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segunda-feira, 24 de maio de 2010

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA COLÔMBIA

 Os candidatos para as elleições de domingo (de esquerda para a direita): Antanas Mockus, Germán Vargas Lleras, Gustavo Petro, Rafael Pardo, Noemí Sanín e Juan Manuel Santos. (Fonte: El Colombiano, Medellín)

No próximo domingo, 30 de maio, os colombianos elegerão novo presidente. Seis são os candidatos: Juan Manuel Santos (59 anos, economista, ex-ministro da Defesa do atual governo, do Partido Uribista), Antanas Mockus (58 anos, ex-prefeito de Bogotá, filósofo e matemático, do Partido Verde), Noemi Sanín (61 anos, advogada e economista, ex-ministra das Relações Exteriores e diplomata, do Partido Conservador), Gustavo Petro (50 anos, economista, parlamentar, do Partido do Pólo Democrático), Germán Vargas Lleras (48 anos, advogado e cientista político, parlamentar, do Partido do Cambio Radical) e Rafael Pardo (57 anos, economista e especialista em relações internacionais, ex-ministro da Defesa, do Partido Liberal). Trata-se de uma nova geração de políticos com um variado leque de opções programáticas que vão desde o centro (Santos, Sanín, Vargas Lleras, Pardo), passando pela esquerda moderada (Mockus) e chegando até a esquerda socialista (Petro).

A campanha, em que pese a enorme popularidade do presidente Uribe (que tentou ver aprovada, em vão, a sua terceira candidatura ao poder), desenvolveu-se rigorosamente dentro dos marcos legais. A máxima autoridade eleitoral da Colômbia exerceu uma forte vigilância sobre os candidatos, de forma tal que se tornou praticamente impossível a figura do presidente-no-palanque, tão comum nos atuais momentos da política brasileira. As propostas dos candidatos foram amplamente discutidas em foros e debates pela mídia e em meios acadêmicos e populares. Os seis aspirantes à presidência deixaram claro que não aceitariam a ingerência de governos estrangeiros no atual pleito colombiano, fazendo frente, assim, às ameaças de intromissão de governantes inescrupulosos como Chávez (da Venezuela) e Corrêa (do Equador).

É muito significativa a campanha que ora termina, reveladora da maturidade democrática adquirida pelas instituições colombianas, que sobreviveram incólumes a quatro décadas de conflito civil. Não é à toa que a Colômbia tem sido tradicionalmente arrolada como uma das democracias mais estáveis da América Latina, em que pese as turbulências políticas e sociais enfrentadas pelo país, ao longo do século XX e no início deste milênio. Um dado curioso: apesar das crises da economia mundial, o país vizinho sempre se caracterizou por honrar os seus compromissos financeiros com os organismos internacionais e com os outros países. O governo da Colômbia jamais praticou o calote. Qual a razão disso? Muito simples: os ministros da Fazenda, tradicionalmente, são indicados pelo setor privado, no contexto da prática de “consertación”, tradicional à formulação das políticas econômicas na Colômbia. Ministro caloteiro será, inevitavelmente, empresário falido. Diferente do clima de festival de calotes que vigorou no cone sul do Continente, com exceção do Chile, ao longo das últimas décadas.

Na reta final da campanha aparecem como favoritos dois candidatos: Juan Manuel Santos e Antanas Mockus. O primeiro, segundo os institutos de pesquisa, apresenta um índice de 35% de intenção de votos, ao passo que o segundo aparece com 34%. Trata-se de um empate técnico, que deverá ser solucionado no segundo turno, que ocorrerá em 20 de Junho. Para este, os institutos de pesquisa projetam uma vitória apertada, por apenas um ponto, de Mockus (45%) sobre Santos (44%). Muitas emoções são esperadas para o segundo turno da eleição presidencial colombiana, na tentativa de seduzir o 7% de indecisos do primeiro turno, que certamente definirão a contenda eleitoral. Qualquer um que seja o vencedor, as opções da gestão pública no país vizinho não mudarão de forma radical. Tanto Mockus quanto Santos defendem a permanência das políticas que foram conhecidas como de “seguridad democrática”. Ambos os candidatos prometeram continuar com o combate firme contra os narcoterroristas das FARC, bem como contra os paramilitares. Ambos prometeram continuar a zelar pelo aperfeiçoamento da segurança pública nas cidades, completando a modernização das Forças Policiais e preservando a capacidade já adquirida das Forças Armadas (que receberam ampla reforma modernizadora ao longo das últimas duas décadas).

As diferenças que podem aparecer na parte final da campanha, visando ao segundo turno, talvez corram por conta da maior ênfase de Mockus nas políticas sociais, sem que mude o foco das políticas macroeconômicas firmadas por Uribe, que deram ao país a possibilidade de crescimento sustentado da economia (que foi de 7,55% em 2007 e que, para este ano, será de 5% a 6%). Também não deverá mudar o ambiente de segurança jurídica firmado pelo atual governo (com garantia de estabilidade tributária para as empresas num período de 20 anos). Embora o desemprego ainda seja alto (12,3%), a expectativa é que diminua ao longo dos próximos anos, em decorrência da aceleração continuada do crescimento econômico, fruto principalmente do aumento das exportações que hoje chegam a 15 bilhões de dólares. Este índice tende a aumentar por força dos novos tratados de livre comércio assinados recentemente com a União Européia, com o Mercosul, com o Chile, o Canadá e os países da América Central. O tratado de livre comércio com os Estados Unidos, freado pela chegada dos democratas ao poder, terá muitas probabilidades de chegar a bom termo no caso da vitória de Mockus, que é visto com bons olhos (do ponto de vista dos Direitos Humanos) pelo Departamento de Estado. O exprefeito de Bogotá, certamente, tem chances firmes de se tornar o próximo presidente colombiano.

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