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terça-feira, 26 de junho de 2018

COLÔMBIA: AMADURECIMENTO DEMOCRÁTICO


O Presidente eleito Iván Duque discursa ao anunciar o seu triunfo nas eleições presidenciais colombianas. (Foto: Iván Arboleda / AFP)

As eleições de domingo passado na Colômbia deram o triunfo ao jovem candidato liberal-conservador Iván Duque (41 anos). O presidente eleito estudou em Harvard, é advogado e trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington. Tinha sido eleito, em 2014, Senador pelo Partido Centro Democrático (chefiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez). Liderou, ao lado dele, a campanha de oposição aos Acordos de Paz (na forma em que tinham sido negociados pelo governo do presidente Juan Manuel Santos, conferindo vantagens exageradas aos líderes das FARC), tendo ganhado o plebiscito pelo não em 2016. Durante a campanha, Duque defendeu a reformulação dos Acordos de Paz, que deverão ser revistos pelo Parlamento, revisando as penas simbólicas dadas aos líderes guerrilheiros e exigindo que os chefes máximos passem a cumprir penas privativas da liberdade e não possam se candidatar para cargos eletivos proporcionais (deputados e senadores). A objeção de Duque é em relação ao que no Brasil denominamos de "cargos eletivos proporcionais" para deputados e senadores. Pelos Acordos de Paz, os ex-guerrilheiros contarão com 5 cadeiras na câmara de representantes e 5 no senado para candidatos eleitos em nome do partido que representa os ex-guerrilheiros das FARC. 

Ivan Duque se refere a candidatos do partido que representa as FARC ("Força Alternativa Revolucionária do Comum") que tenham cometido crimes atrozes (inclusive o de narcotráfico, como exportadores de cocaína) e que deverão pagar por eles. Considera que candidatos que se insiram nesse contexto não poderão ser eleitos para o parlamento. Como nas eleições legislativas de março os partidos que apoiam o presidente eleito ganharam maioria no congresso, é bem provável que Duque consiga uma legislação restritiva do novo parlamento na revisão das leis que pautam os Acordos de Paz. Nas eleições de março deste ano, aliás, o partido das FARC somente obteve 0,5% dos votos, o que cria dúvidas quanto à possibilidade de que candidatos eleitos por esse partido tenham quociente eleitoral suficiente para ocupar as vagas destinadas no congresso para os ex-guerrilheiros. Haverá certamente uma clarificação desse caso na revisão das reformas que o novo parlamento faça da legislação vigente.

Duque contesta a interpretação dada pelos negociadores dos Acordos de Paz quanto às atividades das FARC como cartel de narcóticos, que eliminaram a culpabilidade dos líderes guerrilheiros pelo delito de narcotráfico. Teria sido cometida aqui uma injustiça flagrante, segundo Duque, contra os demais detentos pelo delito de narcotráfico, que amargam pesadas condenas, tendo sido os chefões dos demais cartéis extraditados para os Estados Unidos, de acordo à legislação colombiana vigente. De outro lado, Duque propôs, na sua campanha, que fossem redefinidas as ajudas financeiras prometidas aos guerrilheiros anistiados, exigindo que estas sejam pagas com os enormes capitais que as FARC juntaram em bancos no exterior, ao longo dos 50 anos de sequestros e roubos que praticaram em todo o território nacional. O candidato vencedor, de outro lado, defendeu a revisão da anistia aos mais de mil ex-guerrilheiros que não entregaram as armas à Comissão Verificadora das Nações Unidas. Os colombianos não estavam satisfeitos com as condições em que o governo de Juan Manuel Santos negociou a paz com as FARC. E deram o triunfo a Ivan Duque.

Como vice foi eleita a senadora pelo Partido União Nacional, Marta Lucía Ramírez (63 anos), uma experiente política conservadora, que já foi ministra de Comércio Exterior, embaixadora na França e Ministra da Defesa. Quem costurou a candidatura de Iván Duque foi o senador Álvaro Uribe Vélez, correligionário do mesmo partido do presidente eleito. Uribe conseguiu realizar uma ampla pesquisa de opinião entre os três partidos colombianos de tendência liberal-conservadora (Partido Conservador, Partido do Centro Democrático e Partido União Nacional). Num debate democrático em que foram discutidas as propostas dos aspirantes, em eleição direta entre os membros das três agremiações, a candidatura de Iván Duque foi aprovada por mais de 4 milhões de votos. Assim, o atual presidente conta com o apoio interpartidário das forças liberal-conservadoras da Colômbia, um fato inédito que revelou a capacidade negociadora de Uribe Vélez. A esse consenso veio se somar o apoio das forças de centro e de esquerda moderada, deixando para o candidato derrotado, Gustavo Petro (58 anos), o apoio das forças da esquerda socialista e do liberalismo oficialista de Juan Manuel Santos. Os membros moderados do tradicional Partido Liberal votaram em favor de Duque.

