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domingo, 28 de maio de 2017

BOLÍVAR SEGUNDO MARX


Karl Marx (1818-1883) não gostava de Simón Bolívar (1783-1830). Deixou isso claro no verbete que escreveu sobre o Libertador das cinco nações sul-americanas (Colômbia, Venezuela, Peru, Equador e Bolívia). Charles Dana (1819-1897), diretor do New York Daily Tribune, contratou o pensador alemão, que tinha passado a residir em Londres a partir de 1843, para que redigisse alguns artigos sobre história militar, bem como biografias e outros assuntos, a fim de publica-los na The New American Cyclopaedia, que Dana vinha preparando. O texto de Marx apareceu publicado, em 1858, no volume III da mencionada obra, com o seguinte título: "Bolívar y Ponte".

Marx dividiu as matérias para a Cyclopaedia com o amigo e colaborador Friedrich Engels (1820-1895), que desde 1840  tinha passado a residir temporariamente na Inglaterra, primeiro em Manchester e depois em Londres. Na distribuição dos temas, coube a Marx redigir a entrada correspondente a Simón Bolívar. O pensador alemão alicerçou-se, para o seu trabalho, em limitada bibliografia por ele consultada na British Library e que menciona no final do artigo. Estas são as fontes consultadas: DUCOUDRAY-HOLSTEIN, General e VIOLLET Alphonse, Histoire de Bolívar, Paris, 1831. MILLER John, General, Memoires in the service of the Republic of Peru. HIPPISLEY, Coronel, Account of his Journey to the Orinoco, Londres, 1819.

Consultei a seguinte edição do ensaio de Marx, publicado em português com o título: Simón Bolívar por Karl Marx (introdução de  José Aricó; epílogo de Marcos Roitman Rosenmann e Sara Martínez Cuadrado; tradução de Vera Ribeiro. São Paulo: Martins, 2008, coleção Dialética, 76 p.). Os meus amigos Antônio Paim e Arsênio Corrêa, do Instituto de Humanidades, presentearam-me com essa obra e a eles dedico o presente comentário.

O acervo da British Library apresentava, na época de Marx, alentada lista de obras sobre o Libertador, que certamente teria dado embasamento a uma apresentação bem mais equilibrada sobre o pensamento e a obra de Bolívar. Marx simplesmente despachou o tema com uma consulta a bibliografia secundária, de forma muito diferente a como agiu em face de outros temas trabalhados por ele na Enciclopédia organizada por Dana e na imprensa, notadamente no New York Daily Telegraph. Convenhamos que a bibliografia existente sobre Bolívar na Inglaterra de então era bem mais rica. O autor não caprichou na escolha das suas fontes.

Dividirei a minha exposição em dois itens: 1 - A apresentação negativa de Bolívar por Marx. 2 - As razões da visão negativa de Marx acerca de Bolívar. 

1 - A apresentação negativa de Bolívar por Marx.

Basta dar uma olhada ao texto escrito por Marx para que fique clara a visão negativa deste sobre o Libertador das cinco nações sul-americanas. Num ensaio curto, de apenas 24 laudas, o autor se refere de forma negativa a Bolívar, a fim de caracteriza-lo apenas como o "Napoleão das retiradas". Os seus triunfos militares não foram mérito próprio. Decorreram ora de circunstâncias alheias como a presença de inúmeros oficiais e soldados estrangeiros, ora da pusilanimidade que de forma instantânea se apossou dos espanhóis em momentos decisivos, ora simplesmente da imprevisível força do destino. Mas nada que possa ser atribuído às virtudes militares do Libertador Simón Bolívar.

