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terça-feira, 24 de agosto de 2010

ABERRACIONES A LA LUZ DEL FORO DE SÃO PAULO

Las FARC tienen la desfachatez de solicitarle al gobierno colombiano utilizar los servicios de UNASUL para negociar un acuerdo de paz, después de no haberle dado garantías a la nueva administración presidida por Juan Manuel Santos, de que dejarán de practicar el terrorismo. Tiene toda la razón el vicepresidente Garzón, al rechazar esa farsa. 

Ni las FARC ni UNASUL tienen autoridad moral para negociar una salida pacífica al conflicto. Las FARC no la tienen, pues no han dado pruebas convincentes de que desean abandonar el terrorismo (una prueba sería libertar incondicionalmente a todos los secuestrados en su poder). En cuanto a UNASUL, todo el mundo sabe que se trata de una organización comandada por el Foro de São Paulo, al servicio de la resurrección ectoplasmática del cadáver del comunismo en América Latina. La reciente reunión del Foro de São Paulo en Buenos Aires fué una prueba adicional de la orientación de ese colegiado, que se mantiene agarrado a la más retardataria visión de mundo, inspirada aún por el marxismo-leninismo. 

Es pena que el Brasil continúe vinculado a ese mostrengo. Constituye un riesgo, sin lugar a dudas, para la democracia en nuestro continente, el que la candidata del presidente Lula para las próximas elecciones no haya dado pruebas de que se distancia del Foro de São Paulo. Muy por el contrario: uno de los cerebros de la campaña de Dilma Roussef es un conocido marxista-leninista, defensor de lo que hay de peor en materia de regímenes contrarios a los derechos humanos, el señor Marco Aurélio García. Como la opinión pública brasileña rechazó con coraje las propuestas totalitarias del Programa Nacional de Derechos Humanos presentadas por el gobierno Lula, en Diciembre pasado, los estrategistas del PT optaran, como se dice, por "tomarse la sopa por la orillita", presentando al Foro de São Paulo, como propuesta para orientar a los gobiernos de la región, los items principales de esa aberración jurídica, uno de los cuales consiste en la estatización de la prensa, acabando con la libertad de información. La propuesta, como todo el mundo sabe, fué aprobada, con aplausos a Chávez, a la dictadura de los hermanos Castro y a los avances en los índices  de intención de voto favorables a la candidata de Lula. Así las cosas, si Dilma es elegida en Octubre, el Brasil correrá el riesgo de cerrar definitivamente las puertas para su ingreso en el primer mundo, como es la pretensión de los actuales líderes brasileños.  La primera medida será, ciertamente, el cierre de la prensa libre en el Brasil, muy probablemente bajo las órdenes del futuro ministro de las comunicaciones del PT, el exguerrillero Franklin Martins, que de ex no tiene nada, llevándose en consideración el hecho de que él es, aún, un estalinista de tiempo completo. El Brasil, desgraciadamente, continuará siendo el eterno "país del futuro", que optó, en estos momentos, por una versión aún más atrasada de patrimonialismo, la inspirada en el comunismo cubano. Eso si el actual candidato de las oposiciones, el exministro y exgobernador de São Paulo, José Serra, del Partido de la Socialdemocracia Brasileña (PSDB) no toma la sartén por el mango y decide, en la recta final de esta modorrenta campaña, atacar directamente a Lula y a su política de aberraciones populistas. Es lo que la opinión pública brasileña espera.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CHAVISMO TUPINIQUIM - Por: César Maia



 Chávez e Lula em criativas charges publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo


 Foi brilhante a análise do fenômeno do "chavismo tupiniquim" realizada por César Maia no jornal Folha de São Paulo do dia 14 de Agosto de 2010. O artigo foi resumido no Ex-Blog do mesmo autor em 18 de Agosto. Reproduzo aqui essa importante matéria, que põe de relevo o que talvez seja o pior vício do modelito patrimonialista do Lula: o cinismo com que passa por cima da legislação e das instituições. Esse vício, aliás, está acompanhado de uma falha grave de parte dos outros Poderes Públicos (Legislativo e Judiciário): a tremenda pussilanimidade que ostentam em face do trator lulista. Todo mundo morre de medo de desagradar o "Dono do Poder". Até a campanha oposicionista é bem comportada demais, não colocando o dedo na ferida da cínica hipertrofia do Executivo, nesta quadra da nossa história. Salva-se dessa crítica, com louvor, o jovem candidato a vice de José Serra, o deputado Índio da Costa, que não tem medo de nomear as coisas como são, nos mornos debates desta campanha que mata de tédio os contribuintes brasileiros, que pagam do seu bolso a propaganda eleitoral. 

Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP deste sábado (14).

1. O populismo autoritário na América Latina tem como expressão maior o presidente Chávez da Venezuela. Seu discípulo mais obediente é o presidente Morales da Bolívia. Em outros países inscritos na rede -dita- bolivariana, o Poder Legislativo procura reagir e evitar que a democracia seja totalmente pisoteada. O Brasil é um caso perigosamente intermediário. As tentativas sub-reptícias quando descobertas produzem recuos cínicos do tipo "não era essa a intenção", "não havia lido".

2. São quatro os vetores onde se testa a blindagem da sociedade e do Congresso. O primeiro trata de valores, quanto à vida, a família e as drogas, surpreendidos num tal Plano Nacional de Direitos Humanos. O segundo aponta contra a liberdade de imprensa. O terceiro se direciona às instituições políticas, e a proposta de uma constituinte exclusiva para a reforma política é o caso mais flagrante.

3. O quarto é o mais comum. O presidente atropela o Congresso Nacional assinando tratados, convênios e contratos internacionais. Na semana passada ele declarou que havia assinado, em sua passagem de horas por Caracas a caminho de Bogotá, 28 acordos de cooperação em diversas áreas. Um mês antes assinou com Cuba linhas de crédito de US$ 1 bilhão. Um pouco mais atrás avançou com Bolívia e Paraguai revisões dos contratos do gás e Itaipu. Tem perdoado dividas a bel-prazer e justifica pela pobreza dos países beneficiados.

4. Não se trata de mérito, mas de restrições constitucionais que não dão ao presidente liberdade para decidir sem aprovação do Congresso. Se o Senado for ao STF questionar invasão de competência, esses acordos se tornam inválidos. A Constituição diz em seu artigo 49: "É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional". Em seu artigo 52, ela diz: "Compete privativamente ao Senado Federal: (...) IV- designar os embaixadores. V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados (...) e dos municípios".

5. A bem da verdade, o Senado tem sido omisso. Nas sabatinas com embaixadores, estes têm o tempo de cinco minutos para suas exposições e o rito de escolha é sumário. Não é sem razão que outro dia o presidente afirmou que para ele um senador vale três governadores. Assim explicou os acordos que reduziram à metade os candidatos de seu partido a governador, em relação a 2006.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A ENGENHARIA POLÍTICA DA DISTENSÃO ENTRE COLÔMBIA E VENEZUELA

Reunião dos presidentes Chávez, da Venezuela, e Juan Manuel Santos, da Colômbia, em Santa Marta, Agosto de 2010.
Enganam-se os que acham que Santos rompeu com Uribe. A política colombiana é muito mais sofisticada do que o povaréu imagina. Uribe fez o trabalho sujo para Santos. Este, novinho em folha, reata com a Venezuela. Mas, se por ventura o aventureiro Chávez não cumprir o que prometeu, já repousam, no Tribunal Internacional de Haia, as provas daquilo que o chanceler de Uribe mostrou recentemente na OEA: Chávez albergou com generosidade os terroristas das FARC. Como dizia um jornalista americano, Uribe encenou, com o malandro, o papel do mau policial, aquele que bate em bandido. Coube a Santos, na estretégia colombiana, encenar o papel do policial bonzinho. Ou cumpre Chávez o que prometeu, e o bom policial continuará a afagá-lo, ou descumpre, e então o papel do mau policial será repassado ao Tribunal Internacional de Haia, que julgará o boquirroto de Caracas como alguém que descumpre as normas mínimas do direito internacional, ao albergar terroristas. Vamos ver em que dá tudo isso. Política colombiana não é fácil: é algo assim como as maquinações da política mineira. O que hoje é encenado e noticiado, já foi combinado previamente pelos atores atrás do palco.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

