua teoria da causalidade, Aristóteles dá destaque à causa eficiente e formula o princípio segundo o qual “tudo que se movimenta é movido por outro”, que o leva a postular a existência do “motor imóvel”, causa primeira do movimento do Cosmo.

No seu tratado da Física, no livro II, o Estagirita oferece quatro definições acerca da Natureza: ela é “Princípio e causa de movimento e de repouso, para a coisa em que ela reside imediatamente e não por acidente”. A Natureza é, também, “A matéria que serve de sujeito imediato a cada uma das coisas que possuem em si um princípio de mudança e movimento”. O Filósofo ainda traz esta definição de Natureza: “Nas coisas que possuem em si um princípio de movimento, (ela) é a forma e o tipo separáveis só logicamente”. Sintetizando, a Natureza é, para Aristóteles, princípio de movimento e de crescimento. Um detalhe etimológico deve ser salientado: fysis (natureza) vem do verbo fyo (crescer). A quarta definição de Natureza é, segundo Aristóteles, a seguinte: “Sendo a natureza dupla, matéria de um lado e forma, de outro, e sendo ela um fim, e estando as demais (coisas) ordenadas a esse fim, ela será uma causa, a causa final”. A Física de Aristóteles é, conseqüentemente, uma física finalista, na qual é essencial a experiência, a fim de abarcar o conjunto de aspectos que rodeiam a Natureza.

Outro conceito que, na Física, é importante para Aristóteles, é o de movimento. Ele o define como surgimento, mudança, progresso ou degradação. O movimento, quando se trata de um ser vivo, é denominado de metabolé (daí provém o termo metabolismo). Mas quando é entendido como mudança de lugar, é denominado de kínesis (daí provém o termo cinema). Existem, para Aristóteles, dois tipos de movimento: substancial, que recai sobre a substância e consiste na geração ou na corrupção. O segundo tipo de movimento é o acidental, que não modifica essencialmente a substância, atingindo apenas algumas qualidades acidentais, tais como: crescimento e diminuição, alteração e translação.

7 - A ética aristotélica tem por objetivo o domínio da ação humana, em tanto que alicerçada numa decisão e a política é o terreno da sua aplicação social. Distingue-se a ética da filosofia teorética, que se dirige ao imutável e eterno.

Por natureza, segundo Aristóteles, todo ser tende a um bem que lhe é próprio e no qual encontrará a sua realização. O bem humano é a atividade da alma conforme à razão. Nessa atividade, o homem descobre a felicidade (eudemonía), que é independente das circunstâncias exteriores, como objetivo final das suas aspirações. Como frisa Aristóteles na sua Ética a Nicômaco, “O bem do homem consiste numa atividade da alma conforme à virtude”.

Aristóteles distingue entre virtudes dianoéticas (que se manifestam no exercício da razão) e virtudes éticas (que são transmitidas pela ordem estabelecida na sociedade e na Polis) sendo que elas recebem a sua validade da tradição e do consentimento universal. A virtude dianoética fundamental é a prudência (frónesis) que leva o homem a reconhecer os meios e os caminhos justos que conduzem ao bem. À luz dessa virtude o homem desenvolve a atitude ética, que se formata mediante a prática das virtudes (através do exercício, o hábito e a aprendizagem).

No que tange ao conteúdo, a virtude ética é definida como o justo meio (mesotés) entre dois extremos contrários.  Assim, por exemplo: a coragem ocupa o lugar intermediário entre a covardia e a temeridade. A moderação é um intermédio entre a apatia e a excessiva vontade e a generosidade é o equilíbrio entre a avarícia e a prodigalidade.

A justiça (dikaiosýne) para Aristóteles é a virtude mais importante para a vida em comum. Em tanto que distributiva, ela cuida de distribuir os bens justamente; em tanto que corretiva, ela compensa os danos ou os prejuízos sofridos por alguém. Uma virtude essencial é, também, a amizade. Graças a ela, o homem experimenta a passagem dos interesses individuais para aqueles que constituem a comunidade.

A ética aristotélica, contrariamente à platônica, é uma moral concreta da liberdade e da diferença entre os homens da cidade. Ela define um espaço de discussão, que deve permitir chegar a um bem soberano, que não é transcendente (como em Platão), nem imposto desde cima por algum sábio. O bem soberano aristotélico nasce exclusivamente do contato entre os homens livres.

No que tange à ordem política, diferentemente de Platão (que privilegiava o modelo aristocrático), ela é variada, para Aristóteles, podendo ser de três tipos: realeza (cuja degeneração é a tirania), aristocracia (cuja corrupção é a oligarquia) e politéia ou governo do povo, (cuja degeneração é constituída pela democracia). Contrariamente a Platão, que no relativo ao conhecimento racional da realidade política dava prelação à Idéia sobre os conhecimentos empíricos, Aristóteles privilegia estes últimos. Nesse terreno, o filósofo de Estagira realizou estudos comparados, tendo chegado a identificar 158 formas de organização ou de constituição política. Desses estudos somente nos restou o escrito intitulado Constituição de Atenas.

