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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ARSÊNIO EDUARDO CORRÊA - A MENTALIDADE DE UM POVO DETERMINA SEU DESTINO

Arsenio Eduardo Corrêa
Diretor Executivo do Instituto de Humanidades, São Paulo.


Tive a oportunidade de chamar a atenção de nossos leitores para a importância da iniciativa da Editora Ludwig von Mises de lançar, conjuntamente, os principais livros de seu patrono. Indiquei ali a constatação de que a descrição da mentalidade anticapitalista se coadunava  perfeitamente com o quadro vigente no Brasil. Queria voltar a esse tema.

Muito oportuno o lançamento promovido pela LVM EDITORA, da Coleção von Mises, entre os quinze livros que formam a coleção, um me chamou atenção em especial, trata-se do “A MENTALIDADE ANTICAPITALISTA”, nela desenvolve o autor os argumentos sobre o que é uma mentalidade capitalista, e o que identifica essa mentalidade.  Não resta dúvida que em nosso País prevalece a mentalidade anticapitalista, mas sempre foi assim? Nunca tivemos oportunidade de iniciar uma saída ou da formação de outra mentalidade, a recomendada Capitalista? Sim, tivemos muitas, mas vou me referir a uma em especial: trata-se a de Armando de Sales Oliveira, politico paulista, governou o estado na década de 30 do século XX e deixou escritos que podemos comprovar sua mentalidade.

No “Discurso Pronunciado Na Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, Em 25 de Janeiro de 1934 (pág. 32/44) – ESCRITOS POLÍTICOS – ARX – 2002”.  Armando Sales após tecer comentários sobre a situação economica e financeira do Estado de São Paulo, na qualidade de Governador, apresenta um Balanço do seu Governo em face da discussão orçamentária do Estado. Observa ainda o que ocorreu com as finanças na década de 20 do século XX, em seguida falando de novos rumos, diz: “O que importa, para os paulistas e para os seus governos, é desarraigar para sempre do espírito a idéia de voltar às aventuras do passado. Não faltarão ocasiões, nem argumentos com aparência de força, para tentarem os governos. O dever destes será resistir de pé firme, para evitar que São Paulo se veja um dia diante de um abismo irremediável, onde mais uma vez se decifre o enigma do destino que espera os povos imprevidentes e surdos….”. Estava propondo austeridade, na sequencia diz: ”…. Só um enérgico e tenaz desenvolvimento de nossa produção, acompanhado de uma segura formação de economias, permitirá que São Paulo honre todos os seus compromissos e firme sua prosperidade. E é um problema que demanda tempo porque é sobretudo um problema de educação das massas. A utilização das economias do povo na subscrição dos grandes empréstimos públicos e na participação das emissões das grandes empresas industriais ou de serviços públicos é um dos aspectos característicos do capitalismo moderno…”. Aqui se identifica o pensamento capitalista; ele tinha presente que a economia ou melhor as pequenas economias seriam fundamentais para desenvolver o País, na sequencia exemplifica: “… Na França, onde o hábito de economizar constitui uma segunda natureza do homem, os donos das pequenas economias formam talvez ma maior força do país. Lá, os processos da pequena economia são impressionantes. Há quatro anos, eram 9.616 os acionistas do Banco da França possuidores de uma só ação; hoje são 17.916, e 65 por cento do capital do banco pertencem a proprietários de uma ou duas ações…”. Continuando dá outros exemplos da França e dos Estados Unidos da América do Norte.