O presidente eleito consolidou o seu programa de governo a partir da criação, antes das eleições, do think tank denominado de “Centro de Pensamento Primeiro Colômbia”. Foram analisadas pelos pesquisadores e os coordenadores da campanha 5.600 propostas de governo ao longo de 2016. Como resultado desse debate, o presidente eleito escreveu dois livros em 2017, em que destaca duas preocupações básicas: o debate em torno a como potencializar as oportunidades empresariais na Colômbia, além da discussão sobre as políticas públicas que ponham freio à corrupção. Quanto ao primeiro aspecto, Duque ressalta duas providências urgentes: uma política de obras públicas que modernize a logística colombiana, no que tange a estradas, linhas férreas, portos e aeroportos e, em segundo lugar, propostas para dinamizar a educação média e superior, aproximando-as do empreendedorismo.

A Colômbia encontra um novo espaço para avançar rumo ao aperfeiçoamento da sua democracia, solidamente enraizada no sucesso econômico (com uma taxa de crescimento do PIB de 3,5% ao longo dos últimos cinco anos), mediante a abertura global (com tratados de livre comercio já vigentes com os Estados Unidos, Europa Ocidental e o Bloco Asiático) e a dinamização de uma realidade econômica interna que já era positiva no quinquênio 2013-2017. A produtividade se desenvolveu exponencialmente ao longo do último ano, com um crescimento de 10,5% na indústria, (tendo mantido o aumento dos índices em 34 das 39 atividades manufatureiras registradas), 8,8% (na exploração de petróleo) e 8,3% (comércio).

O reto do crescimento econômico é importante para melhorar a qualidade de vida dos colombianos, que se bem deram o triunfo a Duque (com 11,5 milhões de votos, correspondentes a 54% dos eleitores), votaram também no candidato da esquerda, o ex-guerrilheiro do M-19 Gustavo Petro (2,3 milhões de votos, correspondentes a 41,8% dos eleitores), e com marcantes 800 mil votos em branco. Lembremos que na Colômbia o voto não é obrigatório.

sábado, 2 de setembro de 2017

A COLÔMBIA NO RUMO CERTO

Bogotá, vista desde o cerro de Monserrate. Ao fundo, a cordilheira dos Andes.
Há 30 anos, na época dura da guerra dupla que o governo colombiano enfrentava com as FARC, de um lado, e com os cartéis da cocaína, de outro, o ex-ministro de governo Fernando Cepeda Ulloa, com quem tive a oportunidade de trabalhar (no convênio assinado entre a Universidade de Los Andes onde ele era vice-reitor e a Universidade de Medellín onde eu desempenhava o cargo de pro-reitor de pós-graduação e pesquisa), escrevia que, apesar dos pesares, as instituições republicanas eram preservadas e que isso representava, para os colombianos, uma luz de esperança. Pois bem: os nossos vizinhos souberam preservar as suas instituições e, por ali, através de incontáveis esforços, a sociedade conseguiu fazer frente às ameaças que faziam periclitar a unidade nacional. Hoje a Colômbia está em paz, as FARC foram derrotadas no campo militar e obrigadas pelo governo a assinar o tratado que as insere de novo na vida política nacional. Os cidadãos desse pais, minha Pátria de origem, respiram aliviados e tocam a sua vida com esperança.

Visitei Bogotá por duas semanas. Aproveitei para rever a família, que fez uma reunião histórica (mais de cem pessoas) na antiga fazenda El Carmen, do meu avô,  que agora pertence aos meus primos que não arredaram pé dali, tendo construído uma bela residência de nome Aposentos, de onde administram um condomínio rural que ocupa os antigos campos de trigo e de criação de gado, onde o meu saudoso pai trabalhou nos anos 50 e 60, tocando próspera indústria de laticínios e de produtos agrícolas.