OS DOIS MANDATOS DE URIBE VÉLEZ NA COLÔMBIA

Fazer o balanço dos dois mandatos do presidente Álvaro Uribe Vélez é importante, pois a Colômbia, literalmente, deu a volta por cima. Ele encontrou um país balcanizado, em que o Estado somente exercia a soberania na parte central, onde fica a capital, Bogotá, sendo que nos extremos norte e sul dominavam grupos armados à margem da lei: no norte, as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e, no sul, as FARC. Estas, aliás, tinham conseguido se infiltrar nas duas outras áreas de influência diferentes daquela em que eram fortes. Em 2002, a guerrilha estava presente em 60% dos municípios, infernizando a vida dos 40 milhões de colombianos.

As FARC tentaram esgarçar o tecido social mediante a luta de classes, bem à maneira apregoada por Marx e Lenine, a fim de aniquilar as instituições do “Estado burguês”. Luta de ricos contra pobres, de negros contra brancos, de camponeses contra habitantes das cidades. Algo que os nossos gramscianos pretendem levar adiante, com as suas esdrúxulas políticas racistas. Ora, a grande façanha de Uribe e dos seus colaboradores consistiu em desmontar, com paciência e bom senso, essa perversa maquinaria de desagregação social, partindo justamente para uma agressiva política de integração, em duas frentes: nacional e municipal.

No plano nacional, foi elaborada detalhada estratégia para garantir a presença do Estado em todos os municípios, começando pelos situados na periferia do país, os mais castigados pela guerrilha e pelos paramilitares. Ao longo dos dois mandatos de Uribe, a Polícia, as Forças Armadas, bem como os gestores dos programas de integração social tornaram-se presentes em todos os municípios. A peça-chave dos programas sociais foi o da “bolsa família”, inspirado no exemplo brasileiro. Mas com cobrança de resultados para os beneficiários, que eram monitorados mensalmente, em grupos de 100 famílias, pelos funcionários da Secretaria da Ação Social da Presidência da República. Se uma família deixasse de cumprir com as obrigações a que se comprometeu para receber o benefício (crianças na escola, a primeira), saía do programa. Isso produziu resultados concretos: o índice de pobreza caiu, de 53,7% (em 2002) para 45,5% (em 2009). O índice de indigência também diminuiu: passou de 19,7% (em 2002) para 16,4% (em 2009). Outros índices sociais melhoraram: a taxa de desemprego passou de 15,8% (em 2002) para 12,1% em (2010); o crescimento do PIB aumentou, de modestos 2,5% (em 2002) para 4,4% (em 2010); o salário mínimo passou de um valor equivalente a 296 reais (em 2002) para 493 reais (em 2010). E foi reduzida pela metade a produção de cocaína, que diminuiu de 640 toneladas (em 2006) para 390 (em 2010), deixando o primeiro lugar na produção desse narcótico para o Peru. Consolidou-se, assim, a política de “segurança democrática” que teve, no reaparelhamento e profissionalização das Forças Armadas e da Polícia Nacional, o seu item central. Hoje a Colômbia possui o exército melhor treinado e aparelhado em luta real, nas Américas, depois do norte-americano.

No plano municipal, Uribe inovou na forma de governar: passou a gerir o Estado a partir dos municípios mais remotos, justamente os que tinham sido afetados de forma violenta pelas FARC e os Paramilitares. Cada semana o mandatário deslocava-se por três ou quatro cidades do interior, realizando, em cada uma delas, “conselhos de governo” que visavam a equacionar, de forma rápida, os mais prementes problemas sociais e de segurança. Uribe arrebatou dos grupos de esquerda a idéia do “governo participativo”, mostrando que era possível conciliar gestão nacional com atendimento aos problemas municipais, sem desvirtuar a representação política. Daí a grande popularidade (que passou dos 80% de aprovação) com que o mandatário terminou o seu governo. Nas cidades maiores, essa ação de presença do Estado correu por conta dos prefeitos que desenvolveram políticas sociais impactantes, como os “parques-biblioteca”, em Bogotá e Medellín, além do equacionamento da segurança. Prefeitos como Sérgio Fajardo (em Medellín) e Antanas Mockus (em Bogotá) fizeram o dever de casa, com decidido apoio do governo central.