Essas menções permitem verificar que o que Armando Sales dizia era que a poupança miuda era o caminho para se desenvolver qualquer economia capitalista, seguindo aborda a questão da Bolsa de Valores e diz: “…No dia em que o nosso povo começar a compreender o alcance das aplicações mobiliárias para as suas pequenas economias, ter-se-á criado entre nós um dos principais fatores de equilíbrio econômico e de paz social…”. Aqui ele ratifica o elemento principal da economia moderna e como conseguir isso, continua: “… Para a lenta obra de educação, que esse objetivo requer, serão indispensáveis a” ação e a colaboração da Bolsa de Valores de São Paulo. Em relação aos valores públicos, pouco esforço haverá que desenvolver . Uma vez que se consolide a normalização das finanças do Estado, o seu crédito se imporá por si mesmo. Isto se dará igualmente com as municipalidades, que inspiram crescente confiança aos tomadores de empréstimos, graças em parte a medidas felizes, de ação moralizadora, adotadas pela própria Bolsa…”. O que quer dizer é que os investimentos nos fundos públicos serão atraentes pois se apresentarão robustos pelas medidas então adotadas, sobre a iniciativa privada recomenda: “….Quando, porém, chegamos as emissões de empresas particulares, o caso muda de aspecto. O desenvolvimento dessas empresas depende diretamente das leis, que regem as sociedades anônimas e as emissões de debentures. Há anos que se proclama a urgência de reformar essas leis, arcaicas e evidentemente insuficientes para atender ao rápido progresso commercial e industrial do país nos últimos anos. Tal processo se faz sobretudo pelo concurso de grandes capitães, e estes, aqui como em toda a parte, se congregam por meio das sociedades anônimas, de que participam até os mais modestos possuidores de capital.

Chega-se, assim, pela cooperação de muitos, à formação de capitais respeitáveis. Ora, as organizações de que precisamos devem ser sociedades anônimas no espírito e na finalidade e não apenas na forma, como é a maioria das nossas, em que o capital na realidade pertence a uma ou duas pessoas. Raríssimas são as grandes sociedades cujo capital pertença a numerosos acionistas. Há pouco, uma lei notável introduziu em nossa legislação uma inovação de grande alcance, a das ações preferenciais. Título intermediário entre ações ordinárias e as debentures, esse tipo de ações tem grande importância no financiamento das empresas constituídas sob a modalidade anônima. Em nada mais se alterou a lei das sociedades anônimas. Ficou para mais tarde a reforma esperada, a que lhes deveria outorgar uma organização mais liberal e mais flexível. As suas deficiências são tais que, sendo justamente uma das mais notórias a falta de uma proteção adequada às minorias, não houve meio de conseguir-se dentro daquela lei, em episódio recente, que os detentores de 99,5 por cento de ações de uma sociedade substituíssem a sua diretoria eleita por uma minoria possuidora de meio por cento do capital, e assim cessasse a singular usurpação…”. Sobre outra forma de captação de capitais e de importancia impar, diz: “…A lei referente às emissões de debêntures recebeu também uma certa melhora com a última reforma, mas esta foi excessivamente tímida.

A verdade, que direi com a minha habitual franqueza, é que a rígida legislação em vigor não tem impedido que se pratiquem toda sorte de abusos e repetidos delitos na administração das sociedades anônimas. Há em nosso país uma inexplicável benevolência para julgar e uma irresistível tendência para esquecer os crimes daquela natureza. Por isso raramente chegam até a Justiça os responsáveis por esses abusos, e fica-se no regime da impunidade. Sem chegarmos aos extremos de liberdade da legislação americana, antes respeitando a nossa tradição jurídica, poderíamos corrigir as falhas e a rigidez das nossas leis, tornando ao mesmo tempo mais precisas e severas as responsabilidades dos administradores. O essencial, para a garantia daqueles, grandes ou pequenos, que empregaram seus capitais em sociedades anônimas, é que se punam os delitos que dentro dela se cometerem…”. Lembro que esse tema foi objeto de legislação implantada em 1976 com a chamada “Nova Lei das Sociedades Anônimas” e o disciplinamento do funcionamento da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Conclui Sales de Oliveira:  “…A reforma das duas leis é imprescindível para o nosso progresso econômico. Tivesse sido realizada alguns anos atrás e nunca sairiam de mãos nacionais as numerosas empresas de serviços públicos que no interior do Estado, através de todas as crises, acompanhavam o seu progresso, quando o não precediam. Nenhum grupo de capitalistas nacionais seriam bastante forte para financiar sozinho empresas que, por sua natureza especial, exigem, dia a dia, capitais novos, que lhes assegurem o desenvolvimento normal sem alterar o pagamento de dividendos. A rigidez das nossas leis torna impossivel esse apelo continuado ao público.

Decrete-se uma reforma adequada das duas leis, a das sociedades anônimas e a de debêntures, e a Bolsa de Fundos Públicos adquirira mais poderosos instrumentos de ação. Então, poderá ela desempenhar em toda a amplitude o seu verdadeiro papel, e os seus membros, revestidos de altas funções públicas, passarão a ocupar o lugar de relevo que lhes compete no edifício econômico de São Paulo.”.

