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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

OS DEZ PRINCIPAIS INIMIGOS DE BOLSONARO [PERCIVAL PUGGINA]



AMIGOS, divulgo artigo muito esclarecedor do escritor e arquiteto PERCIVAL PUGGINA, publicado no seu blog em 22 de setembro de 2019. Acho uma análise bastante completa, em torno aos muitos inimigos que agem contra o nosso Presidente. Acabarão com ele? Puggina considera que há uma força que dá sustentação ao Presidente, integrada pelos muitos cidadãos de bem que, cansados de tanta corrupção e safadeza praticada pela esquerda no Brasil, enxerga em Bolsonaro um mandatário capaz de dar rumo diferente à nau do Estado. Não percamos as esperanças. Cerremos fileiras ao redor do nosso Presidente! 


Dedicado ao que habitualmente faço, ou seja, a observar a cena política nacional, percebi que o Presidente da República está no meio de um fogo cerrado desencadeado pelo conjunto de forças que a ele se opõem. Vem bala de todo lado. Ocorreu-me então que identificar as origens desses ataques poderia organizar as estratégias de defesa muitas vezes difíceis de hierarquizar quando são simultâneos. Foi assim que cheguei a esta lista dos 10 principais inimigos do governo Bolsonaro. São eles:
          1 – Os eleitores de Haddad, Ciro Gomes, Marina Silva, Guilherme Boulos e demais candidatos pela esquerda derrotados em 2018.
          2 – Os estatistas. Compõem um conjunto muito poderoso de pessoas, habituadas a viver à sombra do Estado. São competentes, normalmente ascenderam às suas posições mediante concurso público, têm uma vida confortável e segura à qual se habituaram. Há em torno de si um grupo bem mais numeroso de servidores que participam de benefícios análogos. A maioria dessas pessoas não quer nem ouvir falar em cortes de verbas, dificuldades fiscais, contigenciamentos e outros termos igualmente incômodos.
3- As muitas seitas do movimento comunista atuantes nas novas formas de luta de classe introduzidas no país durante as últimas décadas. Buscaram prerrogativas e direitos especiais e os querem proteger de um presidente que sempre se opôs a isso.
4 – A visão de mundo que domina as posições do STF. A expressão “visão de mundo” aparece repetidas vezes nas manifestações de muitos senhores ministros. Eles consideram que el color del cristal con que miran é único certo. Nenhum deles é conservador ou liberal. Sua manifesta visão de mundo torna-se, pelo poder que detêm, um dos maiores problemas do país.
5 – O aparelhamento político do Estado. Sucessivos governos de esquerda permitiram um generalizado, profundo e manhoso aparelhamento da burocracia nacional. Essa máquina, que inclui toda a Administração, penetrada pela influência política ao longo de décadas, usa contra o governo, à exaustão, os instrumentos públicos de que dispõe.
6 – Os partidos de esquerda com atuação no Congresso Nacional, a saber: PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB e Rede e o Clube dos Corruptos. O grupo não tem representação parlamentar suficiente para parar o governo, mas tem votos e prerrogativas regimentais para atrapalhá-lo. Em muitos casos, partidos de esquerda agem em parceria com o Centrão e com parte da direita no Clube dos Corruptos, dedicados a legislar em causa própria, chantagear o governo e extorquir o Erário. Com raras exceções, são inimigos da Lava Jato e da Lava Toga.
7 – O jornalismo militante que, de modo individual ou coletivo, com determinação editorial ou não, faz do combate ao governo o eixo de sua atividade cotidiana. De momento, está em grupos da mídia o principal agente opositor, substituindo os partidos, aos quais falta credibilidade para a tarefa.
8 – A miríade de organismos que orbitam e parasitam a esquerda e a ela, direta ou indiretamente prestam serviço. Refiro-me, entre outros, à OAB, à CNBB e suas pastorais, aos sindicatos e suas centrais.
9 – O movimento comunista internacional. É ativa e vigorosa a solidariedade que entretêm com seus parceiros daqui, através de instituições e organizações, periódicos e, em especial, de entidades que, muito seletivamente, atuam no campo dos direitos humanos. Passam longe de Cuba, Venezuela e Nicarágua e vêm cá contar o número de bandidos mortos em confronto com a polícia.
10- O ambiente cultural e acadêmico. Ambos perderam poder, receita, e olham o futuro com insegurança. Sempre foram bem sucedidos e bem remunerados agentes da hegemonia esquerdista.
Diante desse cenário podemos, em contrapartida, construir a lista dos apoiadores, que incluirá, certamente, setores do empresariado, Igrejas Evangélicas, o governo norte-americano e cidadãos de pensamento liberal e/ou conservador que foram eleitores de Bolsonaro em 2018, tendo feito, então, uma opção por mudança. É contra tal segmento demográfico, numeroso e disperso que se voltam, igualmente, os ataques dos inimigos do governo. Nas últimas semanas não tem faltado articulistas, colunistas e comentaristas disparando contra esses cidadãos, visando a seu constrangimento.
Deles se diz serem agentes de um apoio cego, irracional e acrítico. Em outras palavras, se você não preserva sua isenção no cume de um rochedo inatingível como mosteiro medieval, você é um idiota robotizado. Noutra leitura dos mesmos fatos, deve-se presumir que quem ataca o Presidente e seu governo faz uma oposição lúcida, iluminada e iluminista, sincera e veraz, sublime nas intenções e nos métodos.
A ideia desses movimentos táticos é impor a retração da base popular de apoio ao governo. Usam com esse intuito uma falsa coerção moral, uma fake reasoning que desconhece a natureza da política. Se prosperasse a ideia, o governo e seu Presidente, em meio a tanto chumbo grosso, perderiam sua mais consistente sustentação política. Não é hora de soltar a ponta da corda. É hora de redobrar energias. O Brasil está sendo atacado e precisa.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


