VideoBar

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Pesquisar este blog

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A CAMORRA ATRAVÉS DA LENTE DE ROBERTO SAVIANO

A tipologia sociológica do Patrimonialismo estudado por Max Weber (1864-1920) na sua obra póstuma de 1921, Economia e sociedade, [1] conserva ainda toda a sua vitalidade. Historiadores e sociólogos têm se valido da mesma para melhor compreender o que se passa no Oriente, na África, na América Latina e alhures. Acontece que por se tratar de uma tipologia, não é uma realidade acabada, mas apenas um tipo ideal referido, sempre, aos contextos históricos em que surgiram Estados mais fortes do que a sociedade.

Weber considerava que o Patrimonialismo constituía um tipo de governo que poderia se contrapor ao encarnado pelo Estado contratualista, aquele que surgiu na modernidade a partir de uma experiência feudal completa, como a ocorrida na Europa Ocidental. A este modelo Weber contrapunha o Patrimonialista, decorrente da concentração de funções políticas numa única mão, que passou a administra-lo tudo como propriedade familiar ou patrimonial.

No modelo contratualista, em decorrência do fato de que no feudalismo o poder estava disseminado na sociedade, não concentrado num único núcleo, tornou-se possível a diversificação em ordens de interesse diferentes, tendo dado lugar às classes sociais (nobreza, burguesia, proletariado), que passaram a lutar pela posse do poder, como muito bem ilustrou François Guizot (1787-1874) na sua obra clássica, História da civilização européia, desde a queda do Império Romano até a Revolução Francesa. [2] A política poderia se definir, segundo frisava o sociólogo francês, como “luta de classes”. É sabido que Marx (1818-1883) foi influenciado por esta categoria elaborada por Guizot. Essa diversificação de interesses levou a que o Estado moderno surgisse a partir de um contrato social, ou de um processo de negociação entre as classes que lutavam pela posse do poder.

Já no modelo patrimonialista, o Estado moderno surgiu a partir da hipertrofia de um poder patriarcal original, que alargou a sua dominação doméstica sobre territórios, pessoas e coisas extrapatrimoniais, tendo passado a administrar a res publica como res privata ou coisa nossa, dando ao Estado esse caráter familístico e clânico tão típico do patrimonialismo latino-americano.

Na Europa Ocidental ocorreram dois processos de retardamento cultural que impediram a rápida organização do Estado Moderno, que somente se consolidou no século XIX na Alemanha (sob Bismark) e na Itália (sob Cavour e Garibaldi). O retardamento político italiano, segundo Maquiavel (1469-1527), tornou-se endêmico por força da ação dissociativa do Papado, que impediu durante séculos a aglutinação das cidades e dos diversos principados ao redor de um centro de poder mais forte. Não podendo reunir tudo sob seu comando absolutista, os Papas terminaram inviabilizando a unidade italiana, que no século XVI se anunciava através da dominação da dinastia austríaca dos Hohenstaufen. Daí o fato de Maquiavel esperar por um príncipe que conseguisse dominar o papado, a fim de dar ensejo à unidade nacional. O secretário florentino pensou inicialmente no filho do Papa Alexandre VI, César Borgia, para pôr fim à indevida intromissão dos pontífices de Roma na política italiana. No entanto, o seu projeto não deu certo, talvez pela índole facciosa do seu candidato a rei da Itália. Passou Maquiavel a esperar a unidade que não viu, de um rebento da casa dos Médicis de Florença, Lourenço o Magnífico, a quem dedicou O Príncipe. [3] A Itália renascentista apostava num “salvador da pátria” que garantisse a unidade nacional. Jacob Burkhardt, no seu clássico: A cultura da renascença na Itália, [4] estudou em detalhe essas personalidades, salientando o seu caráter polimórfico e de forte individualidade, que cooptavam condottieri para as suas empreitadas.

O fenômeno das máfias na Itália decorre em grande medida desse retardamento cultural. Os chefes mafiosos agem como uma autoridade patriarcal que enxerga a política em função dos seus interesses econômicos clânicos. É um fenômeno muito semelhante ao dos senhores patrimoniais locais, encontradiços na América Latina. Eles são geralmente os responsáveis, no continente latino-americano, pela insegurança, o terror e a instabilidade que constituem marcas registradas da história dos países que se situam nessa parte do mundo. Assim os via, por exemplo, Tocqueville (1805-1859). [5]
Roberto Saviano traça na sua obra: Gomorra, [6] um vivo quadro da forma de agir de um segmento da máfia italiana, a Camorra, que domina em Nápoles. É meu propósito, nestas páginas, sintetizar os aspectos que me pareceram mais marcantes na viva narrativa do jornalista italiano. [7] A obra consta de duas partes. A primeira é integrada pelos seguintes capítulos: O Porto, Angelina Jolie, O sistema, A guerra de Secondigliano, Mulheres. A segunda parte consta dos seguintes capítulos: Kaláshnikov, Concreto armado, Dom Peppino Diana, Hollywood, Aberdeen-Mondragone, Terra dos fogos.

Destacarei os seguintes pontos que mais me marcaram ao longo da leitura da obra: 1 – O Porto (ou o esqueleto da empresa mafiosa). 2 – Angelina Jolie (ou vestindo a beleza no ateliê da Camorra). 3 - O Sistema (ou o organograma do inferno). 4 – Kaláshnikov (ou a democratização do assassinato). 5 – Dom Peppino Diana (ou a dignidade contra a tirania).