Platão concebia uma visão ideal da política, ao passo que Aristóteles concebe uma idéia possível. Ele é partidário de um realismo político. Na obra Política, frisava: “Deve-se, efetivamente, examinar não somente o melhor regime político, mas também aquele que é simplesmente possível”. Contrariamente a Platão, para quem os homens ingressavam no Estado em decorrência das suas fraquezas, Aristóteles considera que os homens procuram a ordem política, movidos pela sua natureza sociável. A respeito, escreve: “O homem é por natureza um animal político”.

A linguagem é um signo de que o homem não está destinado unicamente à simples sobrevivência, mas a viver numa comunidade que deve chegar a acordos acerca do útil, do bom e do justo. Como Platão, Aristóteles considera que a tarefa do Estado consiste em possibilitar a realização ética dos cidadãos. No entanto, enquanto o mestre de Aristóteles considerava que a questão ética consistia em partir para um processo de catarse, a fim de o homem voltar à contemplação pura das Idéias no reino do Sumo Bem, para o Estagirita essa realização consiste em algo muito mais singelo e terreno: o amor à vida feliz e boa. É somente no seio do Estado que se pode desenvolver perfeitamente a virtude do indivíduo.

O Estado, para Aristóteles, se forma a partir de um conjunto de comunidades que vão se alargando. A propósito, frisa: “Na origem, existe a comunidade de duas pessoas (homem e mulher, pai e filho, amo e servo). Estes, juntos, constituem a família, a partir da qual, a seguir, constitui-se a aldeia e por fim a cidade (pólis) que é o reagrupamento de várias aldeias”. É somente a partir da cidade que é garantida a autarquia (ou seja, o fato de se garantir, a si próprio, a independência e a autossuficiência).

O princípio formal da pólis, para Aristóteles, é a constituição. A respeito, frisa: “A cidade é uma espécie de comunidade e uma participação comum dos cidadãos no governo”. O filósofo divide as formas de constituição em três “tipos justos” (realeza, aristocracia, politéia). O critério de classificação é o número dos que participam do poder político: um, alguns, todos.

É boa a forma de governo que serve ao bem-estar geral; é ruim aquela que somente persegue os interesses dos que mandam. Aristóteles não prefere de entrada uma das três formas de organização da cidade mencionadas. Considera, contudo, que a mais realizável e a mais estável é a politéia ou democracia moderada. É uma forma que mistura as vantagens das outras constituições e que realiza o princípio formulado na Ética, da virtude como justo meio entre os extremos. A propósito, escreve: “A melhor comunidade política é aquela que constitui a classe média[3] (...). O seu predomínio restabelece o equilíbrio da balança e impede a aparição dos excessos contrários”. Da análise histórica Aristóteles conclui que a melhor forma política, em cada caso, é aquela que melhor convém ao país e às necessidades dos cidadãos.

Em relação à questão da ordem interior do Estado, Aristóteles considera que é necessário preservar a família e a propriedade privada. Segundo Aristóteles, a família é ainda mais elementar que a aldeia e esta é mais primária que o Estado ou a pólis. A família deve ser privilegiada em tanto que base da ordem natural da sociedade[4], mesmo se o Estado joga um papel essencial na educação da juventude. Em relação à propriedade privada, Aristóteles considera que “a propriedade deve ser privada, mas o seu uso deve ser comum”.[5] Nestes aspectos, certamente, Aristóteles se distancia dos ensinamentos do seu mestre Platão.

No que tange à estrutura interna da sociedade, Aristóteles reconhece, além da escravatura, a desigualdade natural entre homens e mulheres. Tanto uma quanto outra constituem “condições naturais” da vida humana. Mas, entre os homens livres, deve reinar a igualdade.

Alexandre, o Grande (356-323 a. C.), Mosaico encontrado nas ruínas de Pompéia, Museu Arqueológico Nacional, Nápoles (Fonte: Wikipédia).



[1] Boécio era de família nobre e ocupou altos cargos na corte do rei ostrogodo Teodorico (454-526). Os estudiosos consideram Boécio como o último romano e o primeiro escolástico.
[2] Filósofo, médico e Papa com o nome de João XXI, nascido em Lisboa, foi conhecido na Idade Média com o nome de Pedro Hispano Portucalense.
[3] É interessante destacar que este conceito de classe média inspirou aqueles autores que, na modernidade, tentavam encontrar um caminho justo entre os extremos da aristocracia (que prevaleceu no Ancien Regime) e do populismo manipulado pelo déspota (que se tornou o caminho do bonapartismo, após a Revolução Francesa). Para os doutrinários franceses, François Guizot (1787-1874) à testa, o modelo social que contaria com plena estabilidade na França seria o presidido pela classe média, sendo as eleições mecanismos para depurar a média da opinião. Tal conceito entrou a formar parte do jargão político brasileiro, no discurso dos liberais gaúchos, sendo Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857-1938) um dos que adotaram tal terminologia.
[4] Este conceito de valorização da família como célula mater da sociedade, entrou a formar parte do arcabouço doutrinário dos pensadores escolásticos e foi adotado pela denominada Doutrina Social da Igreja Católica, que teve o Papa Leão XIII (1810-1903) como um dos seus principais formuladores.
[5] Este é um conceito básico da Doutrina Social da Igreja Católica e aparece em pensadores católicos de orientação liberal como Alexis de Tocqueville (1805-1859), que o utiliza com a denominação de “interesse bem compreendido”.