O novo presidente, Juan Manuel Santos, um político com perfil tecnocrático, de 58 anos, que teve nas eleições presidenciais 9 milhões de votos, encontra um país saneado social e economicamente. Segundo destacou no seu programa de governo, dará continuidade à política de “segurança democrática”, enfatizando o respeito aos direitos humanos. E acelerará os mecanismos para tornar a economia colombiana ainda mais competitiva e aberta ao mundo (com os tratados já aprovados de livre comércio com o Canadá, a Comunidade Européia e o mercado comum centro-americano) e com a definitiva aprovação do tratado de livre comércio com os Estados Unidos. Santos, hábil negociador, insiste em que a Colômbia deve dialogar com todos os países, inclusive com a Venezuela. O seu gabinete é de tendência tecnocrática, mas afinado com os princípios políticos por ele defendidos, e abarca ampla gama de partidos que se coligaram na sua eleição, incluindo o Conservador, o Liberal, o Câmbio Radical, além do seu próprio partido da União Nacional.

Os seguintes princípios de ética pública pautam o governo que começa: a transparência, a tolerância zero com a corrupção, a eficiência, o respeito pelas liberdades e pelas diferenças entre os cidadãos e a moderação na intervenção estatal, que se pauta pelo seguinte imperativo: “O mercado até onde for possível, o Estado até onde for necessário”.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

PT, SOCIAL-DEMOCRATA MAS NEM TANTO

Afirma o ex-presidente Fernando Henrique, em entrevista sobre o seu mais recente livro (“No poder, o PT virou social-democrata”, O Globo, 1º de agosto de 2010) que falta debate político nestas eleições. Considera que os candidatos ficaram presos aos marqueteiros e, portanto, aos índices oscilantes de ibope. Concordo. A atual campanha sofre de um marasmo de bom comportamento, imposto em parte pela esdrúxula legislação eleitoral para as comunicações, que impede que críticas se façam, pela mídia, aos políticos de plantão e aos candidatos. O marasmo decorre, de outro lado, do excessivo pudor do candidato da oposição para pôr o dedo na ferida dos descaminhos do governo Lula. Felizmente, após a indicação do deputado Índio da Costa para vice da chapa oposicionista, explicações começaram a ser cobradas da candidata oficial, e o discurso de Serra revestiu-se de caráter mais incisivo. Os partidos da base aliada e o governo têm sabido explorar, por sua vez, os obstáculos que a lei eleitoral coloca ao debate livre das idéias, usando e abusando da ampla gama de recursos para impedir que ele aconteça. É tanto o melindre com o cipoal de disposições, que uma espécie de censura prévia instalou-se na mídia, como mecanismo autoimposto pelos comunicadores que não querem ter problemas com a justiça. Apesar de tudo isso, jornais continuam a informar, corajosamente, à sociedade. Lembremos que O Estado de São Paulo está já há mais de um ano sob censura, pelo fato de ter informado sobre as non sanctas atuações de um filho do presidente do Senado.

Na entrevista, o ex-presidente exagerou na sua benevolência para com o PT, considerado por ele como um partido social-democrata. Ora, aqui começam as minhas discrepâncias com o autor. Em primeiro lugar, lembremos que a essência da social-democracia (segundo os pensadores que definiram os seus contornos, notadamente Edward Bernstein, Norberto Bobbio e Anthony Giddens), consiste em três pontos: reconhecimento da economia de mercado, reconhecimento das instituições do governo representativo e valorização do papel do Estado como incentivador da economia e das políticas públicas na área social.

