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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

UM ROTEIRO PARA O MEC

Amigos, escrevo como docente que, através das vozes de algumas pessoas ligadas à educação e à cultura (dentre as quais se destaca o professor e amigo Olavo de Carvalho), fui indicado para a possível escolha, pelo Senhor Presidente eleito Jair Bolsonaro, como ministro da Educação.

Aceitei a indicação movido unicamente por um motivo: tornar realidade, no terreno do MEC, a proposta de governo externada pelo candidato Jair Bolsonaro, de "Mais Brasil, menos Brasília". Acho que o nosso Presidente eleito ganhou definitivo apoio da sociedade brasileira no pleito eleitoral recente, em decorrência de um fator decisivo: ele foi o único candidato que soube traduzir os anseios da classe média, que externou a insatisfação de todos os brasileiros com os rumos que os governos petistas imprimiram ao país ao ensejar uma tresloucada oposição de raças, credos, nós contra eles, como se não pudêssemos, os habitantes deste país, sedimentar alguns consensos básicos em relação ao nosso futuro. Jair Messias Bolsonaro foi eleito em razão deste fato: traduziu, com coragem e simplicidade, os anseios da maioria dos eleitores. A sua campanha, carente de tempo na mídia e de recursos, ameaçava não decolar. Decolou, e, mais ainda, ganhou as praças e ruas, através de meios singelos de comunicação como o Smartphone e a Internet, coisas que o brasileiro comum utiliza no seu dia a dia desta quadra digital da nossa sociedade tecnológica. 

Como professor e intelectual que pensa nos paradoxos estratégicos do Brasil, apostei desde o início no candidato Bolsonaro. Achei a sua proposta de escutar o que as pessoas comuns pensam uma saída real para a insatisfação e a agonia que as sufocavam, nesses tempos difíceis em que se desenhava, ameaçadora, a hegemonia vermelha dos petistas e coligados. Graças a Deus o nosso candidato saiu vencedor, numa campanha agressiva em que foram desfraldadas inúmeras iniciativas de falseamento das propostas e de fake news, e em que pese o fato de que ele próprio tivesse de pagar um preço alto com a facada de que foi vítima em Juiz de Fora, desferida por um complô do crime organizado com os radicais de sempre.

Enxergo, para o MEC, uma tarefa essencial: recolocar o sistema de ensino básico e fundamental a serviço das pessoas e não como opção burocrática sobranceira aos interesses dos cidadãos, para perpetuar uma casta que se enquistou no poder e que pretendia fazer, das Instituições Republicanas, instrumentos para a sua hegemonia política. Ora, essa tarefa de refundação passa por um passo muito simples: enquadrar o MEC no contexto da valorização da educação para a vida e a cidadania a partir dos municípios, que é onde os cidadãos realmente vivem. Acontece que a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de "revolução cultural gramsciana", com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do "nós contra eles" e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados "intelectuais orgânicos", destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo.

Na linha dos pre-candidatos ao cargo de ministro da Educação foram aparecendo, ao longo das últimas semanas, propostas identificadas, uma delas, com a perpetuação da atual burocracia gramsciana que elaborou, no INEP, as complicadas provas do ENEM, entendidas mais como instrumentos de ideologização do que como meios sensatos para auferir a capacitação dos jovens no sistema de ensino. 

Outra proposta apareceu, afinada com as empresas financeiras que, através dos fundos de pensão internacionais, enxergam a educação brasileira como terreno onde se possam cultivar propostas altamente lucrativas para esses fundos, mas que, na realidade, ao longo das últimas décadas, produziram um efeito pernicioso, qual seja o enriquecimento de alguns donos de instituições de ensino, às custas da baixa qualidade em que foram sendo submergidas as instituições docentes, com a perspectiva sombria de esses fundos baterem asas quando o trabalho de enxugamento da máquina lucrativa tiver decaído. Convenhamos que, em termos de patriotismo, essas saídas geram mais problemas do que soluções.

Aposto, para o MEC, numa política que retome as sadias propostas dos educadores da geração de Anísio Teixeira, que enxergavam o sistema de ensino básico e fundamental como um serviço a ser oferecido pelos municípios, que iriam, aos poucos, formulando as leis que tornariam exequíveis as funções docentes. As instâncias federal e estaduais entrariam simplesmente como variáveis auxiliadoras dos municípios que carecessem de recursos e como coadunadoras das políticas que, efetivadas de baixo para cima, revelariam a feição variada do nosso tecido social no terreno da educação, sem soluções mirabolantes pensadas de cima para baixo, mas com os pés bem fincados na realidade dos conglomerados urbanos onde os cidadãos realmente moram. 