BIBLIOGRAFIA

ARISTOTE. Physique. (Tradução francesa e apresentação de Pierre Pellegrin). Paris: Flammarion, 2000.

ARISTÓTELES. Categorias. (Tradução de Silvestre Pinheiro Ferreira; apresentação e notas de Jesué Pinharanda Gomes), Lisboa: Guimarães, 1982. 

ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. 3ª edição. (Tradução, introdução e notas de Mário da Gama Kury). Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1992.
 . 
ARISTÓTELES. Moral a Nicómaco. 2ª edição. (Tradução de Patrício Azcárate; prólogo de Luis Castro Nogueira). Madrid: Espasa-Calpe, 1981. 

ARISTÓTELES. Organon. (Volumes I e II: Categorias e Periérmeneias; volume III: Analíticos Anteriores; volume IV: Analíticos Posteriores; volume V: Tópicos). (Tradução, prefácio e notas de Jesué Pinharanda Gomes). Lisboa: Guimarães, 1982/1987.

ARISTÓTELES. Política. (Tradução, introdução e notas de Mário da Gama Kury). Brasília: Instituto Nacional do Livro / Editora da Universidade de Brasília, 1985.

BARTHÉLEMY, J. J. Vida religiosa dos Gregos. (Tradução e notas de F. J. Cardoso Júnior). Lisboa: Editora Inquérito, 1940.

BOUTROUX, Émile. Aristóteles. (Tradução de Carlos Nougué; rev., intr. e notas de Olavo de Carvalho). Rio de Janeiro: Record, 2000.

BURCKHARDT, Jacob. Historia de la cultura griega. (Tradução do alemão ao espanhol por Eugenio Ímaz et alii). Barcelona: Iberia, 1975. 5 Volumes.

BURKARD, Franz-Peter. KUNZMANN, Peter. WIEDMANN, Franz. Atlas de la Philosophie. (Tradução francesa de Z. Housez e S. Robillard). Paris: Librairie Générale Française, 1993. 

CAEIRO, Francisco da Gama. COXITO, A. BRAZ TEIXEIRA, António. "Aristotelismo em Portugal". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, 1989, vol. 1, p.  433-454.

GOUGENHEIM, Sylvain. Aristote au Mont Saint-Michel - Les racines grecques de l´Europe chrétienne. Paris: SEUIL, 2008.

JAEGER, Werner. Aristóteles. (Tradução de José Gaos). México: Fondo de Cultura, 1992.

MANFREDI, Valerio Massimo. Akropolis - A grande epopeia de Atenas.(Tradução de Mário Fondelli). Rio de Janeiro: Rocco, 2001.

MORRALL, John B. Aristóteles. 2ª edição. (Tradução de Sérgio Duarte). Brasília: Editora da Universidade de Brasília,  1985.

PLUTARCO. Alexandre o Grande. (Tradução de Hélio Vega). Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

ROWE, Christopher. Introducción a la ética griega. (Traducción de F. González Aramburo). México: Fondo de Cultura Económica, 1993.

SILVA, Carlos. "Aristóteles". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, 1989, vol. 1, p. 354-408.

SILVA, Carlos. "Aristotelismo". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, 1989, vol. 1, p. 408-433.

PT - A DEMOCRACIA COMO VALOR MONETÁRIO - Texto de Mário Sabino de O Antagonista, 18/04/2016


Amigos, Gostei do texto de Mário Sabino de O Antagonista (18 de Abril de 2016), que transcrevo por se tratar de um quadro fiel do que se passa na cuca dos petralhas. A Democracia serve apenas para encher as burras. Eles sempre quiseram vender ao Brasil esse tipo de Democracia, como uma espécie de porta dos fundos do balcão de negócios que é a política na versão lulopetralha. Pequeno detalhe: o honrável público matou a charada e não cai mais na conversa do Lula. Excelente depoimento!


PT: A DEMOCRACIA COMO VALOR MONETÁRIO

Por Mário Sabino

Em 1990, eu passei por uma experiência curiosa e esclarecedora: editei a revista Teoria & Debate, do PT. Tinha 28 anos, estava desempregado e um amigo me convidou para esse trabalho. Eles não precisavam de um petista – jamais fui simpatizante do partido ou filiado –, mas de um jornalista que soubesse editar. Recém-casado, durango, aceitei o convite. 