Encontrei a Colômbia em paz e com ares novos, dez anos após a minha última visita, em 2007. O país progrediu. O Aeroporto Eldorado, de Bogotá, é o hoje o primeiro no ranking entre os aeroportos da América Latina e o 42º entre os 100 melhores aeroportos do mundo. A chegada, para os visitantes, é cômoda e rápida, praticamente sem demora nas filas de visitantes, que aumentaram muito ao ensejo da pacificação do país. Os serviços de turismo melhoraram muito, tanto na parte correspondente à logística de hotéis e restaurantes, quanto no item segurança. Caminhei com os meus familiares pelas ruas do centro de Bogotá, sem ser importunado por pedintes ou pick pockets. Claro que se nota, nas ruas do centro da bela cidade, a presença do povaréu, que saiu dos seus bairros para participar da vida cidadã, vendendo artigos de artesanato ou comidas populares. Mas esses pequenos empreendimentos estão muito bem organizados, em feirinhas populares de artigos artesanais, ou em pequenos centros comerciais que concentram restaurantes populares, como por exemplo no belo cerro de Monserrate. Na parte norte da cidade, a mais chique, há centros comerciais e restaurantes de primeiro mundo e num ambiente de tranquilidade que certamente está se tornando raro nas nossas cidades brasileiras. As pessoas querem a paz: essa é a sensação que a gente percebe a flor de pele. Ora, num país que ao longo do século XX viveu praticamente em guerra, esse clima é alvissareiro.

Desfile do Colégio Militar de Bogotá, na Praça de Bolívar. A modernização das Forças Armadas foi essencial no processo colombiano de pacificação.

Quais as alternativas para a paz? Acho que grandes porque todo mundo a quer. É claro que a transição não está sendo fácil. O marco legal da pacificação foi aplicado inteiramente. As FARC se desmobilizaram e em breve virarão partido político com programa e candidatos para as próximas eleições. Uma tremenda novidade. A entrega de armamentos está sendo feita a contento. Claro que restam bolsões de conflito, por conta do crime organizado que tenta ocupar os espaços vazios. E alguns antigos membros das FARC, pouco numerosos, é certo, vincularam-se a atividades à margem da lei. Mas isso já era esperado e as forças de segurança estão empenhadas em neutralizar esses grupos. Já estão identificados. A polícia nacional se modernizou e não cochila em serviço. As forças da ordem fazem abordagens aleatórias em vários pontos da cidade, com patrulhas de agentes educados e muito eficientes. Nos meus deslocamentos pelo centro antigo de Bogotá, eu e meus familiares fomos abordados. Devidamente identificados, fomos liberados rapidamente. Os agentes são muito bem treinados e seguros nos seus procedimentos.

Politicamente o processo de paz está sendo monitorado de perto pela oposição, que se aglutina ao redor do senador e ex-presidente Alvaro Uribe Vélez. Os parlamentares que fazem oposição não deixam passar nenhum procedimento do processo de paz sem checarem todas as implicações. A política de pacificação está funcionando sem maiores percalços. O primeiro obstáculo levantado foi ao ensejo do plebiscito do ano passado, que foi ganho pelos seguidores de Uribe. O governo de Juan Manuel Santos teve de rever toda a estratégia de distensão, revisando as políticas de perdão aos ex-guerrilheiros. Aqueles que tivessem cometido crimes de lesa humanidade não teriam o tratamento rápido do perdão, como muitos pretendiam. De outro lado, as FARC viram-se obrigadas a revelar as suas contas aos congressistas e à comissão de verificação, mostrando como os dinheiros no seu poder seriam utilizados nas ações de reparação pelos crimes praticados em 50 anos de conflito. Trabalho difícil que está sendo feito com bastante prudência e persistência por parte dos negociadores. 

A supervisão da ONU tem sido bastante ágil, notadamente no que se refere à devolução de armamento em poder dos ex-guerrilheiros. As zonas de entrega foram claramente demarcadas ao longo do país e devidamente vigiadas. O governo não fez concessões no sentido de liberar áreas onde a guerrilha se sentisse à vontade para manter os seus redutos. Os antigos beligerantes tiveram de se acolher ao processo de pacificação, cumprindo as condições impostas pelo Estado colombiano.

