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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

NOVA LUZ APÓS AS TORMENTAS DESTE VERÃO

"Evening Mood", tela da artista plástica colombo-canadense Janeth Rodríguez. (Foto: arquivo pessoal).


Transcorrem os dias deste chuvoso Dezembro como as águas turvas e destrutoras dos rios de lama que sepultaram a vida entre as minas de ferro de Mariana e o mar capixaba. Essa é a melhor imagem do Brasil de hoje. Tudo parece conduzir a oceanos enlameados dos quais dificilmente sairemos vivos. Os autores da destruição foram, além da uma mineradora internacional, principalmente a Samarco e a Vale, duas empresas geridas pelos Fundos de Pensão em poder dos petralhas. Mas não afundaremos por dois motivos: o Brasil é muito grande, maior do que a cupidez de Lula e seguidores. E os brasileiros lutam para sobreviver. No entanto, a travessia é perigosa “como nunca dantes na nossa história” (para repetir a frase berrada infinitas vezes nos palanques lulistas). Nunca foi iludida de forma tão perversa a opinião pública. Nunca se roubou tanto. Jamais houve tamanha desfaçatez da parte dos responsáveis pela tragédia. A incompetência galgou patamares escatológicos.

Na origem de crise devemos identificar, primeiro, o espírito que a anima: o endeusamento dos donos do poder, convencidos de que, porque eleitos pela maioria dos brasileiros, podiam tudo para permanecer indefinidamente à testa do Estado. Essa ética totalitária que inspirou a aventura lulopetralha tem pai conhecido: o “messianismo político” presente, como perversa semente, no Contrato social do pai do totalitarismo hodierno, Jean-Jacques Rousseau.

Era simples e transparente, como jingle de marqueteiro lulista, o arrazoado de Rousseau, que poderia ter sido militante petralha (dadas as contradições internas entre o que ele pensava e o que fazia, bem como a absoluta falta de limites para imaginar o poder). No oitavo capítulo do opúsculo famoso, o filósofo considerava que se devia organizar o governo a partir de uma lista de mandamentos claros, que dariam ensejo à nova religião civil. Eis o princípio inspirador da mesma: “A felicidade geral da Nação decorre da unanimidade do corpo político”. Logo: pau na dissidência, a fim de conseguir a condição sine qua non da felicidade coletiva: a unanimidade. Banida a dissidência mediante o terrorismo de Estado, nasceria o homem novo, sem interesses individuais a defender, totalmente identificado com o interesse público. Essa seria a moral que daria ensejo ao novo reino da virtude. O “comitê da salvação pública” encarregado de fazer a faxina ética passou a receber vários nomes, ao longo da História, de acordo aos espertalhões de plantão que, nas várias épocas, se apropriaram da filosofia roussoísta, fossem eles jacobinos, socialistas, bolcheviques, maoístas, fascistas, nazistas, comunistas, bolivarianos, lulopetralhas....

Identificado o princípio inspirador das desgraças totalitárias dos séculos 20 e 21, presente nas trapaças lulopetistas, passemos ao julgamento que a opinião pública brasileira faz das desgraças que nos afligem. Não há dúvida de que Dilma Roussef e o seu partido são responsáveis pelas calamidades que afetam a economia do nosso país. As “pedaladas fiscais” com que o governo tentou financiar a sua ação deletéria são hoje incontestáveis. E elas constituem crime de responsabilidade. O Impeachment tem base legal. Não é golpe de Estado, como denunciam Lula et caterva.

Já não bastasse o processo instaurado no Congresso, o Tribunal Superior Eleitoral coloca também sobre o tapete da ilegalidade a eleição que guindou Dilma novamente ao poder em Outubro de 2014. Além das “pedaladas” para turbinar as contas públicas fajutas, os petralhas teriam usado dinheiros escusos na campanha. Essa acusação, se não conduzir diretamente à cassação do mandato da atual Presidente, ajudará, no entanto, a reforçar o julgamento em favor do Impeachment. Como o fluxo e refluxo da maré, os eventos dos próximos meses estarão pautados pelas idas e vindas, nesse vaivém típico dos processos políticos. É difícil prever por quais atalhos se canalizará o atual julgamento. O único que pode ser vislumbrado é o resultado da ação: o fim de um ciclo de messianismo político e de irresponsabilidade.