Eu era um estranho no ninho, mas fui bem recebido. Tanto que continuei a editar a Teoria & Debate, na condição de freelancer, por mais algum tempo, mesmo depois de empregado na Istoé.
Eu lia aqueles artigos extensos, escritos numa língua próxima ao português, e procurava lhes dar alguma sintaxe na sua falta de sentido intrínseco e extrínseco. Eu dizia que não era possível que eles ainda acreditassem em "luta de classes" e minhas observações eram ouvidas com sorrisos condescendentes. Eu fazia piadas sobre a "redenção da classe operária" e eles riam. Eu colocava poesias de grandes autores na quarta capa e eles aceitavam.
Eles, no caso, eram o baixo clero da máquina do partido com quem eu lidava no cotidiano. Meu contato com o alto clero – os intelectuais petistas, integrantes do conselho editorial da revista – era esporádico. Vez por outra, havia uma reunião para definir a pauta e o meu papel era escutar calado o que discutiam.
Lembro que uma questão aparentemente não superada pelo PT naquele momento era se a democracia era um "valor estratégico" ou um "valor universal". Traduzindo: se aceitar as regras democráticas consistia apenas numa forma para chegar ao poder – e, em seguida, implodir a coisa toda, a fim de instituir a "ditadura do proletariado" –, ou se era possível revolucionar a sociedade dentro da moldura estabelecida institucionalmente pela "burguesia". O contexto mundial era o da recente queda do Muro de Berlim e o esfacelamento do que os petistas chamavam de "socialismo real" no Leste Europeu (uma distopia que queriam fazer renascer como utopia).
Passados quase trinta anos, constato que, para o PT, a democracia sempre foi um valor monetário.
Uma vez no poder, o PT tentou apodrecer a democracia para enriquecer ilicitamente a casta dirigente do partido.
Uma vez no poder, o PT tentou putrefazer a democracia para desgovernar o país por meio da compra de aliados circunstanciais.
Uma vez no poder, o PT tentou ulcerar a democracia para conquistar votos através da distribuição de migalhas a pobres desassistidos eternizados como pobres assistidos.
Em resumo, o PT raspou os bigodes stalinista e trotskista para tascar um bigodão sarneyzista no seu discurso socialista.

domingo, 17 de abril de 2016

O PATRIMONIALISMO E O INFERNO DE JEFFERSON (Publicado no Estado de S. Paulo, 16/04-2016)

Bartolomeu de Fruosino - Ilustração para o Mapa do Inferno de Dante Alighieri (1430).

Uma das primeiras obras da narrativa moderna é a Divina Comédia de Dante Alighieri. Nela, retomando o leitmotiv das obras medievais (o mundo do Além), numa perspectiva individual que antecipa os relatos de viagens da literatura do Iluminismo, o florentino conta a visita que o seu personagem central, ele mesmo, faz ao mundo do além, dividido segundo a imaginação cristã em três cenários: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Pela mão do seu guia, o poeta latino Virgílio, Dante percorre os sombrios corredores do Purgatório e os indescritíveis círculos do Inferno. E da mão da sua amada, Beatrice, visita as fulgurantes escadarias e caminhos floridos do Paraíso.

Destaca-se, na bela poesia de Dante, a perspectiva humana: os personagens que povoam o Mundo do além ocupam posições relacionadas ao papel que desempenharam em relação à cidade do narrador: a sua amada Florença. Para os amigos, o Céu; para os inimigos, o Inferno, com a incômoda companhia do diabo em pessoa! Perspectiva bem moderna, aliás. Para os amigos, leia-se: aqueles relacionados com a construção da Polis dos nossos sonhos, a eterna lembrança da bem-aventurança. Para os que conspiraram contra esse ideal cívico, o inferno do esquecimento!

Pois bem: Roberto Jefferson, o ex-presidente do PTB, condenado no Mensalão, sai do inferno da penitenciária, perdoado pela Justiça, e se reintegra ao mundo dos cidadãos. A entrevista que concedeu recentemente ao Estadão (01-04-2016) dá conta do que ele viu e a memória das trevas fá-lo lembrar daquilo que constitui a essência do Estado Patrimonial.

No clima escatológico que estamos vivendo, um fato salta à vista na citada entrevista. Nela, como numa revelação do que se passa nas entranhas do Estado Patrimonial brasileiro, o ex-parlamentar que assumirá novamente o seu cargo de Presidente do PTB, dá detalhes de como funciona o aparelho patrimonialista na alta política.

A fonte de financiamento das atividades do Estado Patrimonial são as estatais. Sem elas não haveria bala na agulha para os aliciadores de fidelidades caninas aos donos do poder. Frisa Jefferson: “(A Petrobrás) sempre foi a empresa elite dos partidos mais poderosos. As estatais no Brasil são o braço financeiro das corporações sindicais e partidos. Quem financia partido são as estatais. (...). A estatal é a semente da corrupção no Brasil. Partidos disputam cargos nas estatais pera seu financiamento. O que vão assaltar nos seis meses enquanto durar o processo de impeachment é uma loucura. Vai todo mundo querer fazer caixa, porque ela cai em seis meses. Cobra 100% de comissão aí!

Ora, a história moderna do Brasil mostra exatamente isso que Jefferson revela. Os processos modernizadores, desde o Estado getuliano até a contemporaneidade têm naufragado justamente por causa de que, potencializadas pela produção de riqueza que o setor privado garantiu, as lideranças políticas terminaram desviando o caminho do progresso, para garantirem uma ordem clientelística mantida às custas dos recursos que financiariam a definitiva entrada do Brasil na modernidade.

O Estado getuliano, pensado na rígida regra do estatismo castilhista, se louvando, de outro lado, da experiência modernizadora de Mussolini na Itália, terminou carregando mundos e fundos no financiamento dos sindicatos dependentes do Estado, pensados como esteios da nova ordem. Os partidos getulianos nasceram da visão corporativista que arregimentou os apoiadores do regime, identificados com os que mantinham a sociedade organizada ao redor dos sindicatos e dos empresários aglutinados em torno ao Estado, presidido pelo Executivo tecnocrático.