1 - O Porto (ou o esqueleto da empresa mafiosa).

Saviano elabora uma radiografia completa dos esqueletos que se escondem por trás das enormes construções de concreto armado e das construções residenciais no porto de Nápoles. O elemento primordial da sua narrativa é a forma em que os chefes da máfia napolitana tornaram-se bosses, empresários que visam unicamente o lucro, fazendo tabula rasa das restantes variáveis: políticas, éticas, culturais e socioeconômicas que caracterizaram a empresa capitalista segundo a análise weberiana. O boss da Camorra é, como os aventureiros piratas da Somália, os chefes dos militantes da Al Qaeda, os donos dos cartéis latino-americanos de drogas ou os líderes das maras na América Central, um inescrupuloso empresário que põe o seu lucro acima de qualquer outra variável, adotando, de entrada, o modelo ético que é denominado de “totalitário”. [8] O boss é antes de tudo, um pragmático. Faz aliança com qualquer pessoa que lhe garanta a preeminência no negócio e não crie obstáculos para o seu lucro, mesmo que tenha de compartilhar com ele os ganhos obtidos.

O porto de Nápoles foi praticamente privatizado pela Camorra que, nas sombras da informalidade, deitou as raízes da sua múltipla presença nesse cenário que se converteu em porta de entrada para as mercadorias ilegais na Europa Ocidental. O principal beneficiário externo desse estado de coisas foi a indústria chinesa, que deságua nos armazéns do porto e numa imensa galeria de pequenas construções que o circundam, milhões de toneladas de mercadorias fantasmas que, a partir daí, ganham os mercados da Europa, dos Estados Unidos, da América Latina, da África ou do Japão.

Eis a descrição que Saviano faz desse cenário: “Na atualidade, em Nápoles descarrega-se quase exclusivamente mercadorias provenientes da China: 1.600.000 toneladas. As declaradas. Pelo menos outro milhão passa sem deixar rastro. Segundo a Agência de Alfândegas, no porto de Nápoles 60 por cento da mercadoria escapa à inspeção da alfândega, 20 por cento dos recibos de impostos não são comprovados e há cinquenta mil falsificações: 99 por cento é de procedência chinesa, e calcula-se em duzentos milhões de euros os impostos não pagos por semestre. Os contêineres que devem desaparecer antes de serem fiscalizados encontram-se nas primeiras fileiras. Todos os contêineres são numerados, mas há muitos com a mesma numeração. Dessa forma, um contêiner inspecionado abre caminho para todos os seus homónimos ilegais. O que se descarrega na segunda, na quinta pode ser vendido em Modena ou Gênova, ou acabar nas estantes de Bonn e Mônaco (...).” [9]

É evidente que para que acontecesse tal infiltração da economia informal seria necessário que houvesse uma estrutura burocrática que atuasse nas sombras. Quando a noite domina o cenário napolitano - frisa Saviano -, “dir-se-ia que no porto já não há mais ninguém; os contêineres, os barcos e os caminhões parece deslocarem-se animados por um movimento perpétuo. Velocidade sem barulho”. [10] A principal figura desse exército das sombras é um gerente sob o comando do boss da Camorra, geralmente um chinês cuja característica fundamental é o silêncio e o anonimato. Ele é o responsável pela operação de desembarque das mercadorias em lanchas rápidas, nas quais são colocados um ou dois contêineres tirados dos navios, que conduzem esse carregamento até as construções, que como células de uma colmeia ocupam os interstícios entre os armazéns do porto em casas que foram literalmente limpas de paredes ficando somente a casca, tudo devidamente mimetizado para que não chegue ali a ação fiscalizadora da polícia, que se concentra nos armazéns, a fim de cumprir com as recomendações recebidas da autoridade portuária do Mercado Comum Europeu.

A respeito escreve Saviano: “O projeto de armazenar os fardos nos pisos tinha sido idealizado por alguns comerciantes chineses a raíz de que a autoridade portuária de Nápoles apresentou a uma delegação do Congresso estadunidense o plano sobre a segurança. Este último prevê dividir o porto em quatro zonas – para cruzeiros, para cabotagem, para mercadorias e para contêineres – e determinar os riscos de cada uma delas. Depois da publicação deste plano de segurança, para evitar que se pudesse obrigar a polícia a intervir ou que os jornais escrevessem durante tempo demais sobre a questão e inclusive que câmaras de TV fossem à procura de alguma cena interessante, muitos empresários chineses decidiram que era necessário deitar pesada cortina de silêncio sobre tudo (...)”. [11]

A mão de obra é cooptada entre desempregados napolitanos, refugiados africanos, consumidores de drogas que recebem a dose necessária dos contratantes, enfim, trata-se de um exército que não reclama e que age em silêncio por necessidade de sobrevivência. Eles podem também prestar serviços de pali ou olheiros colocados em lugares estratégicos, para avisar qualquer movimento da polícia ou de estranhos. Qualquer deslize nos serviços prestados é castigado com o assassinato sumário do culpado.

2 – Angelina Jolie (ou vestindo a beleza no ateliê da Camorra).