Essa proposta de uma educação construída de baixo para cima foi simplesmente ignorada pela política estatizante com que Getúlio Vargas, ao ensejo do Estado Novo, pensou as instituições republicanas, incluída nela a educação, no contexto de uma proposta tecnocrática formulada de cima para baixo, alheando os cidadãos, que passaram a desempenhar o papel de fichas de um tabuleiro de xadrez em que quem mandava era a instância da União, sobreposta aos municípios e aos Estados.

"Menos Brasília e mais Brasil", inclusive no MEC. Essa seria a minha proposta, que pretende seguir a caminhada patriótica empreendida pelo nosso Presidente eleito.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

QUEM NECESSITA DO PT?



Amigos, nesta ante-véspera da eleição de domingo, que escolherá o próximo Presidente da República, faço minhas as lúcidas palavras do arquiteto e escritor gaúcho Percival Puggina, no artigo que segue e cujo conteúdo subscrevo inteiramente. 

A quem interessa a eleição do candidato do PT, Fernando Haddad? Não há dúvida de que tal candidatura representa os interesses daquilo que foi a pior herança dos últimos tempos, o ciclo lulo-petista, que desmontou as instituições republicanas e nos colocou nesta via sem saída da recessão, da corrupção generalizada e da violência que pipoca pelos quatro cantos do país, fazendo miles de vítimas fatais do crime organizado e da desmoralização das instituições.

O que os brasileiros de bem querem é que haja uma reversão imediata desse quadro fatídico, a fim de poderem viver em paz, no seio das suas famílias, sem ofensas continuadas aos valores mais prezados do povo brasileiro: respeito pela família, pela religião, pelas tradições que sedimentaram os valores mais caros à nossa História, que o PT e colaboradores jogaram pelo chão com a prática sistemática da corrupção e da aliança com o crime organizado.

Que o nosso candidato Jair Messias Bolsonaro seja eleito no próximo domingo como Presidente do Brasil. Somente assim, colocando na Presidência da República um líder que teve a coragem de ouvir a voz do povo nas ruas e no seio das famílias, será possível reconstruir o tecido social, esgarçado pelos ódios que mais de uma década de dominação petista plantou criminosamente no seio da nossa sociedade.

Vamos confiantes às urnas. Nestes dois últimos dias de campanha, falemos com familiares, amigos e conhecidos, a fim de reforçarmos o número dos eleitores de Bolsonaro e fazermos frente, assim, às tentativas de fraude que os inimigos da Pátria não duvidam em praticar. "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!"


 QUEM NECESSITA DO PT?