Clima semelhante terminou afetando o regime militar de 64, no final do ciclo, em meados dos anos 80 do século passado. A pesada estrutura sindical janguista, herdeira do getulismo, terminou sendo substituída pelo bipartidarismo artificial financiado pelas estatais que, de 90, no início do ciclo, pularam para 490 no final desse período. Esse estatismo levou o general Médici, em viagem presidencial ao Nordeste, a pronunciar a famosa frase: “Estado rico, país pobre”. 

Caem os panos da representação da ópera bufa em que se tornou a nossa República nestes tempos de lulopetismo cínico e o que vemos pela lente de Roberto Jefferson? Um panorama semelhante, justiça sendo feita ao passado, sem a lisura da maior parte dos militares no comando do navio, que terminaram remediados como entraram, descontados os espertalhões que se locupletaram ao redor das Estatais e da própria Petrobrás, bem como nas Secretarias chefiadas por técnicos militares, como a famosa Secretaria Especial de Informática, que vendeu cara a entrada das empresas ao mundo digital mediante licenças concedidas a preço de ouro. 

Na festa iconoclasta e de cinismo explícito a que estamos assistindo, o PT deixou claro para que veio: para se locupletar a partir das estatais, beneficiando aqueles que os apoiam e deixando na sombra do esquecimento (quando não do cemitério, como aconteceu com Celso Daniel), aqueles que ousaram colocar obstáculos de monta aos engenheiros da nova ordem que acabaria com a pobreza no Brasil.


A receita para o mal foi assinalada pelo próprio Roberto Jefferson na sua entrevista:  “Se queremos país moderno, vamos ter que fazer privatização, porque (ela) não vai permitir a concentração da corrupção”.

terça-feira, 12 de abril de 2016

PLATÃO (427-347 a.C.) E O REINO DAS IDEAS

Platão. Detalhe do afresco "A Escola de Atenas" (1509-1511), de Rafael Sanzio de Urbino, Stanza dellla Signatura, Museus Vaticanos, Roma (Foto: Wikipédia).


Platão nasceu em Atenas em 427 a.C. e ali morreu em 347 a.C. Filho de uma família da aristocracia ateniense, sofreu a influência de dois pensadores notadamente: Pitágoras de Samos (580-497 a.C.) e Sócrates (469-399 a.C.). Em 387 a.C., Platão fundou a Academia, que se constituiu, junto com a Biblioteca de Alexandria, numa das mais importantes iniciativas culturais do Mundo Antigo, tendo funcionado até 529 d.C., quando foi encerrada por ordem de Justiniano I. Convidado pelo rei Dionísio, passou um bom tempo em Siracusa, ensinando filosofia na corte.

Com a sua teoria das Idéias, Platão construiu um sistema que aproximava a filosofia pré-socrática das reflexões do seu mestre, Sócrates. Mas, em decorrência da abrangência e da profundidade que imprimiu ao seu sistema, Platão, por outro lado, formulou um pensamento com repercussões que nenhum outro filósofo conseguiu ter na História do Pensamento Ocidental. A respeito, Alfred North Whitehead (1861-1947) frisa: “Toda a filosofia ocidental não passa de notas de rodapé das páginas de Platão” [1].

Os aspectos básicos da Teoria das Idéias de Platão podem ser sintetizados nos seguintes 12 itens:

1 – É pressuposto, por Platão, um reino hipotético de essências imateriais, eternas e imutáveis que constitui o mundo das Ideias (Eidos) As Ideias são arquétipos da realidade e, de acordo com elas, são formados os objetos do mundo visível. A propósito, escreve Platão no seu diálogo Fédon, destacando que as Ideias constituem o paradigma do Ser e da Verdade: “(...). Assim, depois de haver tomado como base, em cada caso, a idéia, que é, a meu juízo, a mais sólida, tudo aquilo que lhe seja consoante eu o considero como sendo verdadeiro, quer se trate de uma causa ou de outra qualquer coisa, e aquilo que não lhe é consoante, eu o rejeito como erro” [2].

2 – As Ideias existem de forma objetiva, ou seja, independentemente do nosso pensamento. Em que pese o fato de serem independentes dele, podem por ele ser conhecidas. Em decorrência disso, a doutrina platônica foi caracterizada pelos estudiosos como um idealismo objetivo. O fato de que o nosso entendimento possa conhecer as Idéias, (ou seja, os arquétipos subsistentes do real, que existem fora de nós), faz com que Platão seja considerado pelos estudiosos como o fundador da perspectiva realista ou transcendente, ou seja, aquela que pressupõe que o entendimento humano tem acesso à coisa em si. Esta perspectiva contrapõe-se à transcendental, que parte do pressuposto de que o nosso entendimento somente pode ter acesso aos fenômenos (àquilo que aparece), não às coisas em si; esta perspectiva foi formulada e sistematizada, no século XVIII, por Hume e Kant [3].

3 – Platão, por outro lado, postula a teoria dos dois mundos. O primeiro é o mundo visível ou sensível, no qual se desenvolve a nossa existência e que está submetido à mudança e à degradação. O segundo é constituído pelo mundo inteligível (que fundamenta a essência do primeiro). É o mundo das Idéias imutáveis. Este é um mundo do tipo que os Eleatas encontravam como próprio do Ser: é o reino da permanência e da imutabilidade. No diálogo Fédon é clara a contraposição que Platão faz desses dois mundos, sendo que o de baixo, aquele em que habitamos, é caracterizado pela precariedade, ao passo que o de cima, o verdadeiro, é um mundo de luz e de perfeição.