Os chineses organizaram, junto com a Camorra, um empreendimento de alta costura na região conhecida como “triângulo chinês”, que está situada entre as cidades de San Giuseppe Vesuviano, Terzigno e Ottaviano. Os trabalhadores desse polo de alta costura são chineses ilegais trazidos por “cabeças de serpente”, guias pertencentes à máfia chinesa. Os chineses trabalham febrilmente como escravos e a sua característica fundamental é não serem notados por ninguém. Saviano conta a história de uma bela chinesa, Zhang, que trabalhava num desses encraves de serviço escravo. Um mecânico italiano se apaixonou por ela. Ela resistiu. Terminou sendo assassinada brutalmente pelo pretendente, sem que nada se dissesse na comunidade chinesa.

A alta costura chinesa foi montada pela Camorra cooptando profissionais de desenho de moda que são remunerados a preços abaixo do mercado e sem nenhum vínculo empregatício. É a história de Pasquale, um designer napolitano que seria contratado a preço de ouro em qualquer fábrica de moda em Londres, Nova Iorque ou Paris. Pasquale desenhou um vestido que foi encomendado a uma firma italiana por uma conhecida artista de cinema. Cortou e costurou o vestido fantástico numa aula virtual destinada a formar designers chineses para a Camorra. Tudo foi filmado e a “aula” assistida em direto pelos donos do empreendimento. As explicações acerca de como escolher a tela e sobre a forma de realizar o corte do tecido eram traduzidas em direto ao chinês por uma locutora que explicava, passo a passo, as acuradas técnicas de Pasquale. Depois da “aula” de corte, o designer recebeu o seu pagamento e sumiu no anonimato. Dias depois, assistindo à cerimônia da entrega do Oscar, a mulher de Pasquale, Luíza, ficou surpreendidíssima: o vestido que tinha sido desenhado por Pasquale estava no corpo nada menos que de Angelina Jolie!

A respeito escreve Saviano: “(...) Angelina Jolie percorria a alfombra da noite dos Oscar com traje de chaqueta de raso branco precioso. Um desses feitos sob medida, desses que os designers italianos, disputando, dão de presente às estrelas Esse vestido tinha sido confeccionado por Pasquale numa fábrica clandestina de Arzano. Somente lhe disseram:  Este vai para América. Pasquale tinha feito centos de vestidos que tinham ido aos Estados Unidos. Recordava perfeitamente aquele traje sastre branco. Ainda recordava as medidas, todas as medidas. O corte do decote, os milímetros das mangas dos braços. E a calça. Tinha passado a mão pelas perneiras e ainda recordava o corpo nu que todos os modistas imaginam. Um nu sem erotismo, desenhado nas suas fibras musculares, nos seus ossos de porcelana. Um nu para ser vestido, uma mediação entre músculo, osso e porte.  Tinha ido buscar a tela ao porto, recordava ainda perfeitamente aquele dia. Tinham-lhe encarregado três vestidos, sem dizer mais nada. Sabiam a quem estavam destinados, mas ninguém tinha lhe informado”. [12]

Eis um retrato claro da forma em que se consolida, em Nápoles, a alta costura chinesa, que repassa as suas peças para o mercado italiano, europeu e americano, derrubando preços e concorrentes. Como se estrutura essa grande empresa de produção e comércio? Detalharei mais dados num dos próximos itens, ao analisar o inferno da Camorra. Somente destaco o sentimento de frustração do designer Pasquale, após ter colocado o seu gênio e a sua experiência a serviço da máfia, que somente queria suga-lo sem valorizá-lo como pessoa.

Roberto Saviano sintetizou da seguinte forma os sentimentos do designer: “Voltei a ver Pasquale dois meses depois. Tinha sido enviado a trabalhar com caminhões. Transportava todo tipo de mercadorias – legais e ilegais – para as empresas vinculadas à família Licciardi de Secondigliano. (...) O melhor modista do mundo conduzia os caminhões da Camorra entre Secondigliano e o lago Garda. Invitou-me a jantar e a dar um passeio no seu enorme caminhão. Tinha as mãos vermelhas e os nós rachados. Como a todos os caminhoneiros que passam horas ao volante, gelavam-se lhe as mãos e tinha má circulação. A expressão do seu rosto não era serena, tinha escolhido esse trabalho por despeito, por despeito com o seu destino, um chute no traseiro da vida. Mas era impossível continuar suportando essa situação, embora manda-lo tudo ao diabo significasse viver pior. Enquanto jantávamos, levantou-se para ir cumprimentar uns amigos. Deixou a carteira encima da mesa. Apareceu uma página de revista dobrada em quatro. Abri-a. Era uma foto, uma portada de Angelina Jolie vestida de branco. A chaqueta diretamente sobre a pele. Era necessário ter talento para vesti-la sem escondê-la. O tecido deveria acompanhar o corpo, delineá-lo fazendo com que os movimentos o marcassem. (...) Estou seguro de que olhando para essa obra mestra que criou com as suas mãos, Pasquale era feliz. Uma felicidade raivosa. Mas isso ninguém o saberá jamais”. [13]

3 - O Sistema (ou o organograma do inferno).