Acompanhemos o relato de Marx acerca das "retiradas" do seu biografado.  Logo no começo do ensaio, ao traçar um quadro biográfico do início da vida pública do Libertador e de informar que ele formava parte das "famílias mantuanas" que "constituíam a nobreza crioula da Venezuela", o escritor destaca o fato de Bolívar ter viajado cedo para a Europa, com a idade de quatorze anos, tendo residido na Espanha e na França, concretamente em Paris. O jovem aristocrata, conta Marx, casou em 1802, em Madri, tendo retornado rapidamente à Venezuela onde a sua jovem esposa faleceu de febre amarela. Depois disso, Bolívar visitou a Europa pela segunda vez, tendo estado presente, em Paris, na coroação de Napoleão Bonaparte como Imperador dos Franceses, em 1804. Bolívar presenciou, também, na Itália, a assunção, por Napoleão, da coroa de ferro da Lombardia, no ano seguinte. Não conta nada acerca da viagem que Bolívar realizou em companhia do seu jovem mestre Simón Rodríguez (1769-1854), um rousseauniano de tempo completo, a várias outras cidades italianas, nem menciona o juramento que o jovem fidalgo fez no Monte Sacro, em Roma, no sentido de libertar as nações sul-americanas do jugo espanhol.

De regresso à Venezuela, conta Marx, Bolívar rejeitou a proposta do seu primo, José Félix Ribas (1775-1815), para que se incorporasse à revolução nascente contra a dominação espanhola, tendo preferido aceitar uma missão diplomática em Londres, com a finalidade de comprar armas e buscar o apoio do governo britânico para a causa sul-americana. Bolívar somente conseguiu dos Ingleses, segundo a narrativa de Marx, a "liberdade de exportar armas em troca de dinheiro vivo". De volta à Venezuela, o general Francisco de Miranda (1750-1816), comandante das forças insurgentes, o convenceu para que aceitasse o posto de tenente-coronel do estado-maior, sendo destinado para o comando da estratégica fortaleza de Puerto Cabello.

Como comandante militar dessa importante praça, Bolívar revelou-se um irresponsável traidor da causa venezuelana. Conta Marx no seu relato: "Quando os prisioneiros de guerra espanhóis, que Miranda costumava confinar na fortaleza de Puerto Cabello, conseguiram dominar de surpresa os guardas e tomar a cidadela, Bolívar, apesar de os prisioneiros estarem desarmados, ao passo que ele dispunha de uma guarnição numerosa e uma grande quantidade de munição, partiu precipitadamente durante a noite com oito de seus oficiais, sem informar seus próprios soldados (...) e se recolheu  à sua propriedade de São Mateus. Ao tomar conhecimento da fuga do seu comandante, a guarnição retirou-se ordeiramente do local, que foi ocupado de imediato pelos espanhóis comandados pelo general Monteverde. Esse acontecimento fez a balança pender em favor da Espanha e obrigou Miranda, sob as ordens do Congresso, a assinar o Tratado de La Victoria, em 26 de julho de 1812, devolvendo a Venezuela ao controle espanhol" (p. 34). Não contente com a sua covarde fuga, Bolívar aprisionou Miranda e o entregou aos espanhóis que o trancafiaram numa masmorra em Cádiz, onde o comandante das forças venezuelanas veio a falecer meses depois.

Como prêmio pela sua traição, Bolívar recebeu das autoridades espanholas o passaporte para sair da Venezuela. O general Monteverde declarou: "A solicitação do coronel Bolívar deve ser atendida, como recompensa pelos serviços que ele prestou ao rei da Espanha ao lhe entregar Miranda" (p. 35). Os triunfos dos exércitos venezuelanos contra os espanhóis são explicados por Marx a partir de dois fatores: a crueldade destes para com os nativos e a covardia dos oficiais ibéricos que fugiam quando o confronto se apresentava. A propósito, escreve Marx: "Quanto mais avançavam, maiores se tornavam seus recursos, pois os excessos cruéis dos espanhóis funcionaram em toda parte como sargentos recrutadores do exército dos independentes. A capacidade de resistência dos espanhóis se desarticulou, em parte pelo fato de três quartos de seu exército comporem-se de nativos, que passavam para as fileiras opostas a cada encontro, e em parte pela covardia de generais como Tízcar, Cajigal e Fierro, que a qualquer oportunidade abandonavam suas tropas" (p. 36). Nada de grande planejamento da parte de Bolívar e muito menos de heroicos esforços do Libertador para manter em alto o moral das tropas. As circunstâncias, não os homens, venciam as batalhas em favor dos venezuelanos!