Se levarmos em consideração os programas de governo emanados dos quadros petistas, bem como as decisões tomadas pelos gestores oficiais da economia brasileira, poderemos perceber, claramente, os seus preconceitos para com a economia de mercado, passando a defender um patrimonialismo econômico puxado pelo Estado empresário. O cerne da questão consiste no conjunto de medidas tomadas para fazer do BNDS a grande locomotiva do desenvolvimento financiado com recursos públicos, que são aplicados sem controle da sociedade e favorecendo setores empresariais amigos do rei, fato que levou a jornalista Miriam Leitão (“Lendo o passado”, O Globo, 1º de agosto de 2010) a prever tempos difíceis de volta da corrente inflacionária, de forma semelhante a como ela emergiu do último ciclo autoritário, puxada pela locomotiva sem controle da gastança oficial. De outro lado, a falta de claridade em face da utilização de recursos da Caixa Econômica Federal na capitalização da Petrobrás, fato noticiado amplamente pelos jornais, deixa um rastro de sombras sobre a lisura na utilização desses recursos. Tudo foi feito de afogadilho, para garantir as obras do pré-sal, sem que tivesse mediado um debate aberto no Congresso a respeito. Isso para não falar da escancarada generosidade do atual governo para com as organizações sindicais e os mal chamados “movimentos sociais”, com repasses milionários de recursos públicos para todos eles, sem que tivesse sido garantida a prestação de contas à sociedade, através do TCU. Isso para não falar, também, da compulsão estatizante que anima a criação de novas empresas pelo governo. Ora, cabe indagar se essas medidas são típicas políticas públicas de uma agremiação social-democrata, ou se não estamos em face de um socialismo predatório como os do século XX, que instaura a burocracia estatal como gestora da economia, de costas para a defesa dos interesses dos cidadãos, beneficiando apenas uma minoria de empresários espertos e de amigos que se chegaram à sombra do Estado, e deixando ao relento o grosso da sociedade. Esses fatos revelam um típico empreendimento de índole patrimonialista, que coloca os recursos públicos a serviço do enriquecimento de uma parcela da população, com feroz punição tributária e inflacionária sobre o resto.

No que tange às instituições do governo representativo, se analisarmos a atuação do Presidente da República e dos seus partidos da base aliada, notadamente do PT, veremos que tudo tem sido feito para descaracterizar a representação, desvalorizando sistematicamente o Congresso, bem como o livre funcionamento da oposição e a legislação eleitoral. Começando por esta última, impressiona a desfaçatez com que o presidente atual faz campanha em prol da sua candidata, utilizando claramente a maquinaria oficial e alegando que o faz apenas “nas horas vagas”. O Legislativo, de outro lado, durante o longo consulado lulista, ficou literalmente emperrado com a discussão de medidas provisórias com que o Executivo o entulhou. Longe estamos, com certeza, do ideário social-democrata, que preza as instituições do governo representativo e o respeito, pelo Executivo, à legislação vigente. O PT, em conclusão, contrariando a opinião de Fernando Henrique, não é tão social-democrata como o ex-presidente acha. É mais uma agremiação a serviço do velho socialismo estatizante e patrimonialista.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

HÉROES DE NUESTRO TIEMPO - Por: Mario Vargas Llosa

Exilados cubanos desembarcando em Madri
EN SU COLUMNA Piedra de Toque, Mario Vargas Llosa analiza el proceso de excarcelación de los 52 presos políticos cubanos. El análisis del escritor peruano-español pone el dedo en la herida que hace sufrir de remordimiento a los socialistas españoles, por lo menos a los que integran la cúpula gubernamental (Zapatero & Compañía): ellos han dejado de ser socialistas del atraso (abandonando un socialismo tipo PT, con infinitas saudades del imperio soviético y con fijación en los hermanos Castro y en el hijo mayor de ese matrimonio macondiano: el líder bolivariano Chávez). Pero, para consolación, han preservado la representación del atraso, manteniendo una relación de infinita tolerancia con la dictadura cubana, a la que, ciertamente, el gobierno español debería presionar - como de hecho lo hace la Comunidad Europea -, para que libere de las mazmorras del castrismo a los once y medio millones de cubanos que han sido presos en el paraíso castrista. Es lo que Robert Dahl llamaba "tentación socialdemócrata", tan común en algunas cabezas socialdemócratas brasileñas: rompimiento con el marxismo-leninismo, pero tremenda verguenza de ser fichado como de derecha por su proximidad con los liberales. Por su actualidad y su aplicabilidad a la realidad brasileña, reproduzco el artículo de Vargas Llosa, que fué públicado por el diario El Colombiano.