A Camorra, após a Segunda Guerra Mundial, tinha desenvolvido uma dinâmica de penetração do comércio na Europa depauperada pela guerra. Aos poucos, os napolitanos que tinham integrado esse primeiro grupo de mascates, foram sedimentando a sua presença comercial na área têxtil, vendendo em condições favoráveis tecidos, sapatos e roupas. Com o correr dos anos, um clã napolitano integrado por membros da Camorra em Secondigliano, tornou-se líder dos demais clãs. O processo de crescimento foi simples: colocar a lei de lado para ampliar os negócios. Assim surgiu o Sistema. Trata-se, segundo Saviano, mais de “um termo eloquente, um mecanismo mais do que de uma estrutura. A organização criminal coincide diretamente com a economia, a dialética comercial é a ossatura do clã. (...) Tudo aquilo que em outros lugares era impossível por causa da rigidez dos contratos, da lei, do copyright, no Norte de Nápoles se conseguia. A periferia, se estruturando em torno ao poder empresarial do clã, permitia movimentar capitais astronômicos, inimagináveis para qualquer conglomerado industrial legal. Os clãs tinham criado polígonos industriais inteiros de produção têxtil e de fabricação de couros e peles capazes de produzir vestidos, chaquetas americanas, sapatos e camisas idênticos aos das grandes casas da moda italiana”. [14]

O domínio progressivo do clã de Secondigliano foi semelhante à alavancagem que, em Medellín, Pablo Escobar (1949-1993) deu ao contrabando de mercadorias efetivado pela sua família, os Escobar Gaviria. Tornou-se líder, simplesmente porque dispensou a legalidade e passou, de forma clara, a dominar os outros clãs familiares na base da violência. Nada mais pedagógico para um clã do que se apresentar como capaz de qualquer coisa. Assim, Escobar rapidamente passou do contrabando de mercadorias trazidas ilegalmente dos Estados Unidos via Panamá, para a venda do que o mercado americano mais apreciava: a maconha potencializada e, logo depois que a erva passou a ser produzida na Califórnia, a cocaína refinada nas selvas colombianas, a partir da pasta de coca proveniente do Perú. [15]  

O clã de Secondigliano firmou-se como o líder da indústria têxtil paralela, capaz de copiar qualquer modelo que a alta costura das firmas italianas do norte produzia. Mais: estabeleceu, de forma muito eficiente e acelerada, a penetração dos napolitanos nas exclusivas lojas que, em cidades européias e em Nova Iorque, vendiam as grandes grifes. A expertise dos mafiosos de Secondigliano foi copiada pela indústria legal: os empresários faziam vista grossa diante da ousada presença dos napolitanos, a fim de não perder clientela. Mesmo que tivessem de vender a preços mais baixos, passaram a conviver com os membros infiltrados da Camorra. Quando deram por si, já estavam dentro de uma organização maior, que a Justiça italiana passou a denominar de O Diretório, numa referência ao caráter centralizador da estrutura de poder emergente da Revolução Francesa.

Assim caracteriza Saviano essa organização chefiada pela máfia napolitana: “(...) O Diretório era o nome que os magistrados da DDA (Direção do Distrito Antimáfia) de Nápoles tinham dado a uma estrutura econômica, financeira e operacional composta por empresários e boss representantes de diferentes famílias da zona norte de Nápoles. Uma estrutura com finalidade propriamente econômica. O Diretório, como o órgão colegiado do Termidor francês, representava o poder real da organização mais do que as baterias de fogo e os setores militares”. [16]

Passaram a trabalhar e a conviver, lado a lado, os membros dos clãs dominados pelos mafiosos de Secondigliano: os Licciardi, os Contini, os Mallardo, os Lo Russo, os Bocchetti, os Stabile, os Prestieri, os Bosti, os Sarno, os Di Lauro, etc., junto com os representantes da indústria têxtil legal: Valent, Vip Moda, Vocos, Vitec, Casoria, Arzano, Melito, que ingressaram também no caminho das cópias extralegais de modelos exclusivos de Valentino, Ferré, Versace e Armani, “que depois eram vendidas em todos os cantos do Planeta”. [17] A indústria têxtil italiana tinha sido tomada de assalto pelos métodos da Camorra e agia em consórcio periclitante com ela!

As atividades econômicas da Camorra, certamente, não paravam por aí. Estendiam-se a tudo quanto fosse lucrativo: narcotráfico, armas, prostituição e contrabando. Logo mais, ao analisar o poder de fogo do clã de Secondigliano, abordarei estes aspectos. Os negócios da Camorra foram os responsáveis, também, pela aproximação dos mafiosos em relação aos políticos. Os clãs partiram para, em alguns casos, apoiar claramente ou simplesmente tirar do caminho concorrentes inoportunos dos políticos amigos. Far-se-á referência a este ponto também um pouco mais adiante.

4 – Kaláshnikov (ou a democratização do assassinato).

A entrada em cena das armas de guerra marca um limite significativo no caminho da violência dos grupos mafiosos. Pode-se falar de um antes e um depois desse fato. Assim aconteceu no Rio de Janeiro quando, no primeiro governo de Leonel Brizola, a polícia ficou impossibilitada de subir nos morros à procura de meliantes entre 1983 e 1986, simplesmente porque as autoridades estaduais achavam que tal medida era discriminatória contra negros e pobres. Sabe-se que a decisão teve uma finalidade nitidamente populista: não incomodar esse eleitorado fiel, que constituía a massa de manobra do “socialismo moreno” brizolista. A partir desse período, os traficantes tornaram-se fortes nesses redutos e passaram, mancomunados com o cartel de Medellín, a importar armas de guerra: os fuzis de assalto AR-15. [18]

Algo semelhante ocorreu em Secondigliano: a entrada de armas de guerra marcou um antes e um depois dos conflitos entre os clãs da Camorra e destes com as autoridades, a partir dos anos oitenta. A circunstância que tornou possível a aquisição de armamento de guerra por parte da Camorra foi a queda da Cortina de Ferro. Os mafiosos aproveitaram os espaços de penetração nos antigos países comunistas do Leste europeu e adquiriram, das forças armadas desmanteladas, grandes depósitos de armas, notadamente de fuzis kaláshnikov.