Bolívar, no entanto, segundo Marx, era atuante numa frente: os desfiles rodeado de belas damas. Eis como relata a entrada triunfal do Libertador em Caracas em fins de 1813: "Bolívar foi então homenageado com uma entrada apoteótica. De pé sobre um carro triunfal, puxado por doze jovens vestidas de branco e enfeitadas com as cores nacionais, todas escolhidas entre as melhores famílias de Caracas, Bolívar, com a cabeça descoberta e uniforme de gala, agitando um pequeno bastão, foi conduzido por cerca de meia hora, desde a entrada da cidade até sua residência. Proclamando-se 'Ditador e Libertador das Províncias Ocidentais da Venezuela' (...) criou a 'Ordem do Libertador', formou uma tropa de elite que denominou de sua guarda pessoal e se cercou da pompa própria de uma corte. Entretanto, como a maioria de seus compatriotas, ele era avesso a qualquer esforço prolongado, e sua ditadura não tardou em degenerar numa anarquia militar, na qual os assuntos mais importantes eram deixados nas mãos de favoritos, que arruinavam as finanças públicas e depois recorriam a meios odiosos para reorganizá-las (...) (p. 37).

Tendo recebido o general Bolívar, em 1814, da assembléia popular de Caracas a incumbência de, à frente do poder na Venezuela, negociar com os neo-granadinos a unificação de forças para melhor enfrentar os espanhóis, o "Napoleão das retiradas" perpetrou mais uma. Junto com os seus oficiais, fugiu para a Ilha Margarida e dali passou a Cartagena de Índias, não com a finalidade de negociar a unificação de forças com os neo-granadinos, mas para perpetrar um golpe contra as autoridades locais. Assim registra Marx essa nova aventura do seu biografado: "Se Ribas, Páez e outros generais houvessem acompanhado os ditadores em fuga, tudo se haveria perdido. Tratados como desertores (...) na Ilha Margarita, zarparam (...) para Cartagena. Ali, para coonestar a sua fuga, divulgaram um manifesto justificatório, redigido numa fraseologia pomposa" (p. 39).

Depois que essa tentativa foi frustrada, felizmente, por parte dos habitantes de Cartagena, "A Heroica", Marx conta que Bolívar dirigiu-se para a cidade de Tunja, no centro do país, onde estava reunido o Congresso da República Federal da Nova Granada. Apesar das aventuras golpistas, Bolívar foi incumbido por esse Congresso de submeter a província rebelde de Cundinamarca e, depois, marchar para o porto de Santa Marta, o único que ainda conservavam os espanhóis. Apesar de as autoridades regionais revoltadas terem sido submetidas mediante a toma de Bogotá por Bolívar, ele permitiu aos seus soldados que saqueassem a cidade durante 48 horas.

Depois, em lugar de marchar sobre o porto de Santa Marta, no Mar Caribe, Bolívar desviou o curso para Cartagena, a fim de se apossar da cidade que o tinha expulsado e a submeteu a severo cerco. A tentativa não deu em nada "senão (na) redução de seu exército, por deserção ou doença, de 2.400 para uns 700 homens". Foi uma vergonhosa trapalhada que permitiu às tropas espanholas sediadas em Santa Marta receberem reforços da Espanha, o que obrigou Bolívar a desviar a marcha para Kingston, na Jamaica, onde permaneceu por oito meses. Entrementes, os companheiros que o "Napoleão das retiradas" tinha abandonado na Venezuela resistiram ferozmente aos espanhóis, tendo alguns deles sido presos e fuzilados, como seu primo José Félix Ribas "a quem Bolívar devia sua reputação" (p. 41).