4 – O mundo sensível está submetido ao mundo das Idéias, tanto do ponto de vista ético, quanto do ângulo ontológico. Ele só se estrutura por participação ou por imitação do mundo verdadeira e plenamente existente das Idéias. São esses processos que garantem a existência do mundo das coisas: elas existem, porque são participação e imitação das Idéias. Em relação a este ponto, escreve Platão no diálogo Parmênides, colocando em boca deste filósofo a teoria platônica da participação e da imitação: “(...) – Dize-me uma coisa: pelo que declaraste, admites a existência das idéias, das quais as coisas tiram os nomes, na medida em que delas participam, a saber: a participação da semelhança as deixa semelhantes, a da grandeza, grandes, e a da beleza e da justiça, justas e belas? – Perfeitamente, teria respondido Sócrates” [4] .

5 - Do ponto de vista da forma segundo a qual conhecemos as realidades essencial e aparente que acabam de ser mencionadas, Platão formula quatro tipos de conhecimento, sendo que dois pertencem ao mundo visível e dois são próprios do mundo que somente é acessível ao espírito. Os quatro tipos são estes:
  • Aquilo que é perceptível indiretamente (exemplo: as sombras e os reflexos dos espelhos).
  • Aquilo que é perceptível diretamente (exemplo: os objetos materiais e os seres vivos).
  • Aquilo que é conhecido pelas ciências (exemplo: a matemática, a qual, superando o suporte material – as figuras geométricas –, atinge um conhecimento intelectual como o relativo aos teoremas universais).
  • Aquilo que constitui o reino das Idéias e que é acessível à “razão pura”, que está na base de todas as representações intelectuais.

6 - Ponto central da doutrina platônica: a Idéia do Bem. Embora o Bem ocupasse um lugar de destaque no pensamento de Sócrates (como valor ético que deve inspirar ao cidadão), para Platão, no entanto, reveste-se de uma radicalidade maior: o Bem é o fim almejado e o começo de todo ser, tanto do ângulo gnosiológico, quanto do ponto de vista da ontologia. O Bem, segundo Platão, é o princípio radical de todas as Idéias e se situa acima delas. É nele que se fundam as Idéias de Ser e de Valor e, com elas, se instauram os fundamentos do mundo inteiro. O Bem cria a ordem, a medida e a unidade do mundo. A respeito, frisa O. Gignon: “Para Platão, a questão: por que o Bem? É uma pergunta que não faz sentido. Podemos indagar por aquilo que há para além do ser, mas não podemos perguntar acerca do que há a por trás do Bem” [5].

7 – O homem não pode ter acesso ao conhecimento do Ser, senão à luz do Bem. Essa luz é, para a razão humana, como o sol para os olhos. No entanto, é um sol que não somente ilumina, mas que também garante a presença dos objetos iluminados no Ser. Em A República, Platão afirma: “Podes estar seguro de que aquilo que comunica a verdade aos objetos cognoscíveis e ao espírito a faculdade de conhecer, é a Idéia do Bem (...)”.

8 – Sobre o pano de fundo metafísico e gnosiológico que acaba de ser exposto, Platão constrói a sua Física. O mundo da natureza é, segundo o filósofo no diálogo Timeu [6], constituído da seguinte forma: “O mundo material do devir é instaurado por um operário do mundo, um demiurgo, de forma ordenada e conforme à razão (teleologia), na medida em que ele o modela segundo o arquétipo das Idéias”. O mundo, assim, constitui uma ordem harmônica, o que em grego se traduz pelo termo Cosmos. A matéria prima na qual é concretizada a encarnação das Idéias é o receptáculo (déchoménon).

9 – Sobre as bases metafísicas e físicas que acabam de ser mencionadas, Platão elabora a sua Gnosiologia (ou Teoria do Conhecimento), inserindo os quatro tipos possíveis de conhecimento no contexto da teoria acerca das faculdades cognitivas da alma. Os tipos de conhecimento e as respectivas faculdades são os seguintes, a começar pelos que se ligam ao mundo material e seguindo até aqueles que o superam. O quadro a seguir sintetiza estas variáveis:

TIPOS DE CONHECIMENTO

I – Conhecimentos Visíveis, através de imagens (eikónes).

II- Conhecimentos de Totalidades Visíveis (fóa - hóla).

III – Conhecimentos Científicos Racionais, ou Invisíveis Inteligíveis inferiores (mathémata, noetá).

IV – Contemplação Intelectiva (eide).     

FACULDADES DA ALMA

I – Sensibilidade (aísthesis) e Imaginação (eikasía).

II – Opinião (dóxa) e Crença (pístis).

III – Razão (dianóia) equivalente da ratio, para os Latinos.

IV – Intelecção (nous, theoría), equivalente do intellectus, para os Latinos.

10 – A teoria de Platão acerca do homem insere-se no contexto de sua doutrina acerca do Conhecimento e do Ser, que foi sintetizada nos itens anteriores. Como se torna possível, aos homens, a Contemplação Intelectiva, mediante o pleno exercício da Intelecção? Esse tipo de conhecimento, o mais perfeito ao qual o homem pode aspirar, não procede dos níveis inferiores de apreensão da realidade (a partir do mundo sensível). Procede tal conhecimento intelectivo, no entanto, de uma reminiscência da alma da sua passagem ou da sua proveniência do Mundo Inteligível. Todo conhecimento intelectivo é, portanto, reminiscência ou anámnese. A alma do homem, segundo Platão, contemplou as Idéias numa existência anterior, mas as esqueceu depois da sua entrada no corpo. Nele, a alma vive encadeada.