No Brasil sempre se incentivou a mentalidade anticapitalista, vamos apenas a um exemplo que considero ilustrativo de minha afirmação:

Enquanto Armando de Sales Oliveira quer incentivar o investimento de risco, com as cautelas de todo bom administrador, para as classes menos esclarecidas e que poderiam significar o financiamento de nosso desenvolvimento, nós brasileiros temos para eles a chamada Caderneta de Poupança, garantida pelo Governo Federal, ou seja, vamos incentivar os pequenos poupadores a não se arriscarem pois o risco não faz parte de nossa cultura. Ora, se não queremos risco não podemos ter um País capitalista e se não o tivermos não teremos desenvolvimento.

A Caderneta de Poupança foi historicamente criada pelo Imperador D. Pedro II, pelo Decreto 2723 de 12 de janeiro de 1861, atualizada e ampliada pelo Decreto 5594 de 18 de abril de 1874, entretanto foi a Lei 4.380 de 21 de agosto de 1964, lei essa que criou o Sistema Financeiro da Habitação, e constituiu o Banco Nacional da Habitação – BNH , e Sociedades de Crédito Imobiliário, e ainda, as letras imobiliárias, e nesse mesmo diploma legal criou a Correção Monetária e a estendeu as Cadernetas de Poupança que viraram as financiadoras de parte do Sistema Habitacional.

Tendo a Caderneta de Poupança no mercado e sendo os pequenos poupadores incentivados a não correrem riscos, foi toda a poupança nacional direcionada para ela.

Notem que uma medida do estado brasileiro, que visava sanar a falta de moradias, trouxe em seu arcabouço uma mentalidade anticapitalista, uma vez que se eu não tenho risco vou para a poupança.

Von Mises no primeiro capitulo do livro “Mentalidade Anticapitalista” trata o consumidor como soberano, ele, dentro da economia moderna serve de ancora para as decisões economicas pois é para ele que a maioria da produção se destina, no caso brasileiro, esse consumidor pertence a denominada “classe média”e “classe pobre”, portanto se tivessemos seguido a recomendação de Armando de Sales Oliveira, hoje teríamos um mercado de investidores pequenos e médios financiando a economia nacional dentro de uma mentalidade capitalista.



sábado, 19 de janeiro de 2013

FELIPE JARAMILLO - "A SALVO DEL ABISMO - MEDELLÍN VEINTE AÑOS DESPUÉS"

Retrocedamos 20 años. Medellín, Colombia, es la capital mundial de los asesinatos, con más de 300 homicidios por cada 100.000 habitantes. Pablo Escobar y sus lugartenientes en el negocio de la droga son los héroes de las comunas -los barrios de bajo ingreso ubicados en las laderas montañosas que se alzan por encima de los rascacielos del moderno centro. 

Tiroteos, secuestros y una anarquía endémica alimentan los titulares de los periódicos. Los adolescentes de las comunas quieren ser esbirros de Escobar, rápidos con las armas y las chicas. Luego de que Escobar muriera en un tiroteo con la policía en 1994, sueñan con convertirse en “rambos” paramilitares, inspirados en los violentos escuadrones que asolaron las áreas rurales desde mediados de la década de 1990. 

Regresemos a marzo de 2012. La violencia ha decaído en esta ciudad montañosa en los Andes colombianos, a contramano de la tendencia general de las grandes ciudades de América Latina. Un grupo de colegas y yo estamos aquí como parte de un estudio de la ciudad. En efecto, nos dicen que la tasa de homicidio se redujo 80% desde su máximo en 1990. Ahora las comunas son en mayor parte pacíficas, sus calles están repletas de automóviles, peatones, niños en bicicleta.

Cada tanto vemos un policía mezclándose con los vecinos. Nos invitan a caminar unas pocas cuadras de Santo Domingo, la comuna más violenta a comienzos de la década de 1990.

Llegamos a un edificio impresionante y poco ortodoxo ubicado en una ladera que se asemeja a tres grandes piedras negras interconectadas, en marcado contraste con la arquitectura improvisada de las viviendas de bajo ingreso a su alrededor.