Nas suas andanças pelas ilhas do Caribe ao longo do ano 1815 Bolívar conheceu, no Haiti, Felipe Luís Brion (1794-1821), natural de Curaçao e que prestava os seus serviços como oficial da Marinha ao Reino da Holanda chefiado, na época, pelo irmão casula do imperador Napoleão I, Luis Napoleão Bonaparte (1778-1846). Com apoio do presidente do Haiti, Alexandre Pétion (1770-1818) a quem Bolívar prometeu libertar os escravos das nações que libertasse, organizou um pequeno exército de neo-granadinos que tinham fugido de Cartagena e de ex-escravos haitianos. Brion, por sua vez, conseguiu junto aos ingleses armar um navio de guerra. Bolívar convenceu-o a acompanhá-lo numa invasão à Venezuela. Brion aceitou e, nomeado Almirante por Bolívar, que agia como Comandante da expedição, rumaram para as costas venezuelanas. Desembarcaram primeiro na Ilha Margarida, onde receberam o apoio do general Arizmendi, chefe dos insurrectos, tendo conseguido armar 13 navios para transportar os 800 homens com que contava.

Diante do confronto iminente com os ibéricos, aconteceu o inesperado: nova fuga do "Napoleão das retiradas"! Quando o pequeno exército se aproximava da cidade de Valencia, guardada pelo general espanhol Morales com um minguado contingente de 200 soldados e 100 milicianos, de súbito o comandante Bolívar fugiu de novo. Marx cita as palavras de uma testemunha ocular da covardia bolivariana: o comandante perdeu "toda a presença de espírito, não disse palavra, fez meia-volta no ato com o cavalo, fugiu a toda velocidade para Ocumare, passou pelo vilarejo num galope desabalado, chegou à baía próxima, apeou de um salto, entrou num bote e embarcou no Diana, ordenando a toda a esquadra que o seguisse até a ilhota de Buen Ayre [Bonaire] e deixando todos os seus companheiros privados de qualquer auxílio" (p. 43).

Reabilitado pelos patriotas venezuelanos, de forma paradoxal, após mais essa covarde evasão, Bolívar voltou a assumir as funções de Comandante supremo com a promessa de não se imiscuir na administração civil. Seguiram-se, ao longo de 1815, novas derrotas das forças venezuelanas. Em julho desse ano, no entanto, os patriotas conseguiram aplicar forte derrota aos espanhóis, a partir da invasão, pela retaguarda destes, de um contingente comandado pelo general Manuel Piar (1774-1817) que, desembarcando na Guiana com apoio de Brion, os tomou de surpresa. O triunfo das forças revolucionárias comandadas por Bolívar foi significativo.

Mas o triunfo dos revolucionários patriotas não sedimentou uma paz duradoura na Venezuela. O general Pablo Morillo (1775-1837), importante oficial espanhol, veio da Metrópole com a missão de implantar novamente o antigo poderio ibérico. Embora o número das forças comandadas por Bolívar fosse superior ao dos espanhóis, a errática estratégia bolivariana conspirou contra um desfecho feliz. Ao longo da segunda metade de 1815 e durante os anos de 1816 até 1818, os patriotas sofreram severas derrotas dos seus inimigos. A respeito desses fatos escreve Marx: "Para enfrentar cerca de 4 mil espanhóis, que Morillo não tinha conseguido concentrar, Bolívar reuniu mais de 9 mil homens, bem armados, equipados e fartamente supridos de tudo o que era necessário para a guerra. Não obstante, no fim de 1818, ele havia perdido umas doze batalhas e todas as províncias do rio Orinoco. Dada a maneira como Bolívar dispersava suas forças superiores, elas eram sempre derrotadas quando em separado" (p. 46).