El Colombiano – Medellín, 26 de Julio de 2010.

Que una veintena de presos políticos cubanos hayan sido excarcelados y venido a España con sus familias, y que el Gobierno de Raúl Castro haya prometido excarcelar en los próximos "cuatro o cinco meses" a algunas decenas más es una buena cosa, sin duda, y hay que alegrarse por ello.

Lo primero que cabe preguntarse sobre este puñado de exiliados que, después de largos años de martirio en las prisiones cubanas, salen libres, es quiénes son. Ninguno pertenece al antiguo régimen, todos nacieron y fueron formados por la revolución, y su disidencia, por lo tanto, no nace de nostalgia por un pasado que no conocieron, sino de un rechazo a una dictadura que han padecido desde adentro y que despertó en ellos un anhelo de libertad. Por sus oficios, representan todo el abanico social: obreros, artesanos, ex soldados, periodistas, ex funcionarios. ¿Los delitos por los que fueron condenados a esas durísimas penas de doce, quince y veinte años de prisión? Firmar peticiones, escribir artículos, tener una máquina de escribir, constituir grupos de derechos humanos u oficinas de información independientes, actividades pacíficas y ajenas a cualquier tipo de subversión o violencia. Si a eso se suman las infinitas vejaciones, golpizas, torturas y castigos de toda índole de que han sido víctimas los años que pasaron en la cárcel, no hay duda, cada uno de ellos es un testimonio viviente de la brutalidad irracional que aplica el régimen castrista contra quienes no se someten a él con servidumbre total y del heroísmo que hace falta para enfrentarse, aunque sea de la manera más benigna, contra una dictadura totalitaria como la cubana.

¿Por qué han podido salir de la isla? ¿Por los buenos oficios de la Iglesia Católica, "acompañada" del Gobierno español, según la fórmula empleada por el ministro de Asuntos Exteriores Miguel Ángel Moratinos? Mi impresión es, más bien, que el Gobierno cubano, viéndose en una tesitura sumamente difícil luego de la muerte del disidente Orlando Zapata, luego de 86 días de huelga de hambre, que provocó condenas en todo el mundo, y la inminente muerte de Guillermo Fariñas que llevaba cerca de 130 días en huelga de hambre, decidió hacer un gesto y se sirvió de ambos para sus propios fines. ¿Cuáles? El primero, desactivar la campaña exterior contra el régimen y levantar algo su desprestigiada imagen institucional.

El segundo, más importante, conseguir mediante estas excarcelaciones que la Unión Europea abandone la Posición Común que suspende toda colaboración económica con el régimen mientras no haya una mejora tangible de los derechos humanos en la isla. Para la dictadura cubana, que vive una situación económica crítica, de la que no sabe cómo salir porque teme que cualquier apertura a la inversión privada y liberalización del mercado la debilite y signifique el principio del fin de la estructura vertical que la sostiene, la cooperación y ayuda exterior son el balón de oxígeno indispensable para alargarle la vida.

Es ingenuo pensar que la excarcelación de unas decenas de presos políticos constituye una reforma sustantiva de la política del régimen contra la oposición. Uno de los rasgos más repugnantes de la dictadura caribeña ha sido su vieja costumbre de regalar presos a los políticos occidentales que iban a hacer el besamanos al dictador, para que ganaran bonos en sus países como "Salvadores" y dieran testimonio de lo flexible que podía ser el régimen cuando era tratado con comprensión. Este innoble tráfico de carne humana en las relaciones públicas puede permitírselo sin riesgo alguno una satrapía cuya reserva de prisioneros políticos es un barril sin fondo, y reemplaza a discreción los presos que ofrece a sus huéspedes importantes.

Por el momento, nada ha cambiado, salvo que -¡en buena hora!- unos cuantos héroes de nuestro tiempo han podido salir de Cuba con sus familias a iniciar la difícil vida del destierro, y, como han dicho todos ellos, a seguir luchando desde el exterior por la democratización de su país. Los medios de comunicación cubanos no han dicho palabra de lo ocurrido, salvo la reproducción en Granma de un comunicado del arzobispado que debe haber dejado en la luna a sus lectores. No hay una sola disposición, reglamento o ley que sirviera para mandar a la cárcel a los disidentes que haya sido suspendida, abolida o corregida, ni la menor promesa del Gobierno cubano que haga suponer que la excarcelación es el inicio de una política de tolerancia para los objetores.