Eis o relato de Saviano a respeito: “Logo assim que caiu a tela socialista, a Camorra reuniu-se com os dirigentes dos partidos comunistas em decomposição. Sentou à mesa de negociações em representação do Ocidente poderoso, capaz e silencioso.  Conhecedores da crise, os clãs compraram extraoficialmente aos estados do Leste – Romênia, Polônia, a antiga Iugoslávia -  depósitos inteiros de armas, pagando durante anos o salário aos vigilantes, aos guardas, aos oficiais encarregados da conservação dos recursos militares. Em síntese, pois, uma parte da defesa daqueles países passou a ser custeada pelos clãs. O melhor modo, no fundo, de ocultar as armas era conservá-las nos quartéis. Assim, durante anos e apesar da alternância dos dirigentes, dos conflitos internos e das crises, os boss mantiveram como referência, não o mercado negro de armas, mas os depósitos dos Exércitos do Leste à sua inteira disposição”. [19]

Para garantir o transporte dos armamentos entre os depósitos nos países do Leste e a Itália, os boss da Camorra foram no mínimo originais: roubaram alguns caminhões da OTAN, tendo mantido a pintura original dos mesmos. Assim, puderam trazer, sem problema, os armamentos necessários até Nápoles, a fim de abastecer aos matadores dos clãs. É evidente que na circulação dos caminhões roubados rolou muito dinheiro da Camorra para silenciar policiais e gendarmes. Mas tudo foi feito sem sofrer perdas significativas. O clima de leniência em face das atividades das máfias ficou claro num texto que Saviano achou numa revista da OTAN, destinada aos familiares dos militares americanos que iriam servir na Itália. Eis o teor do texto: “Para entender onde vocês vão morar, devem pensar nos filmes de Sergio Leone. É como no Remoto Oeste: está quem manda, há tiroteios, bem como regras não escritas e inatacáveis. Mas não é para vocês se preocuparem: para com os cidadãos e militares estadunidenses haverá o máximo respeito e a máxima hospitalidade. Em qualquer caso, saiam da zona militar unicamente quando necessário”. [20]

As obscuras atividades mafiosas no terreno da aquisição de armamentos não ficou reduzida, apenas, à compra dos fuzis de assalto kaláshnikov. Abarcou, também a aquisição fraudulenta de carros de assalto e blindados. A respeito, escreve Saviano: “A sabedoria do poder leva implícita uma paciência que amiúde não possuem os empresários mais hábeis.

Dentre os clãs que integram a Camorra, o Di Lauro foi aquele que aperfeiçoou o aparelho militar, juntamente com a estrutura do comércio de tóxicos, de longe o negócio mais lucrativo dos mafiosos. A organização conta com cinco níveis: o primeiro, de promotores e financiadores, é integrado pelos quatro máximos dirigentes do clã, que controlam as atividades do tráfico e venda através de uma ampla rede de afilhados diretos. O segundo nível é integrado pelos que manejam diretamente a droga, a compram e a preparam, a fim de que seja distribuída aos vendedores pelos denominados “camelos”, que contam com defesa legal caso sejam presos. O terceiro nível é formado pelos denominados “chefes de praça”, aqueles membros do clã que estão em contato permanente com os “camelos” e com os “pali” ou olheiros; são os encarregados de elaborar os mapas com as rotas de fuga e de administrar os lugares onde se guarda a droga e onde se pratica a “cortada”, ou seja, o preparo para a venda em pequenas quantidades. O quarto nível, o que enfrenta mais riscos, é constituído pelos “camelos”, ou transportadores da droga. O quinto nível corresponde à equipe militar, integrada por um grupo brutal de choque e uma ampla rede de colaboradores para as ações armadas. Calcula-se que este nível é integrado por aproximadamente trezentas pessoas entre matadores ou “killers” e colaboradores. Cada nível divide-se em outros sub-níveis, que se relacionam diretamente com o seu chefe, sendo desconhecida por eles a totalidade da estrutura; parece que os mafiosos aprenderam essa forma de organização do Partido Comunista, a fim de impedir a delação dos restantes membros da organização perante as autoridades.  A organização total do grupo mafioso parece-se mais com uma colcha de “fractais”, ou cachos de banana cujas unidades são mais cachos, indefinidamente.

Os lucros da atividade de tráfico de drogas pelos clãs da Camorra são enormes. Somente o Clã Di Lauro fatura com essa atividade ilícita quinhentos mil euros por dia. Um quilograma de coca custa aproximadamente mil euros ao produtor; quando chega aos mafiosos atravessadores já custa trinta mil euros. Trinta quilos convertem-se em cento e cinquenta depois da primeira “cortada”: um valor de mercado de aproximadamente quinze milhões de euros.