Percival Puggina

          Não, não escreverei sobre aquela fração do eleitorado dependente do Bolsa Família e laboriosamente convencida de ser, também, dependente do PT (embora o programa exista por força de lei). Escreverei sobre outros grupos na torcida de Haddad.
Começo pelo próprio partido do candidato. O PT seria o primeiro e o principal beneficiário de uma vitória petista. Convém, então, que o eleitor se questione. O legado dos 14 anos de petismo no poder é desalentador.  Organizações criminosas operaram sem qualquer constrangimento no aparelho de Estado. Os réus são confessos, bilhões são devolvidos e as delações robustecidas por farto material comprobatório. Simultaneamente ao vexame e perda de credibilidade internacional, emergiram o desemprego, a recessão e a instabilidade política. Apesar disso, nenhum arrependimento, nenhuma autocrítica, nenhum pedido de desculpas à nação. Ao contrário, críticas à Lava Jato, recriminações à Justiça em geral e a Sérgio Moro em especial.
          Assim, também aos criminosos, agentes do crime organizado e desorganizado, interessa a eleição do candidato petista. Afinal, o partido defende restrições às penas de prisão e condenações mais breves. É notória sua animosidade em relação às atividades policiais e simétrico zelo em relação aos bandidos. O PT defende desencarceramento, semiaberto, saidinhas, saidões e indultos. É pelo desarmamento, contra a redução da maioridade penal, e sustenta – apesar de toda criminalidade das ruas e estradas – que no Brasil se prende demais. Em Bolsonaro é que os bandidos não vão votar!
          Uma vitória petista interessa muito ao Grupo Globo, que há longo tempo vem proporcionando em novelas, especiais e reportagens o substrato cultural e de costumes necessário à penetração política das ideias de esquerda. Seus atores e celebridades estão sempre disponíveis, ao estalar de dedos do PT, para o que der e vier. Convém ao Brasil, aumentar o poder da Globo? E, no mesmo diapasão, ampliar a influência da Folha, da Veja, da Época, e a fauna da “mídia amiga”, sempre interessada em conversar com Franklin Martins, perito em retribuir apoios?
          Sem similar a qualquer democracia de respeito, estabeleceu-se, com o tempo, uma inequívoca proximidade entre o PT e figuras execráveis da política internacional. Ditadores africanos de Angola, Congo, Zimbabué, Guiné Equatorial, Gabão, Venezuela, Cuba, Nicarágua obtiveram financiamentos privilegiados do BNDES durante os governos petistas. E o recebimento é duvidoso. Eles apreciariam muito a volta do PT ao poder.
          Também os infiltrados no aparelho de Estado, na burocracia federal, nas estatais, torcem pela volta do PT porque isso representará a retomada de sua própria influência. O trabalho de fazer cabeças, manipular a História, preparar militantes de esquerda e fornecer recursos humanos para as carreiras de Estado ganharia novas energias nas salas de aula. Da mesma usina acadêmica saem os difusores da ideologia de gênero e os programas que trazem essa sexualidade pós-moderna, auto-reverse, para crianças confiadas pelos pais ao sistema de ensino!  Será que convém atender aos interesses políticos da burocracia e do funcionalismo militante?
          Os eleitores de Bolsonaro, diferentemente, são cidadãos que clamam por paz social, segurança, combate à criminalidade, proteção da infância e da família, preservação dos valores morais, respeito e ordem pública. Desejam apenas viver e trabalhar, com seus direitos fundamentais respeitados, sem serem perturbados pelos agentes do mal e por aqueles que o cultivam.

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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

RUI RAMOS - #Vocês Também Não

#VocêsTambémNão /premium

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AMIGOS, Vale a pena ler este comentário do colunista português Rui Ramos, publicado hoje no diário Observador, de Lisboa. Mesmo discordando dele ao pressupor que, tanto Trump quanto Bolsonaro representam posições extremas, (no meu entender, eles representam, apenas, firmes posições conservadoras), concordo com Ramos na criativa abordagem do problema das esquerdas radicais. Todo aquele que não pensa como elas, simplesmente é fascista. Esquecem-se, os radicais de esquerda, que o "fascismo-leninismo" está umbilicalmente ligado a eles!