sábado, 11 de março de 2017

PREVIDÊNCIA: REFORMA JÁ OU NAUFRÁGIO


O Brasil chegou tarde à reforma previdenciária. Ao passo que outros países, como a França, a Inglaterra, a Espanha, o Chile, a Colômbia, etc.,  reformaram os seus sistemas previdenciários nas últimas décadas do século passado, as reformas na área ficaram patinando no Brasil por obra e graça da pressão dos burocratas do Estado (que sempre defenderam os seus privilégios) e da própria sociedade (convencida, em grande parte pelos políticos e pelas lideranças sindicais, de que teria mais a perder com a reforma do que a ganhar). 

Ainda hoje, com os dados escatológicos de que dispomos, as siglas partidárias da oposição de esquerda conseguem erguer a voz para combater a reforma previdenciária com a surrada alegação de que se trata de desconhecer direitos adquiridos.

Os gastos do PIB brasileiro com previdência cresceram brutalmente nas últimas décadas. Ao passo que em 1997 representavam 0,3%, para este ano estão calculados em 2,7% do PIB, com um déficit que no ano passado ficou na casa dos 149,2 bilhões de reais e que neste ano terminará em 181,2 bilhões. Não há como tampar esse buraco enorme com a peneira. Ou se faz uma rigorosa reforma previdenciária já, ou a nau do Tesouro, junto com o Brasil, naufraga.

O elemento que do ângulo da sociedade civil mais atrapalha as coisas é, a meu ver, a cultura sindical que se espraiou pelo país afora e que tem como imperativo moral "tirar vantagem em tudo", só enxergando para o umbigo das reivindicações da respetiva categoria, sem olhar para o conjunto da economia do país. 

Não é de hoje que os estudiosos apontam para essa mentalidade sindical, de cego corporativismo, como o grande entrave ao processo modernizador da gestão da máquina pública. O amigo e professor Francisco Martins de Sousa, no seu estudo sobre o corporativismo (Paradigmas teóricos do autoritarismo brasileiro, Rio de Janeiro: Universidade Gama Filho, 1995), apontava para esse problema. "O Patrimonialismo brasileiro vestiu a camisa sindical", frisava o meu amigo.

O jornalista Percival Puggina, em recente artigo ("Está tudo errado e já quebrou. Mas não mexe!" 10-03-2017) também chamava a atenção para o mal do corporativismo sindical. Escrevia a respeito: "Recordista mundial em número de sindicatos, o Brasil cria 250 novas organizações desse tipo por ano. Segundo a revista Veja, em outubro do ano passado, havia 16.293 deles, prontos para servir de sinecura a dirigentes e de complicador às relações de trabalho. O motivo pelo qual os temos em tal quantidade (125 vezes mais do que os Estados Unidos e 180 vezes mais do que a Argentina) é o mesmo pelo qual são tantos os nossos partidos políticos. Há muito dinheiro fácil para uns e outros. Nenhum direito a menos, lia-se em faixa de passeata ocorrida há dois dias em Porto Alegre. Queremos mais direitos e não menos, proclamava outra, no mesmo evento. Ora, quem disse que muitos direitos são vantajosos ao trabalhador? Fosse assim, Portugal e Espanha estariam recebendo trabalhadores alemães e ingleses. No entanto, o que acontece é o contrário. Recursos humanos de países super regulamentados migram para países onde as relações são mais livres. Aqueles têm as economias mais travadas e pagam salários mais baixos; estes são mais ágeis, prósperos e pagam salários mais altos. Li outro dia que na Venezuela, onde a lei proíbe a demissão de quem ganha salário mínimo os trabalhadores, por motivos óbvios, têm medo de ser promovidos". 

Na Venezuela também há um folclórico ministério "Da felicidade popular". Talvez por esse motivo os ânimos dos nossos vizinhos estejam tão por baixo. Após 13 anos de "benesses sindicais" petistas, o Brasil descobre que é o país latino-americano com mais baixo astral. Psiquiatras e fabricantes de antidepressivos agradecem. Oligarquia sindical dá nisso: infelicidade geral da nação!