No entanto, o Libertador mudou a sua estratégia aconselhado pelo ex-chanceler venezuelano Juan Germán Roscio (1763-1821) que se desempenhava como o seu assessor jurídico. Duas providências foram adotadas pelo Comandante das forças insurgentes: em primeiro lugar, convocar um Congresso Nacional quer votasse novos tributos para financiar a guerra; em segundo lugar, organizar um grande exército que garantisse aos venezuelanos a ofensiva contra as forças realistas. Rapidamente as forças comandadas por Bolívar chegaram a 14 mil homens bem armados.

A 20 de julho de 1818 os espanhóis eram expulsos de todas as províncias venezuelanas. Reunidos num congresso provisório na cidade de Angostura, os patriotas decidiram instaurar um triunvirato semelhante ao Consulado que tinha investido de poderes a Napoleão Bonaparte em 1802. Imitando a jogada que tinha posto em prática o primeiro cônsul francês, Bolívar dissolveu o Congresso e o Triunvirato, instaurou um Conselho Supremo da Nação e se colocou à testa dele.  Como chefes militar e político foram nomeados, respectivamente, Brion e Francisco Antonio Zea (1770-1822).

Consolidada precariamente a independência venezuelana, Bolívar conseguiu se ver livre de um concorrente incômodo: o general Piar. A respeito, escreve Marx: "Sob as falsas acusações de ter conspirado (...), planejado um atentado contra a vida de Bolívar e aspirado ao poder supremo, Piar foi levado a julgamento por um conselho de guerra presidido por Brion, condenado, sentenciado à morte e fuzilado em 16 de outubro de 1817" (p. 45).

Restava ao exército libertador um duplo repto: fazer frente a uma nova força espanhola chefiada pelo general Morillo que ameaçava chegar até Caracas ou desalojar os espanhóis da Nova Granada que, pela voz do general Francisco de Paula Santander (1792-1840), pedia ao Libertador o auxílio das forças venezuelanas. A respeito, Marx escreve: "Os oficiais estrangeiros lhe sugeriram fingir que tencionava desferir um ataque contra Caracas para libertar a Venezuela do jugo espanhol, e com isso induzir Morillo a enfraquecer Nova Granada e concentrar suas forças na defesa da Venezuela, enquanto o próprio Bolívar deveria rumar subitamente para oeste, unir-se aos guerrilheiros de Santander e marchar sobre Bogotá".

A nova estratégia deu certo. Os espanhóis descuidaram a proteção da Nova Granada para concentrarem as suas forças na defesa de Caracas. Num arrojado lance que lembra a travessia do general cartaginês Aníbal (248-182 a. C.) escalando com os seus elefantes os pelos Alpes para surpreender as legiões romanas, Bolívar dirigiu-se direto das planícies venezuelanas para os Andes, a fim de chegar a Bogotá no menor tempo possível. Realizou, nesse caminho, a arriscada escalada dos Andes, partindo de uma altitude baixa e galgando as geadas cumes da Cordilheira na Sierra del Cocuy (Páramo de Pisba), na província de Boyacá. Nesse trajeto vários dos seus soldados provenientes das cálidas planícies venezuelanas (que integravam a combativa divisão de lanceiros) pereceram de frio ao enfrentarem uma altitude superior aos 5 mil metros. A caminho da capital neogranadina, o exército libertador derrotou os espanhóis em três batalhas sucessivas travadas em 1º de julho, 25 de julho e 7 de agosto de 1819, tendo ficado as duas últimas (Pântano de Vargas e Ponte de Boyacá) como marco histórico da independência neo-granadina.

Vale destacar que essa campanha realizada por Bolívar é apenas mencionada en passant por Marx, ignorando totalmente o valor militar de que deu prova o Libertador nessas jornadas, reconhecidas pelos historiadores como fruto de uma corajosa e arrojada estrategia militar, comparáveis às campanhas desenvolvidas por Napoleão nos Alpes, quando da sua primeira chegada à Itália.