Nos dicen que es la biblioteca pública Parque España y que recibe más de 1.000 visitantes diarios, posee una gran colección de libros, videos y una galería gratuita para exhibiciones de artistas locales. No hay grafitis en sus paredes. Un lugareño nos dice que están muy orgullosos de albergar este nuevo hito citadino, visitado por turistas de todo el mundo.

Un joven de diez años so ofrece para contarnos los detalles de quién construyó la biblioteca, cuánto tomó construirla y por qué ha tenido un impacto positivo en la comuna (todo gracias a una donación voluntaria de 50 centavos).

Doscientos metros cuesta arriba de la biblioteca abordamos la reluciente línea de Metrocable (US$0,60 por un boleto de ida), una de las tres líneas con 15 estaciones que comunican los barrios de las laderas con la ciudad más abajo. Los niños de la comuna asisten a escuelas nuevas, tienen un diseño amigable con los niños, han sido pintadas con colores brillantes y cuentan con instalaciones que compiten con las mejores del país.

Nuevo enfoque al crimen

Funcionarios de la administración de la ciudad nos dijeron que a través de los años intentaron varios enfoques para combatir la criminalidad y la violencia, desde el descuido bienintencionado hasta la mano dura. Tanques y policías fuertemente armados incursionaban en las comunas, estableciendo breves períodos de paz que se mantenían mientras durase la “ocupación”.

Este sistema de prueba y error derivó en un “enfoque integrado y unificado”, también conocido como urbanismo social: una combinación inusual de trabajo social, infraestructura innovadora y desarrollo institucional. Lograr la conjunción de estos elementos es un trabajo verdaderamente multisectorial: los arquitectos se juntan con trabajadores sociales, psicólogos y urbanistas. Se establecen grupos musicales y de teatro con la ayuda de artistas. Con la ayuda de directores técnicos, se establecen clínicas de fútbol y básquetbol en canchas recién construidas.

El director del organismo de planeamiento de Medellín asegura que la infraestructura es crucial a la hora de proporcionarle a los residentes de las comunas acceso al resto de la ciudad -y a la ciudad acceso a la comuna. Un vecino nos dice que lo importante es “sentirnos como verdaderos ciudadanos de Medellín”, merecedores de infraestructura de alta calidad.

Un trabajador social a su vez dice que lo importante es darles a los niños cosas para hacer, modelos a seguir, y espacio para dejar atrás el camino de la violencia. No todo es perfecto y la gente de Medellín puede estar exagerando esta realidad.

El histórico acuerdo de desmovilización de 2003 que resultó en la entrega de armas por parte de muchos grupos paramilitares en todo el país ciertamente ayudó. A pesar de los éxitos, aún quedan algunos barrios “pesados” donde uno deambula bajo su propio riesgo.

Revolución juvenil

Cuando la situación tocó fondo a finales de la década de 1990, surgieron líderes juveniles con ideas nuevas y los votantes, cansados de vivir bajo el miedo, apoyaron estos nuevos enfoques. Medellín es un centro industrial y financiero en constante crecimiento, con los recursos necesarios para esquemas innovadores.

Y Medellín es conocida por su sector público sólido y profesional, un carácter alegre y un amor profundo por la ciudad. Un vecino me dijo, “siento como si hubiera vuelto a nacer”.

Los empleados del BM tienen la reputación de ser tecnócratas muy trabajadores. Aunque de alguna manera siento que todos fuimos tocados por el optimismo y la energía pura de las personas que conocimos en Medellín, quienes evitaron que su ciudad cayera en un abismo.

*Esta columna fue publicada originalmente en la zona de blogs del sitio web del Banco Mundial. 

Autor: Felipe Jaramillo

Felipe Jaramillo, colombiano de origen, se unió al Banco Mundial en 1989 por medio del programa para Jóvenes Profesionales, y ha desempeñado diversos cargos en la institución, incluyendo Gerente Sectorial en el departamento de Reducción de Pobreza y Manejo Económico (PREM) de la región de Europa y Asia Central y Líder Sectorial en el departamento de Reducción de Pobreza y Manejo Económico (PREM) de la región de Latinoamérica y el Caribe. Jaramillo también ha desempeñado cargos en la administración pública de Colombia, entre otros como Viceministro de Hacienda y Crédito Público. Jaramillo obtuvo su maestría y doctorado de la Universidad de Stanford y se ha desempeñado como profesor en la Universidad de Los Andes en Bogotá y en la Universidad de Maryland.