Este cronista com a filha Vitória, no cerro de Monserrate (3.200 metros de altitude), Ao fundo, a parte sul de Bogotá.

Paralelamente aos políticos, os militares também fazem ouvir a sua voz, a partir de alguns oficiais retirados que divulgam análises de conjuntura, que esclarecem os pontos de vista dos militares. Tal é o caso do centro de estudos estratégicos dirigido nos Estados Unidos pelo coronel do Exército Villamarín Pulido, que divulga os seus pontos de vista através de um portal muito frequentado pelos militares e pelos civis que seguem os pontos de vista das Forças Armadas (www.luisvillamarín.com). 

A Colômbia conta hoje com 14 Partidos reconhecidos legalmente. As mais importantes siglas partidárias, pelo número de senadores e deputados (representantes à Câmara), são as seguintes: Partido Social de Unidad Nacional (fundado em 2005, de direita, com 21 senadores e 37 deputados), Partido Conservador Colombiano (fundado  em 1849, de direita, com 18 senadores e 27 deputados), Centro Democrático (fundado em 2013, de direita, com 20 senadores e 19 deputados), Partido Liberal Colombiano (fundado em 1848, de centro-direita, com 17 senadores e 39 deputados) e Partido Cambio Radical (fundado em 1998, de direita, com 9 senadores e 16 deputados).

Destacam-se dois fatos: primeiro, nenhum Partido de esquerda figura entre os mais fortes, embora existam legalmente tais agremiações, como por exemplo o Polo Democrático Alternativo (fundado em 2005 e que conta com apenas 5 senadores e 3 deputados). Existem, também, alguns partidos de extração popular como o Movimento Alternativo Indígena (fundado em 2013, de centro esquerda e que conta com 1 senador) e Autoridades Indígenas de Colômbia (fundado em 1990, de centro-esquerda e que conta com 2 deputados). A esquerda guerrilheira organizou em 1985 a Unión Patriótica (que embora legalmente aceita não tem senadores nem deputados). As FARC devem constituir também o seu Partido (o que deverá ocorrer nos próximos meses, quando algumas exigências legais dos negociadores de paz tenham sido atendidas). O perfil da Colômbia é, em geral, conservador em matéria política.

Segundo fato em destaque: a Constituição de 1991 prevê a possibilidade de candidatos se lançarem por fora dos Partidos constituídos, a partir de Movimentos Sociais, que se denominam de "Movimentos significativos de Cidadãos". Foi o caminho seguido por Alvaro Uribe Vélez na eleição que o guindou à presidência em 2002 para o seu primeiro mandato que terminou em 2006. O mesmo esquema se repetiu no segundo mandato de Uribe (2006-2010). Esse caminho mostra o desgaste dos Partidos tradicionais perante a opinião pública. Dos 25 candidatos que se movimentam para as eleições do ano próximo, alguns partiram para apresentar os seus nomes a partir de Movimentos Sociais, como é o caso do ex-procurador da República, o conservador Alejandro Ordóñez (Movimento La Patria de Pie), da esquerdista Clara López (Movimento Todos Somos Colômbia), ou do ex-prefeito de Medellín, Sergio Fajardo, de centro-esquerda (Compromisso Ciudadano).


Bela sede do Instituto Caro y Cuervo no bairro de La Candelária, em Bogotá. A Cultura foi colocada como base da pacificação.

Em síntese, a Colômbia caminha a passos firmes rumo à consolidação do processo de paz. Não faltam nem canais políticos de participação cidadã (como acaba de ser mostrado), nem instrumentos de controle da violência por parte do Estado: as Forças Armadas colombianas (450 mil homens, com unidades altamente profissionalizadas, com armamento moderno e com mecanismos de inteligência altamente sofisticados) constituem hoje a segunda organização militar das Américas, apenas atrás dos Estados Unidos. Além disso, a Justiça colombiana evoluiu rumo ao processo de democratização do país, destacando-se, nesse item, o papel importante que tem sido desempenhado pela Fiscalía (Ministério Público).

Os Partidos Políticos sofrem o desgaste que, pelo mundo afora, afeta às organizações deste tipo. Os Movimentos Sociais, com a possibilidade de, em nome deles, surgirem candidatos à Presidência, tentam responder, em parte, a esse fenômeno. Alvaro Uribe se elegeu por um desses Movimentos, mas uma vez fora do poder, em 2013, teve de organizar um Partido Político (Centro Democrático) para poder influir no governo e dialogar com as restantes forças políticas no interior do Parlamento.

