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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

ESCONJURANDO O ATRASO

Superaremos o "pibinho" por um projeto de República que mereça esse nome?


Chegou 2014 e o Brasil ficou patinando na mediocridade. A grande causa da mesma são as decisões erradas que o país tomou ao longo da última década. Foi certamente uma década perdida. Eleger o PT constituiu um erro. Mas esse erro foi um sarampo pelo que o Brasil precisava passar. Muita gente acreditava, há dez anos, em soluções messiânicas. E Lula se ajustou perfeitamente a essa conjuntura, com a sua pregação salvacionista e a índole doutrinário-redentora do PT, que apregoava, aos quatro cantos, o reino da virtude. Ninguém checou se a “Carta ao Povo Brasileiro”, de 2002, com que o marqueteiro de Lula conseguiu convencer a classe média, tinha fundamento para valer. Hoje provavelmente muitos dos que apostaram na solução salvacionista tenham ficado ressabiados. 
 

O diabo é que Lula e o PT colocaram em funcionamento o maior programa de compra de votos do mundo, segundo palavras do senador Jarbas Vasconcelos, na famosa entrevista concedida à Revista Veja em 2009 [“O PMDB é corrupto” entrevista publicada na edição número 2100, de 18 de fevereiro de 2009]. Nessa entrevista, o senador frisava: “O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo (...). Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece”.


Ora, não se desmitologiza uma crença se ela não mostra, na prática, aonde pode nos conduzir.  E se não for substituída por outra crença que ocupe o seu lugar, como frisava Ortega y Gasset. O problema é que demoramos dez anos para cair na real. Poderíamos ter esconjurando o fantasma logo após o primeiro governo Lula. Mas preferimos ficar em “berço esplêndido”, fazendo de conta que tudo estava ótimo.  O máximo que os políticos contrários à onda lulopetista fizeram foi “deixar sangrar” o Lula após o affaire do mensalão, sendo que tinham nas mãos a possibilidade de coloca-lo para fora do poder mediante um impeachment. Faltou coragem de estadistas aos que faziam oposição. Lula, como bom populista, se refez aproveitando o vácuo de inação dos oposicionistas e o resultado todos conhecemos: reergueu-se, deu a volta por cima e, em 2006, reelegeu-se para mais quatro anos de palanque e de roubalheira lulopetralha.


A solução é o caminho da razão e a penosa tarefa de elaborarmos um plano de governo que coloque freio à pretensa hegemonia lulopetista. Precisamos substituir a crença no salvacionismo messiânico fácil, profundamente ancorada no sentimento sebastianista do povo brasileiro, pela convicção de que sem defesa da liberdade dos indivíduos e de que sem transparência na gestão dos negócios públicos não há República que mereça esse nome. Trata-se, hoje, de substituir Marx e Gramsci por Kant e por Tocqueville. Devemos superar a crença fácil de que o “novo príncipe” nos conduzirá à riqueza e à felicidade geral da Nação e substituí-la pela convicção de que somente a defesa da liberdade e o reto uso da razão na gestão pública poderão nos remir das desgraças presentes. 

Quando falo em defesa da liberdade, considero que ela deve ser objetivo a ser conquistado em todos os campos, o econômico, o político e o cultural. No campo econômico, com o fim da ideia do Estado empresário em que embarcou falaciosamente a esquerda. No campo político, com a defesa da representação e do seu aprimoramento, contra a falaz proposta da “democracia da praça pública” que conduz à manipulação da massa pelos militantes jacobinos. No campo cultural, com a valorização da cultura humanista e da formação do cidadão nela, a fim de não cair na cilada do dogmatismo cientificista. A democracia, certamente, não cai do céu. Precisamos construí-la. Diante do desgoverno destes dez anos de privatização do poder por um partido, devemos sacudir o pó e nos reerguermos com coragem, para enfrentarmos a tarefa de pensar o Brasil da próxima geração.

Um comentário:

  1. É isso aí professor, o que o Brasil mais precisa são Kants e Tocquevilles, que possam desconstruir o mito dos petralhas.

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