Jair Bolsonaro no Brasil, tal como Donald Trump nos EUA, são em grande medida o produto das esquerdas que agora gritam #EleNão. A essas esquerdas, é difícil deixar de dizer: #VocêsTambémNão.
Desculpem não me comover com toda a gente que até por cá, nos últimos dias, achou que lhe convinha pôr no CV repúdios mais ou menos histriónicos da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, aderindo à moda do “#EleNão” das esquerdas radicais brasileiras. Ao contrário deles, não sei se Bolsonaro é ou não o Anti-Cristo. Tem certamente, tal como Donald Trump, um jeito agressivo e grosseiro. Mas é legítimo suspeitar que, mesmo que fosse o político mais cordato e respeitador do mundo, estaria neste momento a ser tratado exactamente da mesma maneira, como a encarnação do mal absoluto. É que para isso, na política ocidental, basta não ser de esquerda. Nos EUA, nas últimas décadas, os presidentes republicanos Ronald Reagan e George W. Bush, ou os candidatos John McCain e Mitt Romney não precisaram de dizer o que Trump diz, nem fazer o que Trump faz para serem acusados de pretender acabar com a democracia americana, restabelecer a escravatura, rebaixar as mulheres e provocar uma guerra nuclear.
É verdade: McCain, depois de desentender com Trump, morreu em odor de santidade e até Bush passa hoje por cavalheiro, porque o que importa é atacar quem está, não quem esteve. Isso poderia sugerir que a demonização ritual dos seus adversários é, à esquerda, simples marketing: fingir sempre que quem não vota em nós contribui para o fim do mundo. Para alguns, talvez seja apenas isso. Mas para os radicais, não. Porque os radicais adorariam mesmo ter pela frente fascistas, racistas e misóginos. Seria, segundo imaginam, a maneira de provocar as rupturas que, com um pouco de sorte, esperam transformar em revoluções. Como justificar, de outro modo, os seus próprios extremismos? Ora, estes radicais há uma década que desalojaram os “centristas” na orientação das esquerdas, inebriados pela ideia de  reviver os anos 60.
Por vezes, para explicar os “excessos” do chavismo venezuelano ou do castrismo cubano, invocam-se a desigualdade e o exclusivismo dos regimes anteriores. Porque não, da mesma maneira, argumentar que Bolsonaro no Brasil, tal como Trump nos EUA, são em grande medida o produto das esquerdas que agora gritam #EleNão? Trump e Bolsonaro não são imagináveis sem a desonestidade com que as esquerdas classificam todos os adversários como fascistas, racistas e misóginos, e que acaba por dispor demasiada gente a seguir quem não se deixa intimidar, e só por isso. Ou sem os tabus que as esquerdas usam para impedir qualquer discussão racional sobre inquietações legítimas como a segurança, abrindo assim o caminho a demagogos que, ao contrário dos políticos convencionais, nada têm a perder e portanto não receiam a demonização que espera quem menciona esses temas. Eis como um excêntrico como Bolsonaro, sem o apoio de qualquer dos grandes partidos, pôde deixar para trás a direita tradicional do PSDB, condenada a figurar como parte do velho sistema, e surgir como a alternativa à corrupção e ao desgoverno do PT.
Para as esquerdas radicais, é uma excelente notícia, porque já sonham com os confrontos que hão-de iniciar o povo na revolução. Para quem defende a democracia liberal num mundo livre, é péssimo ver o espaço do movimento conservador liberal ocupado por quem, mesmo tendo adoptado alguns dos seus temas, como o “liberalismo económico”, perfilha facilmente princípios que lhe são contrários, como é o caso do isolacionismo protecionista de Trump (ainda que concebido apenas como táctica negocial de choque). Mas no desapego aos tratados internacionais, Trump e o radical Bernie Sanders, não sendo iguais, são muito parecidos. Por menos que apreciemos Bolsonaro ou Trump, é difícil deixar de dizer a estes seus inimigos: #VocêsTambémNão.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

"DERRUBARAM UM HOMEM E LEVANTARAM UMA NAÇÃO"

Os mitos, dizia Ortega y Gasset, morrem de dentro para fora, não de fora para dentro. Com o mito lulopetista está acontecendo isso: o líder, Lula, morreu políticamente, em que pese todos os esforços do "Mecanismo" para mantê-lo vivo. Morreu porque ele próprio deixou de acreditar naquilo que significava para o país. Dedicou-se a saqueá-lo, em lugar de zelar pelo bem de todos os brasileiros. Lula passará à história como Macunaíma, "o herói sem nenhum caráter", segundo a incomparável ficção de Mário de Andrade (1928). 

Gozado como tanto a social-democracia quanto o socialismo petista pretendiam dar enterro definitivo ao getulismo. E fracassaram, ao tentar prolongá-lo. Porque a proposta de modernização do Brasil que ambas as correntes apresentaram e tentaram implementar, consistiu justamente naquilo que Fernando Henrique tanto criticou em Getúlio: uma modernização pela metade, sem a participação ativa da Nação. Tudo foi devidamente desinfectado das incômodas verificações sociais, e empacotado observando as regras da propaganda do politicamente correto. A mídia foi devidamente aparelhada pelo petismo e pelo PSDB. Chegou-se ao extremo do que Goebbels consideraria uma obra mestra de ficção politicamente correta. Nada, nem a mídia digital, escapa hoje aos engenheiros do socialismo caboclo. Vejamos a tremenda aparelhagem da imprensa nesta campanha que se alastra penosamente, surpreendendo-nos a cada dia com novas investidas contra a liberdade de informação. Só vale a verdade oficial dos Partidos interessados. Nada de dar explicações à sociedade!