Ilustrando a logística do clã Di Lauro para as atividades militares, escreve Saviano: “Uma organização que contava como mínimo com trezentas pessoas, todas pagas. Uma estrutura complexa onde tudo estava colocado numa ordem precisa. Estava o parque de carros e de motos, sempre disponível como uma estrutura de emergência. Estava a armeria, escondida e conectada com uma rede de ferreiros preparados para destruir as armas imediatamente após serem usadas para os homicídios. Havia uma rede logística que permitia aos killers ir, logo depois de praticar um assassinato, para treinarem num polígono regular de tiro onde eram registradas as entradas, a fim de misturar os traços de pólvora de bala e ter um álibi para eventuais exames de stub. O stub é o que mais temem todos os killers; a pólvora de bala que jamais desaparece e que constitui a prova mais acachapante. Havia, também, uma rede que facilitava a roupa aos grupos de choque, training anódino e casco integral de motorista, que era destruído imediatamente depois. Uma empresa invulnerável, de mecanismos perfeitos ou quase. Não se trata de ocultar uma ação, um homicídio, uma inversão, mas simplesmente de fazer com que seja indemonstrável perante um tribunal”. [21]

Os lucros astronômicos dos traficantes da Camorra garantem regular distribuição de ganhos entre os “trabalhadores” a serviço da empresa de narcotráfico. Saviano sintetizava essa situação referindo-se aos pagamentos regulares que a Camorra paga no norte de Nápoles. A respeito escreve: “Os soldos são distribuídos semanalmente: cem euros para os vigilantes, quinhentos para o coordenador e caixa dos camelos de uma praça, oitocentos para o camelo e mil para aquele que se ocupa dos armazéns e esconde a droga em casa. Os turnos vão das três da tarde até meia-noite e da meia-noite até as quatro da madrugada; de manhã é muito raro que haja vendas porque há muita polícia rondando. Todos têm um dia de descanso e se chegarem tarde à praça de venda da droga, por cada hora é descontada a soma de cinquenta euros do pagamento semanal”. [22]

O mercado da droga é o da morte. São numerosos os casos de viciados que morrem no teste de pureza da cocaína misturada com outras substâncias, no denominado “corte” ou “cortada”. Para saber se a mistura feita pelos traficantes é comercializável, as gangues da Camorra distribuem cocaína com a mistura feita entre viciados utilizados como cobaias. Se o provador morre, calcula-se outra proporção de mistura até a operação ter sucesso.

As faidas ou lutas entre duas famílias do crime organizado, típicas da máfia napolitana, deixam um rastro constante de assassinatos nas ruas de Nápoles e das cidades vizinhas. “O furgão que recolhe os mortos – escreve Saviano – vai continuamente de um lado para outro, desde Scampia até Torre Annunziata. Recolhe, amontoa, retira cadáveres de gente assassinada. A Campânia é o território da Itália onde há mais assassinatos e ocupa um dos primeiros lugares do mundo. As rodas do carro mortuário são bastante lisas; bastaria com fotografar os pneus enferrujados (...) para ter a imagem símbolo desta terra (...)”. [23]

O negócio do narcotráfico, no sul da Itália como na Colômbia, fez investimentos pesados na construção civil, a fim de branquear os milhões de euros acumulados nas transações ilegais. De forma análoga ao Petrolão brasileiro, a indústria da construção na Itália foi a atividade econômica por onde a hemorragia do dinheiro público passou a engrossar os bolsos dos mafiosos.

Assim como a Camorra penetrou na indústria da moda, contaminando-a com a sua identidade marginal, a indústria da construção civil foi sendo ocupada pelo espírito e os dinheiros mafiosos, através do clã dos Casali. A respeito escreve Saviano: “Estas empresas tendem a agir de forma extremadamente competitiva. Possuem autênticas colônias criminais nas regiões de Emília, Toscana, Úmbria e o Vêneto, onde as auditorias e os controles antimáfia são mais leves e permitem a transferência de seções empresariais inteiras. Os Casalesi primeiro impuseram a mordida (ou contribuição forçada) aos empresários do norte da Campânia e agora gerenciam diretamente o mercado. Nas províncias de Modena e de Arezzo, os Casalesi têm nas suas mãos a maior parte dos negócios da construção e importam mão de obra basicamente casertana”. [24]

A ocupação da indústria da construção civil pela máfia napolitana terminou marcando com o signo da marginalidade uma atividade antes livre da cooptação criminosa. A Itália viu associada aos interesses da Camorra uma das principais fontes de ingresso do país. “A concreção do cimento e dos tijolos – escreve Saviano -, é a única materialidade que verdadeiramente conhecem os bancos italianos. Pesquisa, laboratório, agricultura, artesanato, os diretores da banca os entendem como territórios difusos, lugares sem presença da gravidade sequer. Habitações, planos, azulejos, tomadas de telefone e de corrente: essas são as únicas concreções que reconhecem. Eu sei e tenho as provas. Sei como tem sido construída média Itália. E mais de média. Conheço as mãos, os dedos, os projetos. (...) Os empresários italianos que triunfam provêm do cimento”. [25]

Nem o meio ambiente escapou á cooptação da Camorra. O sul da Itália, pelas mãos dos mafiosos napolitanos, transformou-se no vertedouro do lixo tóxico do norte do país e da Europa Ocidental em geral. Para lá são levados milhões de toneladas de lixo tóxico não reciclado, com as consequências trágicas conhecidas para a saúde dos moradores. Aumentaram brutalmente nas últimas décadas os índices de doenças provocadas pela contaminação ambiental, notadamente o câncer e as deformações genéticas. “Os resíduos tinham inchado a barriga do sul da Itália - escreve Saviano -, tinham-na estendido como um ventre grávido, cujo feto não se desenvolveria jamais e que abortaria dinheiro para logo voltar a ficar grávido, até abortar de novo e logo novamente se inchar até destruir o corpo, sufocar as artérias, obturar os brônquios e destruir as sinapses. Continuamente, continuamente, continuamente...”. [26]

5 – Dom Peppino Diana (ou a dignidade contra a tirania).

