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sábado, 8 de dezembro de 2012

O ALERTA DO "THE ECONOMIST"



Os brios nacionalistas saltaram à flor da pele da presidente Dilma e da petralhada no poder, ao ensejo do alerta da Revista inglesa The Economist acerca da confiabilidade da economia brasileira. Não se tratou de ofensa à nossa dignidade nacional. Foi mais um alerta dos mercados internacionais acerca da capacidade do Brasil de atrair investimentos em épocas de turbulência global e vacas magras financeiras. Ora, o que os jornalistas da conceituada revista queriam destacar era, a meu ver, o significado do péssimo gerenciamento da nossa economia, entravada por um intervencionismo governamental asfixiante que tolhe investimentos, afugenta inversionistas e assinala que voltamos aos tempos da insegurança jurídica generalizada. 


Esse significado é de que não vale a pena investir no Brasil. Além das variáveis apontadas, destaquemos estas outras que, sem dúvida, devem ter sido levadas em consideração pelos observadores internacionais: em primeiro lugar, a corrupção generalizada desatada pelos “companheiros” no poder, tanto no episódio do Mensalão, quanto no mais recente affaire desvendado pela operação Porto Seguro que compromete de novo figuras da alta cúpula petista, a começar pelo ex-presidente Lula. Em segundo lugar, deve ser lembrada a baixíssima competitividade com que o Brasil se apresenta perante as agências internacionais de classificação, em decorrência da elevadíssima carga tributária e da desindustrialização. Em terceiro lugar, a situação ruim da nossa infraestrutura aeroportuária, portuária e de rodovias. Em quarto lugar, os baixíssimos índices de qualidade da nossa educação, com as conseqüências seriíssimas que daí decorrem para o desenvolvimento econômico. Em quinto lugar, o péssimo gerenciamento da Petrobrás em face da política de preços dos combustíveis, que está descapitalizando a empresa (que caiu, nas mãos petistas, numa espécie de síndrome mexicana para pagar o populismo de plantão). Em sexto lugar, o aparelhamento, pela petralhada, de outrora confiáveis agências de pesquisa como o IPEA e o IBGE, que passaram a dizer o que o governo quer, não o que de fato acontece na realidade econômica brasileira. Por último, o desastre que é a nossa infraestrutura em saúde pública e em segurança.


De nada valem os arroubos nacionalistas da chefe do Executivo para dar resposta a essa preocupação dos mercados. Contrariamente ao que o bom senso assinala, em lugar de escutar o alerta dos que conhecem a atual conjuntura econômica mundial, o governo prefere fazer eco à tresloucada reação dos populismos que o cercam: efetivamente, Chávez e a presidente Kirchner teriam dito, em termos de resposta à mídia, mais ou menos as mesmas palavras da Dilma. Não faremos nada do que os observadores internacionais aconselham. Em compensação, revitalizaremos os laços político-ideológicos do Mercosul, em torno a um populismo econômico que traz inflação e afugenta investidores. Populistas da América Latina, uni-vos! Essa é a nova consigna revolucionária.

Um comentário:

  1. Parece que há outro ingrediente: o incentivo ao consumismo financiado pelo qual a população e o governo estão se endividando.

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