Até eu, simples comentarista digital do que acontece no Brasil, comecei a receber, no meu blog e no face, visitas indesejadas de militantes tucanos e petistas que passaram a atacar os meus posts com a devida truculência. De outro lado, as fotos dos protestos anti-Bolsonaro foram "corrigidas" nos jornais para incrementar o tamanho da multidão. Uma pequena "reconstrução" na máquina da história, que Goebbels aplaudiria com entusiasmo. Por outra parte, foi realmente constrangedor o debate de domingo passado entre os presidenciáveis, na Record. Sem a presença de Bolsonaro, todos cerraram fileiras ao redor da aniquilação do candidato ausente. Ninguém, salvo o cabo Daciolo, do Patriotas, centrou a atenção naquilo que era essencial: qual o projeto de governo e quais as novidades que cada um trazia. 

Os candidatos combinaram um ataque feroz ao líder das pesquisas. Imperativo categórico: Bolsonaro não pode ser eleito! Uma pergunta incômoda: Já combinaram com os milhões de brasileiros que saíram às ruas no domingo 30 de setembro? Pelo teor das "releituras" das fotos feitas pela mídia aparelhada, foram quatro gatos pingados. Quatro gatos pingados que ocuparam toda a extensão da areia de Copacabana e que se estenderam de um extremo ao outro da Avenida Paulista! Haja cegueira criativa!

O Nobel de Literatura Mário Vargas Llosa, em recente artigo publicado na imprensa, alertava para o drama das eleições do próximo domingo: segundo ele, deveremos escolher entre morrer de tiro ou de facada. Admiro profundamente a obra do grande escritor peruano. Já dediquei páginas ao seu romance A guerra do fim do mundo (1981), onde reconstrói magnificamente a saga de Antônio Conselheiro e de Canudos. Achei genial a sua descrição da ditadura de Rafael Leônidas Trujillo em República Dominicana, elaborada no alentado romance A festa do bode (2000). É um verdadeiro estudo de caso sobre a gestão do público como privado no contexto do sanguinolento patrimonialismo hispano-americano. Achei bela e humana a reconstrução da saga do diplomata britânico sir Roger Casement no romance intitulado O sonho do Celta (2010). Casement combateu o criminoso patrimonialismo de peruanos e belgas nas plantações de borracha na Amazônia e nas profundezas das florestas do Congo, mas terminou sendo sentenciado a morte pelos ingleses em 1916, por causa do seu ardente patriotismo irlandês. Como é também genial a caracterização que outro Nobel, Gabriel García Márquez, faz do mesmo vício do poder como bem de família, em O outono do patriarca (1975), dedicado à truculenta ditadura antecessora do chavismo, do autocrata venezuelano Juan Vicente Gómez, que governou seu país a ferro e fogo entre 1908 e 1938.

Comentando a assertiva de Vargas Llosa da escolha que nos espera entre o tiro e a facada, os fatos da rua Halfeld em Juiz de Fora já escolheram a facada para o candidato líder nas pesquisas. Só que, por essas ironias da História que o grande Nelson Rodrigues, no caso dos azares do futebol, atribuía ao "sobrenatural de Almeida", a facada consolidou-se como o ponto de partida do crescimento estonteante da popularidade do Mito, como passou a ser chamado, nesta campanha, o candidato preferido dos brasileiros, Jair Messias Bolsonaro. De nada adiantam esperneios nem truculências. As manifestações multitudinárias que inundaram as ruas desde 2013 pedindo uma nova forma de república, não como Res Privata mafiosa, mas como República para todos, repetem-se nesta modorrenta campanha. O que os brasileiros almejam é que a República simplesmente os leve em conta. Ora esse anseio está contido no slogan da campanha de Bolsonaro: "Mais Brasil e menos Brasília". 

De nada adiantam facadas nem aparelhamentos da imprensa e da mídia digital. O torrente da insatisfação popular tomou conta das ruas. E voltará a elas, em forma de tsunami, caso se concretize o pretendido golpe contra a vontade popular na manipulação das urnas eletrônicas no próximo domingo. Manipulação que não é impossível de acontecer, segundo deixam claro repetidos alertas como os efetivados pelo jornalista José Nêumanne Pinto, o escritor e professor Olavo de  Carvalho e o jovem ensaísta Rodrigo Constantino. 