Em que pese o fato de coletividades humanas optarem pelo “suicídio político”, como lembrou o prêmio Nobel Mário Vargas Llosa, [27] há, na região dominada pela Camorra, salutar reação da sociedade civil contra esse cenário de cooptação, destruição e morte. A voz mais forte foi a do padre Peppino Diana que, desde o púlpito, questionou com coragem os desmandos da máfia napolitana, conclamando as pessoas para que não se deixassem cooptar por essa maré de obscurantismo e violência.

As palavras de denúncia do jovem sacerdote napolitano na sua paróquia de San Nicola de Bari não poderiam ter sido menos contundentes: “Assistimos impotentes à dor de tantas famílias que veem os seus filhos acabar miseravelmente como vítimas ou mandantes das organizações da Camorra (...). Hoje a Camorra é uma forma de terrorismo que infunde temor, impõe as suas leis e trata de se converter num componente endêmico da sociedade da Campania. Os camorrista impõem, mediante a violência, as armas e os punhos, regras inaceitáveis: extorsões que fizeram com que nossas terras se convertessem cada vez mais em áreas objeto de subvenções e ajudas, sem nenhuma capacidade autônoma de desenvolvimento; comissões de 20 por cento e mais sobre os trabalhos de construção, que desencorajariam ao mais ousado dos empresários; tráficos ilícitos para a aquisição e a venda de substâncias estupefacientes cujo uso deixa montes de jovens marginalizados e massas de trabalhadores à disposição das organizações criminais; enfrentamentos entre diferentes facções que se lançam como devastadores sobre as famílias de nossas terras; exemplos negativos para toda a faixa adolescente da nossa população, autênticos laboratórios de violência e do crime organizado (...). Nosso compromisso profético de denúncia não deve e não pode esmorecer; Deus nos chama a sermos profetas. O Profeta faz o papel de sentinela: vê a injustiça e reclama o projeto originário de Deus (Ezequiel, 3, 16-18);  O Profeta lembra o passado e se serve dele para entender o novo no presente (Isaías, 43); o Profeta invita a viver e ele mesmo vive a solidariedade no sofrimento (Gênese 8, 18-23); o Profeta assinala como prioritária a via da justiça (Jeremias 22,3; Isaías, 58). Aos sacerdotes nossos pastores e irmãos pedimos que falem claro nas homilias e em todas aquelas ocasiões que requeiram um testemunho valoroso. À Igreja, que não renuncie ao seu papel profético, a fim de que os instrumentos da denúncia e da mensagem se convertam em capacidade para produzir uma nova consciência no sinal da justiça, da solidariedade dos valores éticos e civis”. [28]

Como não podia deixar de ser numa terra dominada pela Camorra, Dom Peppino Diana foi assassinado por um killer quando se preparava para celebrar a missa dominical. Saviano recupera a mensagem do corajoso sacerdote, faz suas as palavras do pastor e ele mesmo escreve a sua obra como denúncia contra um estado de coisas inaceitável, mesmo que isso tenha lhe custado a tranquilidade e a necessidade de se acolher à proteção das autoridades, sob o anonimato.

Roberto Saviano não se considera religioso. Mas encontrou nas palavras de Dom Peppino Diana um testemunho em prol da verdade e da valorização da palavra como denúncia das injustiças, que ele, na sua condição de jornalista, assume à maneira de um imperativo categórico. “Nunca, na minha vida, nem por um momento sequer, senti-me um devoto. E, no entanto a palavra de Dom Peppino encontrava em mim um eco que conseguia transcender a linha religiosa. Forjava um método novo que vinha refundar a palavra religiosa e política. Uma fé na possibilidade de criticar a realidade (...). Uma palavra capaz de rastrear o curso do dinheiro seguindo as pegadas do seu fedor (...)”. [29]

A corajosa atitude de Dom Peppino Diana tem sido lembrada não apenas por Saviano, mas por outros jornalistas. Entre profetas e profissionais da imprensa não deixa de haver, nestes conturbados tempos de cinismo econômico e político, um elo de ligação. Após os múltiplos assassinatos de jornalistas ocorridos recentemente em Paris, com motivo do atentado terrorista contra Charlie Hebdo, mais do que nunca ficou clara essa ligação. Jornalistas e profetas se assemelham. Ambos denunciam os atentados contra a dignidade humana. Ambos defendem a liberdade e, frequentemente, pagam com a sua vida pela coragem de falar em nome dos injustiçados.

A memória de Dom Peppino não morreu entre os napolitanos graças aos seus familiares e aos jornalistas. A propósito escreve Saviano: "Os que defenderam a sua memória foram os amigos de sempre, os familiares e as pessoas que seguiam as sua trajetória, como o jornalista Raffaele Sardo, que tem guardado a sua memória em artigos e livros, e a jornalista Rosaria Capacchione, que tem pesquisado as estratégias dos clãs, as astúcias dos arrependidos, o seu poder complicado e brutal”. [30]

Bibliografia

BURCKHARDT, Jacob. La Civilisation en Italie au temps de la Renaissance. (Tradução francesa de M. Schmitt). Paris: Plon, 1877, 2 volumes.

