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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ESTADO PATRIMONIAL CARO: 3 TRILHÕES DE REAIS!


A Secretaria do Tesouro Nacional divulgou recentemente o tamanho da dívida pública brasileira: 3 trilhões de reais! É o preço que pagamos pelo funcionamento paquidérmico e ineficiente do Estado, cada vez mais a serviço de uma oligarquia política.

Pode ser freada essa sangria escatológica que compromete a qualidade de vida dos brasileiros? Digamos que um pequeno passo inicial foi dado com a aprovação, em segunda votação, pela Câmara dos Deputados,  da PEC 241, que estabelece um teto para o gasto público ao longo dos próximos 20 anos. A PEC vai agora ao Senado, para ser discutida e votada ali. Esperamos que o trâmite não seja obstaculizado pelas rixas entre o presidente da Câmara Alta e o Supremo, de um lado, e pelo mal-estar existente entre o senador Calheiros e o ministro da Justiça, em relação às ações da Polícia Federal face à tentativa da polícia legislativa de obstaculizar investigações autorizadas pela Justiça contra alguns parlamentares.

Essa rixa, diga-se de passagem, é motivada pelo medo do senador Calheiros de ser enquadrado também pela Operação  Lava-Jato, após a prisão, a mando do juiz federal Sérgio Moro, do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Se este foi para o xilindró, não há motivo para não pensar que, num futuro próximo, Calheiros não seja enquadrado também em algum dos crimes de que é acusado perante o Supremo Tribunal Federal. O chilique seria apenas jogo de cena do atual presidente do Senado, a fim de mostrar a sua força e afastar a possibilidade de entrar na fila dos que prestarão contas à Justiça. Mas, pelo andar da carruagem da reação da sociedade, que dá pleno apoio aos Procuradores e Juízes da Lava-Jato, acho que a performance de Calheiros é inútil. Como se diz em linguagem popular, "a batata dele está assando".

Em relação às críticas que a PEC 241 vem recebendo, no sentido de  que comprometerá, nos próximos anos, as verbas destinadas à saúde e à educação, o secretário de acompanhamento econômico da Fazenda, Mansueto Almeida, deu alguns esclarecimentos importantes em artigo publicado na revista Valor Econômico (em 14 de outubro de 2016). A respeito, escreveu: "As despesas federais não serão congeladas por 20 anos e muito menos as despesas com saúde e educação. Despesas com saúde e educação estão protegidas e, com a volta do equilíbrio fiscal, despesas programadas serão efetivamente pagas, ao contrário do que ocorreu com a despesa com saúde de 2011 a 2015 [nos governos da Dilma Rousseff]. Mas se não fizermos o ajuste fiscal, o baixo crescimento continuará e o Tesouro Nacional não terá recursos para pagar nem as despesas sociais e nem os seus credores".

Em outro trecho bastante esclarecedor do seu artigo, Mansueto Almeida escreve:  "Não há corte nominal de despesa primária do governo federal. A economia virá ao longo do tempo à medida que o crescimento da economia reduza a relação da despesa primária como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB). Pela regra da PEC 241, no final de dez anos, a despesa primária será reduzida em cerca de 5 pontos do PIB e, assim, a depender da recuperação da receita, o déficit primário atual de 2,7% do PIB (R$ 170,5 bilhões) poderá se [converter] num superávit primário acima de 3 pontos do PIB". 

A onda de ocupações de escolas com que as viúvas do PT (representadas pelos partidos da esquerda ululante, a começar pelo PSOL) protestam contra o projeto de controle dos gastos públicos é explicável: a esquerda retardatária é contra perder as boquinhas conquistadas ao longo do ciclo lulopetralha. Mas os preguiçosos militantes não perdem por esperar: não somente se saíram mal nas eleições municipais, como também amargarão, nos próximos 20 anos, o fechamento dos cofres públicos, que tão generosos foram com eles nos dois desgovernos petistas.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

SAINDO DO ATOLEIRO PATRIMONIALISTA

Temer na capa do Financial Times: o Brasil se torna atrativo aos olhos dos investidores.

O Brasil está dando passos importantes em direção a se ver livre do atoleiro financeiro do Patrimonialismo. É simples: o financiamento da máquina pública cresceu demais e se converteu num peso impossível de ser sustentado pelo contribuinte. Ou cortamos o gasto público descontrolado ou naufragamos. O triunfo esmagador do governo Temer na votação da Proposta de Emenda Constitucional 241, na sessão da Câmara dos Deputados na madrugada desta terça-feira, 11 de outubro, foi muito significativo. A sociedade brasileira pressiona de forma eficaz o Congresso para que aprove as medidas necessárias. Faltam, ainda, a segunda votação na Câmara da PEC 241 (no próximo dia 24) e as duas votações no Senado. Mas o Congresso já sinalizou que quer as reformas. 

De nada adiantaram as tentativas da esquerda troglodita em prol de manter as coisas como estavam. De nada adiantaram as pressões de setores da burocracia estatal, como as efetivadas pela Procuradoria Geral da República, no sentido de manter os gastos desregrados do Estado para pagar a cúpula que já ganha muito mais do que o mercado de trabalho paga a executivos de alto nível. O Próprio Supremo Tribunal Federal reconheceu a legitimidade da discussão deflagrada pelo governo Temer, em relação à limitação dos gastos públicos. 

O deputado federal Darcísio Perondi, relator do projeto da PEC 241, frisou: "Esse resultado mostra que a base está pronta para mudar este país". O porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, destacou que a votação põe de manifesto o "compromisso do Congresso com a recuperação do reequilíbrio fiscal e de resgate da responsabilidade do Orçamento público". Já o ministro das cidades, Bruno Araújo, frisou que a votação colocou de manifesto a "musculatura" do governo para empreender as reformas. Ora, bolas, a adoção do teto dos gastos públicos pelos próximos 20 anos é uma medida necessária para a sobrevivência do país. Sem ela, o Brasil quebra irremediavelmente. Tão simples quanto isso!

Sob os governos petistas os gastos públicos dispararam. Como lembrava o jornal O Estado de São Paulo na edição do domingo 9 de outubro, ("Batalha contra os privilégios", pg. A1), o número de funcionários públicos no Brasil ultrapassou todos os limites. Pesquisa efetivada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas mostrou que o número de servidores passou de 5,8 milhões (em 2001) para perto de 9 milhões (em 2014), nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) e nos três poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário). Em 13 anos, as despesas com pessoal pularam de R$ 171,6 bilhões para R$ 390,2 bilhões. Um buraco sem fundo no Orçamento do país. Se as coisas continuam no mesmo ritmo de estatização, viramos uma Venezuela! 

Felizmente parece que os nossos congressistas, como representantes da vontade popular, decidiram comprar os motivos da briga da sociedade em prol de um Estado menos caro e a serviço de todos os brasileiros, não apenas da burocracia oficial! É um primeiro passo alvissareiro que revela a vontade de sair do Patrimonialismo.