A Colômbia, com aproximadamente 40 milhões de habitantes, tem 1 milhão e 300 mil indígenas que falam 65 dialetos. A Constituição de 1991 reconheceu a Colômbia como nação pluriétnica e multicultural. Em consequência, os movimentos indígenas gozam de um poder real no seio das regiões onde estão assentados os antigos aborígenes, que desde o século XVII, à luz do Direito Filipino, gozam do direito de eleger os seus representantes locais, bem como alguns deputados e senadores.

Em que pese o fato de o multiculturalismo ter sido enxergado como um óbice para a unidade nacional por parte de alguns críticos, no entanto, no seio da guerra que as FARC declararam ao Estado e à Sociedade Colombiana, a relativa autonomia das Regiões Indígenas possibilitou que elas desenvolvessem um caminho de contraposição à guerrilha comunista, ao não aceitarem, as lideranças aborígenes, que as FARC controlassem os seus territórios, enquanto que 60 % dos municípios do país tinham ficado reféns dos guerrilheiros, com o seu clientelismo armado. Os analistas falavam, na época, de uma "balcanização" do território colombiano entre as FARC (no sul), o governo (no centro) e os paramilitares (no norte). Destaquemos que nos municípios indígenas passou a ter vigência um tipo de voto "distrital", identificado com as regiões integradas no município.

Este cronista com familiares em "Chez Jacques", restaurante francês no norte de Bogotá.

Ao longo dos últimos 20 anos, a atitude das comunidades indígenas, centrada na defesa dos seus municípios, que não se curvavam às exigências de "proteção" pelas FARC mediante a cessão aos meliantes de 10% do orçamento anual, fez com que outros municípios, fora dessas comunidades ancestrais, passassem a imitar a sua resistência cívica. Isso deu ensejo a massivos movimentos nas grandes cidades, em prol da defesa do município contra os extremistas. 

Assim nasceu, em Bogotá, em 1997, o Movimento cívico "Como Vamos" que passou a ser copiado por outros municípios como Medellín, Cali, Cartagena de Índias, etc. Esses movimentos "Como Vamos" mudaram o perfil eleitoral e a dinâmica dos municípios em que tiveram vigência: adotou-se uma modalidade de voto próxima do sistema distrital, ao passarem a ser eleitos não os candidatos dos partidos políticos, mas aquelas pessoas que mais se afinassem com as necessidades dos vários distritos que compunham o município.

Paralelamente, o governo central, encabeçado, a partir de 2002, por Uribe Vélez, passou a governar reforçando essas iniciativas cívicas dos Movimentos "Como Vamos". É de se destacar que o presidente colombiano governou de forma itinerante, despachando nos municípios mais afetados pela guerrilha, para mostrar aos cidadãos que havia poder e que o governo estava a serviço deles. A mesma mensagem foi passada pelos novos prefeitos (alcaides) eleitos a partir da reforma da Constituição de 1993, que entregou aos mandatários das áreas metropolitanas a chefia do poder de polícia e a definição das políticas de segurança.

Fazenda El Carmen, no oriente de Bogotá. Parque andino, a 3 mil metros de altitude, administrado pela Empresa de Águas.

Dessarte, embora a legislação eleitoral ainda continuasse com o sistema proporcional e com a adoção da "lista fechada", a prática passou a caminhar pelo caminho do reforço aos distritos eleitorais. Hoje na Colômbia há um sistema distrital aceito, por consenso, nos municípios e foi reforçado pelas políticas públicas desenvolvidas por Uribe Vélez nos seus dois governos (2002-2010). 

A partir dos municípios começou, desde 2002, a se tecer o processo de pacificação centrado na educação e na criação de espaços culturais com os famosos "Parques-bibliotecas", que proliferaram nas principais áreas metropolitanas da Colômbia, notadamente em Bogotá e Medellín. A violência, que parecia incontrolável, simplesmente despencou em questão de anos, abrindo espaço para a retomada do crescimento econômico, que na última década situou-se na casa dos 4 ou 5% anuais. 