O triunfo das tropas neo-granadinas e venezuelanas foi acachapante e garantiu a libertação definitiva da Nova Granada, tendo aberto a porta para a independência da Venezuela do jugo espanhol. Com a libertação dos dois países nascia a República da Colômbia. A partir daí, Bolívar colocou em pauta a libertação dos restantes três países ainda dominados pela Espanha: Equador, Peru e Bolívia. Foi uma política bem pensada, arrojada e que consolidou a fama de Bolívar como excelente estrategista. 

Consolidado o triunfo sobre os espanhóis nas gestas de agosto de 1819, Marx resume de forma bastante genérica o que se passou depois. Para o autor de O Capital,  tudo não passou de uma circunstância que possibilitou a Bolívar juntar uma grande soma de dinheiro. Do ponto de vista militar, Bolívar desperdiçou a oportunidade que tinha de esmagar os espanhóis, graças à presença, nas filas de combatentes neogranadinos e venezuelanos, de grande contingente de soldados europeus. A respeito, Marx frisa: "(...) Com um tesouro de uns 2 milhões de dólares, obtidos dos habitantes de Nova Granada mediante contribuições forçadas, e dispondo de uma tropa de aproximadamente 9 mil homens, um terço dos quais compunha-se de ingleses, irlandeses, hanoverianos e outros estrangeiros bem disciplinados, coube-lhe então enfrentar um inimigo despojado de todos os recursos e reduzido a uma força nominal de 4.500 homens, dois terços dos quais eram nativos e, por conseguinte, não podiam inspirar confiança nos espanhóis. Com Morillo em retirada (....), os quartéis-generais inimigos ficaram a apenas dois dias de marcha um do outro. Se Bolívar tivesse avançado com arrojo, suas simples tropas europeias teriam esmagado os espanhóis, porém ele preferiu prolongar a guerra por mais cinco anos" (p. 48).

O certo é que, no decorrer dos anos de 1820 e 1821 as forças neogranadinas e venezuelanas se tornaram mais fortes. Bolívar comandava um exército de 6 mil homens de infantaria, entre eles a legião britânica com 1.100 soldados, além de 3.000 cavalarianos "llaneros" sob o comando do general Páez. Contando com a sorte que fez com que fracassasse a expedição que, da Espanha, comandava o general Enrique José O´Donnell (1776-1834), os patriotas desalojaram definitivamente os espanhóis da Venezuela e o Libertador pôde, então, centralizar os seus esforços bélicos na libertação dos países do sul e partir para o Equador, o Peru e a Bolívia.

Marx faz uma avaliação genérica dessa campanha, destacando dois aspectos: de um lado, o caráter centralizador e autocrático de Bolívar e, em segundo lugar, fazendo ênfase no decisivo papel desempenhado pelos auxiliares do Libertador, notadamente o  "Marechal de Ayacucho" o nobre general venezuelano Antonio José de Sucre y Alcalá (1795-1821) nas batalhas travadas contra os espanhóis. Na avaliação de Marx, aquilo de que mais gostava Bolívar era o poder ditatorial, sem esquecer as entradas triunfais, os manifestos e a promulgação de constituições.

A propósito, frisa: "(...) Essa campanha, que se encerrou com a incorporação de Quito, Pasto e Guaiaquil à Colômbia, foi nominalmente liderada por Bolívar e pelo general Sucre, mas os poucos êxitos alcançados pelo corpo do exército deveram-se inteiramente a oficiais ingleses, como o coronel Sands. Durante as campanhas contra os espanhóis do Baixo e Alto Peru, em 1823-1824, Bolívar já não julgou necessário manter a aparência de ser o comandante supremo, delegou toda a condução dos assuntos militares ao general Sucre, e se restringiu às entradas triunfais, aos manifestos e à promulgação de constituições. Por meio de sua tropa de guarda-costas colombianos manipulou a votação do Congresso de Lima, que, em 10 de fevereiro de 1823, transferiu para ele a ditadura; ao mesmo tempo, garantiu sua reeleição como presidente da Colômbia, mediante um novo pedido de renúncia. Nesse meio tempo, sua posição se havia fortalecido, em parte graças ao reconhecimento formal do novo Estado pela Inglaterra, em parte pela conquista das províncias do Alto Peru, as quais este unificou numa república independente, sob o nome de Bolívia. Ali onde as baionetas de Sucre imperavam, Bolívar deu livre curso a suas inclinações para o poder arbitrário, e introduziu o Código Boliviano, numa imitação do Código Napoleônico. Seu projeto era transplantar esse código da Bolívia para o Peru e deste para a Colômbia, a fim de manter esses Estados subjugados às forças colombianas, e manter a Colômbia submetida mediante a legião estrangeira e os soldados peruanos. (...) Como presidente e libertador da Colômbia, protetor e ditador do Peru e padrinho da Bolívia, atingiu o auge da sua glória (...)" (p. 52).