A alegoria da caverna, que Platão apresenta na sua obra A República [7], ilustra essa situação da alma presa no corpo. Os homens são semelhantes a prisioneiros encadeados no fundo da caverna, não podendo ver nada do mundo real. Aquilo que eles tomam como a realidade são sombras de objetos fabricados cujas silhuetas uma fogueira projeta sobre a parede da caverna. A anámnese é representada mediante a visita que um dos prisioneiros faz ao mundo exterior, onde contempla os objetos naturais e o sol, tal como eles são na realidade. As sombras e os objetos na caverna correspondem à experiência sensível, ao mundo situado fora do inteligível. A força que conduz o homem em direção à região do Ser e do Bem é Eros. Ele acorda, em nós, o desejo de nos levantarmos até o conhecimento das idéias. No diálogo Banquete, Platão caracteriza Eros como a busca filosófica da beleza e do conhecimento. Ele estabelece, para os humanos, a ponte entre o mundo sensível e o inteligível. Platão denomina de dialética o método que conduz à descoberta do mundo das Idéias, sob o impulso de Eros. A dialética (ou a busca filosófica da Beleza e do Conhecimento) ocorre na relação do eu com os outros homens, na qual se concretiza o ato pedagógico (épimeléia) de procurar a verdade que diz relação aos humanos, superando o conhecimento do mundo físico.

Platão, certamente, herdou do seu mestre Pitágoras de Samos (580-497 a.C.), a concepção bipolar do homem, como cindido entre dois princípios irreconciliáveis, corpo (soma) e alma (psyché). É herança pitagórica, outrossim, a concepção segundo a qual a alma deve controlar o corpo. A alma, substância homogênea que se compara às Idéias imutáveis e eternas, justamente por essa sua característica elevada (que a coloca por cima da matéria), está habilitada para conhecer o mundo dos Arquétipos e é capaz de se movimentar por si própria. Platão afirma que a vida é característica essencial da alma, não podendo ela, em consequência, admitir a morte.

A alma, por sua vez, possui três partes: a razão (faculdade que é portadora da fagulha divina que os homens levam consigo), a coragem (a parte nobre) e os apetites (a parte inferior). A razão é simbolizada por Platão como o cocheiro que conduz o carro, sendo que a coragem é o cavalo que obedece e os apetites são simbolizados pelo cavalo rebelde. Três virtudes emergem, segundo o filósofo, dessas partes da alma: a sabedoria (da razão), a perseverança (da coragem) e a moderação (dos apetites controlados pela razão). No entanto, há uma virtude que, presente na alma, permite ao homem estabelecer um equilíbrio harmonioso entre as três virtudes mencionadas: ela é a justiça (dikaiosyne).

11 – A Política, para Platão, espelha a concepção antropológica que acaba de ser resumida. O Estado repete a estrutura do indivíduo. Platão deixa claro que entramos na ordem política, não por causa das nossas virtudes, mas em decorrência das carências que nos afetam. O Estado, para o filósofo, divide-se em três ordens[8]: a dominante, integrada pelos filósofos ou sábios (representantes da razão e os únicos que são aptos para buscar a maneira justa segundo a qual os cidadãos devem pautar a sua vida); em segundo lugar vem a ordem dos guerreiros (que são aqueles que constituem a parte sensível da alma, ou que representam a coragem) e a ordem dos produtores, que corresponde à parte sensível da alma (artesãos, comerciantes, camponeses que devem garantir os bens materiais de que a sociedade carece).

A educação deve ser conduzida rigorosamente pela Cidade-Estado, a fim de garantir o máximo de eficiência e racionalidade na sua defesa e na gestão dos assuntos públicos. A educação para a cidadania (paidéia) deve abarcar a vida toda dos cidadãos e contempla as seguintes quatro etapas: educação elementar pela música, a poética e a ginástica (até os 20 anos); educação científica, que abarca: matemáticas, astronomia e ciência da harmonia (deve durar 10 anos); iniciação à dialética ou filosofia (com duração de 5 anos); educação política (que consiste na prática da gestão do Estado e que deve durar 15 anos). Após todas essas etapas, o cidadão poderia escolher entre o acesso ao poder do Estado ou a Vida Contemplativa.

O filósofo cultuava um modelo de gestão total do Estado sobre os cidadãos, segundo o qual o Rei Filósofo e os seus colaboradores deveriam prever todos os aspectos da vida privada (concernentes às relações sexuais, à geração dos filhos, à religião e à educação de jovens e crianças). A idéia seria garantir a seleção dos melhores para a condução e a administração do Estado, bem como para a sua defesa. A célula mater da sociedade não seria, pois, a família, nem o clã, e passaria a ser o aparelho administrativo rigorosamente controlado pelo Rei-Filósofo. A constituição do Estado proposto por Platão seria, portanto, uma aristocracia, ou governo dos melhores. Na parte final da sua obra política (que é constituída pela obra intitulada As Leis, escrita na velhice), o pensador insistia menos no Rei-Filósofo e enfatizava o papel das leis (corretamente entendidas pelos cidadãos), na estruturação do regime ideal.