No atual processo de paz, a dinâmica dos movimentos "Como vamos" está sendo essencial, como deixa ver o projeto desenvolvido, a partir de Bogotá, pelo ex-prefeito Antanas Mokus, sob o título de: "Como vamos comer essa pacificação", salientando os passos concretos que o cidadão comum pode percorrer no esforço de construir a paz. O símbolo é a tradicional colher de pau, tão comum nas cozinhas domésticas. Dezenas de projetos similares são desenvolvidos na construção de um clima de paz no pós-conflito.

De posse desse potencial de paz social, a Colômbia passou a desenvolver políticas econômicas dinâmicas e abertas, de integração ao mundo, como deixa ver a negociação do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos e a participação cada vez mais atuante do país no Pacto do Pacífico, que junto com México, Chile e Peru, a Colômbia impulsiona ao longo da última década, abrindo essas economias ao comércio com a Ásia. Boas perspectivas se desenvolvem para um fortalecimento do clima de paz e de esperança que hoje respiram, aliviados, os colombianos. Esse exemplo poderá ser útil para o Brasil, na retomada do desenvolvimento após a crise dos governos lulopetistas.

Museu do Ouro em Bogotá: "Poporo", bela peça em ouro, da orfebreria indígena.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

MEDELLÍN (COLÔMBIA), DO ABISMO DA VIOLÊNCIA À VITRINE INTERNACIONAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

Entrada da Biblioteca das Empresas Públicas Municipales de Medellín (Foto: divulgação, Alcaldía de Medellín).



Entrada da Biblioteca da Universidade Pontifícia Bolivariana de Medellín (Foto: UPB divulgação).

Entrada da Biblioteca da Universidade EAFIT de Medellín (Foto: EAFIT divulgação).

Medellín: centro da cidade ao entardecer. (Foto: divulgação Alcaldía de Medellín).
Amigos, gostaria de divulgar esta notícia, que revela a posição atingida por Medellín, na Colômbia, depois de quinze anos de árduo trabalho para deixar de ser a cidade mais violenta do mundo (com um índice aproximado de 300 mortos por cem mil habitantes, nos anos noventa do século passado) e se tornar uma das cidades com melhores possibilidades de crescimento do seu índice de desenvolvimento humano. Do tamanho de Belo Horizonte, Medellín é hoje uma bela cidade que atrai turismo e inversão estrangeira. Como se trata de uma experiência numa cidade latino-americana, pode muito bem servir para inspirar realizações semelhantes nas cidades brasileiras. A seguir, coloco matéria divulgada pela ACI, a Agência para Cooperação e Inversão de Medellín e a Área Metropolitana.

Medellín recibirá mención de Honor del premio Lee Kuan Yew en Singapur, por sus avances como una ciudad sostenible y para la vida 
  • El Alcalde Aníbal Gaviria Correa iniciará misión oficial desde este jueves 29 de mayo para asistir en Singapur (Asia) al Foro de Alcaldes de la Cumbre Mundial de Ciudades, en donde Medellín recibirá la mención de honor del  premio Lee Kuan Yew como reconocimiento a su modelo de desarrollo sostenible.
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  • Durante el año 2013, la ciudad recibió visitas oficiales de directivos y jurados del Premio Lee Kuan Yew. Quienes de la mano de la Agencia de Cooperación e Inversión de Medellín y el Área Metropolitana (ACI), conocieron los avances en urbanismo, sistema integrado de transporte, planeación y presupuesto participativo. 
     
  • El mandatario local presentará durante el evento la propuesta de Ciudades para la Vida, que se gestó durante el Séptimo Foro Urbano Mundial realizado en abril  en Medellín.
     
  •  El Alcalde Gaviria Correa tendrá una extensa agenda de trabajo organizada por la ACI, que comprende encuentros con representantes de diversas organizaciones dedicadas al desarrollo sostenible en el país asiático.
Como reconocimiento a sus avances como ciudad sostenible, habitable y humana, Medellín recibirá el próximo lunes 2 de junio en la ciudad de Singapur (Asia) la mención de honor del premio Lee Kuan Yew, el cual la ratifica como una urbe inspiradora para otras ciudades del mundo y es un nuevo reconocimiento a su transformación social y urbana a través del liderazgo y la innovación social.