A tarefa de reconstrução deverá estar presidida pela idéia de responsabilidade em face do Brasil que legaremos aos nossos filhos e netos. Devemos pensar em termos de consenso nacional entre as várias forças que rejeitam a proposta totalitária. Ora, há setores que não se identificam com a monocórdia proposta lulopetralha. Segmento importante do PMDB já desembarca do Titanic que afunda. Esse grupo quer algo mais do que salvar a própria pele do naufrágio iminente: tenta pensar o Brasil do dia seguinte com o documento “Uma ponte para o futuro” que, do ângulo econômico, propõe uma volta ao bom senso que controla o gasto público e abre as portas para o investimento privado.

Em segundo lugar, temos os agentes identificados com o Ministério Público Federal e a Magistratura, que conduzem a operação Lava-Jato, com as dez propostas de gestão ética do Estado apresentadas à sociedade brasileira há alguns meses. É uma tentativa de gerir a máquina pública sob o primado do princípio da transparência, que foi deixado de lado por Dilma e Lula nestes treze anos de desgoverno.

Em terceiro lugar, temos a proposta do ex-presidente FHC, resumida em artigo recente, escrito com anterioridade à apresentação do pedido de Impeachment. A respeito, Fernando Henrique frisava: “(...) Precisamos promover a coesão nacional, incluindo todos os dispostos a fazer as mudanças necessárias. Primeiro, no sistema partidário-eleitoral. Segundo, nas contas públicas, inclusive da Previdência. Terceiro, na burocracia, para fazer valer a impessoalidade e o profissionalismo, eliminando o sectarismo ideológico e a incompetência (...) com uma condicionante geral: nada a preço de silenciar a Justiça e entorpecer a Lava Jato e outra investigações em curso”. 

Em quarto lugar, temos o programa de campanha de Aécio Neves, que se identifica com os pontos essenciais das propostas mencionadas. Deposta Dilma pelo Impeachment, certamente a plataforma de Aécio ganhará força como proposta unificadora e, na eventualidade de novas eleições presidenciais, será uma das propostas que contam com maior força par sair vitoriosa.

Em quinto lugar, last but not least, temos a nova geração de internautas que, pelas redes sociais, fazem valer a sua proposta de defesa da liberdade, como ponto central das suas preocupações. Refiro-me, aqui, ao milhares de jovens que, pelo Brasil afora, defendem em blogs e portais os seus pontos de vista nitidamente liberais e conservadores. Posso mencionar alguns, mas certamente há muitos mais: Instituto Mises, Instituto Liberal, Ética e Economia Personalista, Movimento Brasil Livre, Unidos pela Liberdade, etc.

Comentando recentemente matéria de Reinaldo Azevedo sobre o Movimento liderado por Kim Katiguiri e Fernando Holiday, escrevi no Facebook: “O discurso da nova turma do Movimento Brasil Livre dá nó na cuca da petralhada. Questionar a ordem estabelecida, pensam os petralhas, é propriedade privada deles. Como é que um pobre, negro e gay decide questionar e, ainda, em nome do pensamento liberal? Essa nova turma foge das bolsas lulopetralhas, não quer saber de tutorias esquerdopatas e, com coragem como Dom Quixote, enfrenta de peito aberto os moinhos de vento da propaganda da esquerda burra brasileira!

É a partir dessa força nova presente em todas estas iniciativas liberais e conservadoras, que irá ressurgir, renovado, o rosto do Brasil livre, que deverá se manifestar depois destas névoas de incertezas e temores. É para essas novas gerações que escrevo, fundamentalmente. O clássico pensamento liberal, notadamente o de Tocqueville, tem muito a dizer para esse universo. E à tarefa de dar subsídios a esses jovens dedico a minha vida intelectual.


 As passeatas que se espraiaram pelas cidades brasileiras no domingo 13, pedindo novamente o Impeachment da Dilma e o fim da era lulopetralha, reforçaram as expectativas da sociedade em prol de uma rápida mudança política. Esperamos que o bom senso prevaleça, para o bem do Brasil, nas cabeças dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, bem como no critério de deputados e senadores, nas lutas que serão travadas no decorrer dos próximos meses, a fim de colocar as instituições republicanas no contexto do que a Nação deseja, não no caminho estreito dos interesses de minorias corruptas. Chega de “pedaladas legais”, como a do ministro Fachin, que só fazem o desserviço de reforçar a turma lulopetralha, na sua tentativa de continuar enganando aos brasileiros!

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