12 – Caminho pedagógico para a dialética: o diálogo. É através dele que os homens encontram os conceitos que representam as Idéias. Estas vão se revelando aos homens dialeticamente, sem recurso à representação das coisas do mundo sensível. O diálogo entre os humanos possibilita a análise e a síntese dos conceitos, bem como a formulação de hipóteses que são examinadas e, logo, aceitas ou rejeitadas. Os personagens presentes nos diálogos platônicos defendem, deliberadamente, posições opostas, com o objetivo de examinar as teses, à luz das suas antíteses. Dessa oposição emerge a verdade.

Sócrates é o personagem principal dos diálogos platônicos (uma evidente homenagem de Platão ao seu mestre). A interpretação dos diálogos insere-se numa dinâmica dialética do pensamento, como foi frisado pouco antes. A estrutura dialogal da sua obra possibilita ao pensador se esconder por trás da figura de algum dos interlocutores. A temática tratada nos 25 Diálogos considerados autênticos é variada: a questão da virtude (que é o ponto central dos diálogos de juventude), passando pela problemática do conhecimento (Menon e Teeteto, por exemplo), e chegando à política (A República, As Leis), bem como à filosofia da natureza (Timeu).

A forma literária dos diálogos platônicos, certamente, é um instrumento em mãos do pensador para realizar a ponte entre mito e lógos. No pensamento do filósofo, a estrutura da realidade alicerçada no Sumo Bem e nos Arquétipos nele subsistentes, ocupa o lugar da antiga teomaquia (ou combate entre os deuses, que teria dado origem ao Cosmo). O diálogo equivale, no pensamento platônico, ao rito, na estrutura mítica.

Bibliografia


BARROS, Gilda Naécia Maciel de. Platão, Rousseau e o Estado total. São Paulo: TAQ, 1995. 

CATHCART, Thomas & KLEIN, Daniel. Platão e um ornitorrinco entram num bar.  - A Filosofia explicada com senso de humor. (Tradução de José Rubens Siqueira). Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

DROZ, Geneviève. Os mitos platônicos. (Tradução de Mª Auxiliadora Ribeiro Kneipp). Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1997.

GAMA CAEIRO, Francisco da. "Platonismo em Portugal". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, vol. 4, 1992, pg. 267/270.

KUNZMAN - BURKARD - WIEDMANN. Atlas de la Philosophie, (trad. francesa de Desanti, Droit et alii), Paris:  Librairie Genérale Française, 1993.

PAIM, Antônio. Roteiro para o estudo da Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant. Juiz de Fora: UFJF - Curso de Mestrado em Filosofia, 1984, p. 2, (mimeo.).


PEREIRA, M. H. Rocha. "Academia Platônica". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, vol. 1, 1989, pg. 46/47.


PEREIRA, P. A. T. da Silva. "Pitagóricos". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, vol. 4, 1992, pg. 


PEREIRA, P. A. T. da Silva. "Pitagorismo". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, vol. 4, 1992, pg. 172/179.



PLATÃO, Diálogos. (Tradução e notas de J. Paleikat e J. Cruz Costa; seleção de textos de J. A. Motta Peçanha). 4ª edição. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

PLATÃO. Diálogos – Volume VIII Parmênides – Filebo(Tradução de Carlos Alberto Nunes). Belém: Universidade Federal do Pará, 1974.



PLATÃO. L´État ou la République. (Tradução francesa de A. Bastien). Paris: Garnier, s/d.


SILVA, Carlos. "Platão". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, vol. 4, 1992, pg. 179/238.

SILVA, Carlos. "Platonismo". Logos, Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa / São Paulo: Editorial Verbo, vol. 4, 1992, pg.  267/270.

SOUSA, Eudoro de. História e mito. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1981.


[1] Cit. por Kunzman – Burkard – Wiedmann, in: Atlas de la Philosophie, trad. francesa de Desanti, Droit et alii, Paris:  Librairie Genérale Française, 1993, p. 39
[2] PLATÃO, Diálogos. (Tradução e notas de J. Paleikat e J. Cruz Costa; seleção de textos de J. A. Motta Peçanha). 4ª edição. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 106.
[3] Cf. PAIM, Antônio. Roteiro para o estudo da Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant. Juiz de Fora: UFJF - Curso de Mestrado em Filosofia, 1984, p. 2, (mimeo.).
[4] PLATÃO. Diálogos – Volume VIII Parmênides – Filebo. (Tradução de Carlos Alberto Nunes). Belém: Universidade Federal do Pará, 1974, p. 26-27. Coleção Amazônica – Série Farias Brito.
[5] Cit. por Kunzman – Burkard – Wiedmann. Atlas de la philosophie, ob. cit., p. 39.
[6] Cit. por Kunzman – Burkard – Wiedmann. Atlas de la philosophie, ob. cit., p. 39.
[7] PLATÃO. L´État ou la République. (Tradução francesa de A. Bastien). Paris: Garnier, s/d, p. 271-275.
[8] PLATÃO. L´État ou la République. (Tradução francesa de A. Bastien). Paris: Garnier, s/d, p. 86 seg.