GUIZOT, François. Histoire de la Civilisation en Europe depuis la chute de l´Empire Romain jusqu´à la Révolution Française. 8ª edição. Paris: Didier, 1864.

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Edição comemorativa dos 500 anos da obra. São Paulo: Geração Editorial, 2013.
PAIM, Modelos éticos: introdução ao estudo da moral, Curitiba: Champagnat, 1994.

SALAZAR, Alonso. La parábola de Pablo – Auge y caída de un gran capo del narcotráfico. 1ª edição. Medellín: Planeta, 2001.

SAVIANO, Roberto. Gomorra. (Tradução ao espanhol de Teresa Clavel y Francisco J. Ramos Mena). 24ª edição. Barcelona: Debolsillo / Penguin Random House, 2007.

TOCQUEVILLE, Alexis de.  Oeuvres II – De la Démocratie en Amérique. Paris: Gallimard, 1992, p. 471.

VARGAS LLOSA, Mário. “Suicídio político em voga”. O Estado de S. Paulo, 08/02/2012, pg. A14.

VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “Violência e narcotráfico no Rio de Janeiro – Perspectivas e impasses no combate ao crime organizado”. Carta Mensal, Rio de Janeiro, vol. 49, nº 586 (janeiro 2004): p. 7-70.

WEBER, Max. Economía y sociedad. 1ª edição em espanhol. (Tradução de José Medina Echavarría et alii). México: Fondo de Cultura Económica, 1944, 4 volumes.







[1] WEBER, Max. Economía y sociedad. 1ª edição em espanhol. (Tradução de José Medina Echavarría et alii). México: Fondo de Cultura Económica, 1944, 4 volumes. A parte correspondente ao Patrimonialismo é desenvolvida por Weber no 4º volume.
[2] GUIZOT, François. Histoire de la Civilisation en Europe depuis la chute de l´Empire Romain jusqu´à la Révolution Française. 8ª edição. Paris: Didier, 1864.
[3] Cf. MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. Edição comemorativa dos 500 anos da obra. São Paulo: Geração Editorial, 2013.
[4] BURCKHARDT, Jacob. La Civilisation en Italie au temps de la Renaissance. (Tradução francesa de M. Schmitt). Paris: Plon, 1877, 2 volumes.
[5] Cf. TOCQUEVILLE, Alexis de.  Oeuvres II – De la Démocratie en Amérique. Paris: Gallimard, 1992, p. 471.
[6] SAVIANO, Roberto. Gomorra. (Tradução ao espanhol de Teresa Clavel y Francisco J. Ramos Mena). 24ª edição. Barcelona: Debolsillo / Penguin Random House, 2007.
[7] Assim é apresentado o autor da obra pelos editores, na primeira contracapa do livro: “Roberto Saviano (Nápoles, 1979) tornou-se conhecido em 2006 ao publicar Gomorra, que foi publicado em mais de quarenta países e até agora vendeu mais de três milhões de exemplares em todo o mundo. O filme, cujo roteiro é do próprio Saviano, obteve o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes. Após as ameaças recebidas pelos clãs da Camorra que denuncia no seu livro, dezessete prêmios Nobel assinaram um manifesto que gerou um movimento de solidariedade e apoio internacional do qual formam parte centenas de milhares de pessoas. Saviano colabora com os principais jornais internacionais, como El País, The Times, The Washington Post, L´Espresso, La Repubblica, Expressen ou Die Zeit. Os seus livros mais recentes são: O contrário da morte (2007) e A beleza e o inferno (2009), que em 2010 obteve o Prêmio Livro Europeu na categoria de ensaio. Desde 2006, vive sob proteção oficial”.
[8] Antônio Paim caracterizou adequadamente este modelo ético, como aquele que decorre do pressuposto de que “os fins justificam os meios”. Cf. PAIM, Modelos éticos: introdução ao estudo da moral, Curitiba: Champagnat, 1994.
[9] SAVIANO, Roberto. Gomorra, ob. cit., p. 19-20.
[10] SAVIANO, Roberto. Gomorra, ob. cit., p. 20.
[11] SAVIANO, Roberto. Gomorra, ob. cit., p. 22.
[12] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p.47.
[13] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 49-50.
[14] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 51-52.
[15] SALAZAR, Alonso. La parábola de Pablo – Auge y caída de un gran capo del narcotráfico. 1ª edição. Medellín: Planeta, 2001.
[16] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 52-53.
[17] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 53.
[18] Cf. VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “Violência e narcotráfico no Rio de Janeiro – Perspectivas e impasses no combate ao crime organizado”. Carta Mensal, Rio de Janeiro, vol. 49, nº 586 (janeiro 2004): p. 7-70.
[19] SAVIANO, Roberto. Camorra, ob. cit., p. 176-177.
[20] Cit. por SAVIANO, Roberto. Camorra. Ob. cit., p. 177.
[21] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 75-76.
[22] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 77.
[23] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 96.
[24] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 225.
[25] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 233-234.
[26] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 303.
[27] VARGAS LLOSA, Mário. “Suicídio político em voga”. O Estado de S. Paulo, 08/02/2012, pg. A14.
[28][28] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 241-242.
[29] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 247.
[30] SAVIANO, Roberto. Gomorra. Ob. cit., p. 256.

Nenhum comentário:

Postar um comentário