La Agencia de Cooperación e Inversión de Medellín y el Área Metropolitana (ACI) postuló a la ciudad al Premio Lee Kuan Yew en marzo de 2013. Posterior a esto, directivos y jurados del Premio visitaron la ciudad para conocer de cerca las buenas practicas y avances en urbanismo, sistema integrado de transporte, planeación y presupuesto participativo.

Por invitación de Singapur, el Alcalde Aníbal Gaviria Correa asistirá en misión oficial al Foro de Alcaldes de la Cumbre Mundial de Ciudades, durante el cual Medellín recibirá la mención.

“Es una invitación muy honrosa para Medellín ya que vamos a recibir la mención de honor de un premio que es considerado el más importante en el desarrollo de ciudades”, expresó el mandatario local.

El Foro de Alcaldes es un evento global de líderes de ciudades para discutir temas urbanos de actualidad. Esta plataforma invita a los alcaldes y grandes líderes de organizaciones internacionales y la industria a intercambiar experiencias en soluciones de desarrollo urbano integral, a construir resiliencia económica y ambiental, a comprometerse con las comunidades y a sostener una alta calidad de vida de las regiones urbanas.

En el evento se esperan 300 participantes, incluyendo 120 alcaldes y líderes internacionales.

El Centro de Ciudades Habitables co-organiza el Foro de Alcaldes de la Cumbre Mundial de Ciudades y el Premio Mundial de Lee Kuan Yew.

Junto a Medellín, la ciudad japonesa de Yokohama también recibirá el premio en calidad de mención de honor.

Además de recibir el reconocimiento en Singapur, el Alcalde Gaviria Correa presentará ante delegaciones de todo el mundo la propuesta de Ciudades para la Vida la cual se gestó en Medellín durante el Séptimo Foro Urbano Mundial el pasado mes de abril.

Encuentros de alto nivel

La Agencia de Cooperación e Inversión de Medellín y del Área Metropolitana (ACI), planificó y gestionó la agenda oficial del Alcalde en el país asiático. El Alcalde de Medellín asistirá a diversas reuniones y encuentros con autoridades de diferentes áreas de desarrollo con quienes intercambiará experiencias.

En primer lugar, el mandatario local se entrevistará con representantes de la empresa internacional de Singapur (IE), agencia gubernamental que fomenta la economía externa de Singapur; además con directivos de la compañía  Siemens para presentar los proyectos de Medellín en materia de innovación, movilidad y salud.

De la agenda oficial del Alcalde Gaviria Correa hace parte una reunión con Singapore Land Authority, organismo oficial dependiente del Ministerio de Gobierno que  incluye la Oficina de Catastro, Registro de la Propiedad y el Departamento de Estudios y Apoyo al Sistema de Tierras.

También asistirá al Brainstorm en energía de Shell y CNBC International en el cual se realizará un diálogo para explorar cómo las ciudades inteligentes y las futuras mega ciudades son construidas sobre una visión de sostenibilidad.

Además, el Alcalde de Medellín se reunirá con el Land Transport Authority, Intelligent Transport System, el cual  es responsable de la planificación, operación y mantenimiento de la infraestructura de transporte terrestre en Singapur; con representantes del  Instituto Autónomo de la Universidad Tecnológica de Nanyang;  y sostendrá un encuentro con el  Urban Redevelopment Authority City Gallery. Este ultimo se destaca por haber emprendido la renovación urbana integral y la reconstrucción de la zona central de la ciudad de Singapur.

En reunión con Housing and Development Board, el mandatario local conocerá la experiencia de Singapur donde la cobertura de vivienda pública es de más del 80%.

Las dos reuniones finales en la agenda del Alcalde de Medellín en Singapur serán con Raphael Chua, vicepresidente de Planeación de Jurong Enterprise, empresa que trabaja en consultoría, diseño y construcción y administración de instalaciones para proyectos terminados en 153 ciudades en 47 países; además de un encuentro con  CPG Consultants. Esta es la entidad privatizada del antiguo Departamento de Obras Públicas de Singapur. Es conocida como referente en el diseño y construcción de edificios sostenibles y funcionales con enfoque ecológico y uso eficiente de los recursos naturales.

La misión del Alcalde Gaviria Correa en Singapur culminará el domingo 8 de junio.


Información sólo para periodistas con: 
Ana María Villa Zapata, Consultora ACI
(57-4) 320 34 30 Ext. 103 / avilla@acimendellin.org