El Gobierno socialista español cree que sí lo es y éste es el argumento con que el ministro Moratinos tratará de convencer a sus colegas de la Unión Europea para que levanten la Posición Común y la sustituyan por una política de apaciguamiento, amistad y "diplomacia silenciosa" que vaya persuadiendo discretamente a la dictadura de que inicie de una vez una apertura real.

Confieso que nunca he entendido por qué un gobierno democrático, en el que hay un buen número de luchadores contra el franquismo que vivieron en carne propia lo que significa una dictadura totalitaria, lleva a cabo con Cuba una política que, en términos prácticos -son los que importan- sólo sirve para prolongar la existencia de una dictadura atroz, que lleva más de medio siglo, y que ha hundido a los cubanos en la miseria, el miedo, la inseguridad y el más cruel despotismo. Y, peor todavía, que constituye una recusación y hostilidad flagrantes contra una oposición que, jugándose la vida y exponiéndose a abusos y represalias vesánicas, lucha para que Cuba alcance lo que tiene España desde la muerte de Franco.

Me lo he preguntado muchas veces y cada vez me parece más difícil encontrar una respuesta que no implique una patética falta de visión, la pequeñez o la ceguera. ¿El acercamiento a la dictadura cubana del Gobierno socialista español es, simplemente, una manera de mostrar un cambio radical de política con la del Gobierno de José María Aznar, quien persuadió a Europa de adoptar la Posición Común? Si fuera así, la política exterior de España no sería más que un juguete sin brújula al servicio de menudas querellas partidistas, sin continuidad, horizonte geopolítico ni moral.

Tal vez, la explicación sea de otra índole. El socialismo español, afortunadamente para España, de socialismo tiene ya sólo el nombre (y acaso la nostalgia). Como todos los partidos socialistas del Occidente, el español se ha modernizado, renunciando a los viejos paradigmas ideológicos, la lucha de clases, el estatismo, el colectivismo, el dirigismo económico, y ha terminado por conformarse a realidades que antes combatía con encono, la empresa privada, el mercado, la inversión extranjera, y es, hoy día -aunque nunca lo reconocería en estos términos- un baluarte del capitalismo y de la democracia liberal. Sus diferencias con los partidos conservadores y centristas son menudas e intrascendentes, salvo en la retórica de sus dirigentes, en la que a veces sobrenadan los antiguos clisés de la enterrada ideología.

Me pregunto si la incomprensible e inmoral política del Gobierno socialista español de colaboración con el castrismo no es una manera para sus dirigentes de demostrarse a sí mismos que no es verdad que hayan dejado de ser socialistas, que ahí está la prueba, lo que hacen para salvarle la vida a la acorralada revolución cubana, que, aunque haya cometido muchos errores, es todavía el emblema de aquel socialismo que fue el suyo, cuando eran jóvenes y utópicos y creían que la peor de las lacras de la humanidad fue la aparición del capitalismo egoísta y vil. Tal vez eso les dé buena conciencia y, pasajeramente, los exonere de la tristeza de comprobar a cada paso que, en todo lo demás, salvo en Cuba, dejaron de ser "revolucionarios" y se volvieron pragmáticos, social demócratas, es decir "social pendejos" como los llaman los 'compañeros' cubanos, y, horror de horrores, ¡hasta liberales! Qué pena que toda esta operación exculpatoria de un Gobierno que debería liderar el apoyo de los países libres a los héroes de la libertad en Cuba, se haga a costa de once millones de cubanos sometidos desde hace más de medio siglo a un régimen que se disputa con Corea del Norte el privilegio de ser la última dictadura comunista del planeta.

Hago votos para que, siguiendo lo que piden los presos políticos desterrados de Cuba, la Unión Europea no cometa la imprudencia de renunciar a la Posición Común y la mantenga hasta que el régimen de los hermanos Castro dé pasos verídicos y comprobables de una democratización.

domingo, 25 de julho de 2010