Apenas para mencionar um dos pontos que geram preocupação: a manutenção das urnas eletrônicas foi entregue, pelo TSE, à firma venezuelana Smartmatic, segundo consta da licitação aberta pelo mencionado Tribunal. Essa firma forneceu, para as eleições deste ano, 30 mil impressoras e 75 mil urnas (com o correspondente software). A Smartmatic já tinha prestado serviços ao TSE nas últimas três eleições nacionais (2012, 2014 e 2016). Entre os serviços prestados pela mencionada firma consta, segundo declarou um dos técnicos, "a comunicação de dados e de voz entre áreas remotas do país e o Tribunal, usando tecnologia satelital". 

Ora, cabe a pergunta se a transmissão desses dados é controlada pelo Tribunal e se a firma encarregada de transmiti-los poderia alterar números de votos. São perguntas óbvias e que necessariamente devem ser respondidas com claridade. Causa espécie que tenha sido vencedora do processo de licitação, logo uma firma venezuelana que também tem prestado serviços nas últimas eleições efetivadas na Venezuela que, convenhamos, não se caracterizaram pela sua transparência.  

Estamos de olho! Derrubaram um homem e levantaram uma Nação! Não nos roubarão na próxima eleição!

sábado, 22 de setembro de 2018

SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou na sua conta do Facebook, na quinta-feira 20 de setembro, carta aos eleitores brasileiros, alertando-os para o grave momento que vive o Brasil, nestes tempos de campanha presidencial polarizada entre a esquerda e a direita. 

Gostaria de que o ex-presidente gozasse da autoridade moral de Winston Churchill às vésperas da Segunda Guerra Mundial, quando, diante da claudicação dos diplomatas franceses e ingleses em face do perigo totalitário, decidiu com mão firme empunhar o leme da nau do Estado inglês, a fim de fazer frente ao perigo nazista, com a famosa trilogia: "Sangue, suor e lágrimas". Mais do que o perigo da direita, o que o líder inglês antevia era o perigo do totalitarismo representado na  aliança dos autocratas do momento: Hitler e Stalin. E esse perigo somente poderia ser conjurado com sacrifício e determinação.

O grande perigo que se cerne sobre o cenário brasileiro é Lula e o totalitarismo petista. Alcunhar de totalitária a reação representada por Jair Bolsonaro é uma impropriedade. Porque quem semeou ventos ao longo destes quatorze anos foi Lula e a sua tresloucada coorte de militantes. O petismo invadiu as frestas do edifício do poder, estando hoje presente, para infelicidade de todos nós, até nas mais altas instâncias da magistratura. A reação da sociedade, externada nas passeatas multitudinárias que desde 2013 ocuparam praças e avenidas das cidades brasileiras, foi justamente contra essa proposta partidária de uma sigla se apossar do Estado, olhando unicamente para os interesses de enriquecimento ilícito das suas lideranças.

Chega de totalitarismo! O Brasil precisa do oxigênio da liberdade para dar vazão aos seus anseios. O que a sociedade brasileira quer é paz, tranquilidade, respeito aos valores tradicionais da família e da religião, tolerância, trabalho e ordem. Queremos Escola sem partido. Queremos pluralismo e rotatividade no poder, não projetos hegemônicos. Queremos a aplicação da lei, que deve valer para todos. Queremos que a Operação Lava Jato chegue a feliz término, colocando na cadeia quem tiver roubado dinheiro dos brasileiros. Nestes momentos de expectativa, o pior que pode acontecer é silenciar a voz da sociedade, externada nos temores da classe média dignamente representada por Jair Bolsonaro. Fechemos fileiras ao redor dele, para recompor o esgarçado tecido social das nossas instituições republicanas. O pior cenário para o Brasil seria termos de novo o lulopetismo no poder, com o seu projeto totalitário de partido hegemônico e de socialismo ultrapassado.

Fernando Henrique Cardoso que ensejou, no seu primeiro mandato, valorosa proposta para recuperação da economia com a política de privatizações e de controle sobre o gasto público, ao longo do seu segundo mandato, infelizmente, declinou para uma ideologização esquerdizante, pavimentando o caminho para a entrada de Lula na seara do poder. FHC já deixou claro para onde penderia o seu voto nestes cruciais momentos, embalado na tentação "social-democrata" que tem horror a desagradar aos radicais esquerdistas do momento. 

Teria sido melhor que ficasse calado.