Bolívar desejava efetivar a unidade dos países por ele libertados, ampliando o seu poder a toda a América do Sul, que deveria se tornar uma espécie de República Federativa, a fim de perpetuar o seu nome pelo mundo afora. Esse foi, no sentir de Marx, o "sonho bolivariano" que teve, porém, um breve momento de realização, em decorrência das traições dos seus dominados e devido, também, à doença que o afetava, a tuberculose, fato que é omitido pelo nosso ensaísta.

Em relação ao "sonho bolivariano", escreve Marx, na parte final da biografia: "O que Bolívar realmente almejava era erigir toda a América do Sul como uma única república federativa, tendo nele próprio seu ditador. Enquanto, dessa maneira, dava plena vazão a seus sonhos de ligar meio mundo a seu nome, o poder efetivo lhe escapou rapidamente das mãos. Informadas dos preparativos de Bolívar para introduzir o Código Boliviano, as tropas colombianas do Peru promoveram uma insurreição violenta. (...). Sob a pressão de suas baionetas, assembléias populares reunidas em Caracas, Cartagena e Bogotá, para a última das quais Bolívar se deslocara, tornaram a investi-lo de poderes ditatoriais. Uma tentativa de assassiná-lo no quarto em que ele dormia, da qual o ditador só escapou por ter pulado da sacada em plena escuridão e se escondido embaixo de uma ponte, permitiu-lhe introduzir, durante algum tempo, uma espécie de terrorismo militar. Mesmo assim, ele não pôs as mãos em Santander, apesar deste haver participado da conspiração, ao passo que mandou executar o general Padilha, cuja culpa de modo algum fora provada, mas que, como homem de cor, não pôde oferecer resistência". 

Neste último episódio, Marx faz ênfase na covardia de Bolívar, que somente aplicou a pena capital naquele que não podia reagir, um oficial mulato, o general colombiano José Prudencio Padilla (1784-1827) herói da batalha de Maracaibo, que selou a independência da Venezuela. Com a sua autoridade contestada pelos colombianos, Bolívar refugiu-se no casarão de San Pedro Alexandrino, perto de Santa Marta, no litoral caribe da Colômbia, "quando faleceu repentinamente", escreve Marx. A realidade é que o Libertador foi vítima de tuberculose, que o afetou ao longo dos últimos anos. A vida de Bolívar extinguiu-se, assim, na luta entre dois inimigos: a doença e a reação dos seus libertados, como destacou com maestria Gabriel García Márquez no romance histórico intitulado: El general en su laberinto (1989).

2 - As razões da visão negativa de Marx acerca de Bolívar.

Várias interpretações foram elaboradas pelos estudiosos do marxismo em relação à apresentação escrita por Marx sobre o Libertador. Destaquemos, de entrada, a mutante versão "eclesiástica" elaborada pelos intelectuais do Kremlin, ainda na época do Império Soviético, sobre o escrito de Marx.


Para os especialistas russos, como frisa o estudioso marxista argentino José Aricó (1931-1991), na sua "Introdução - O Bolívar de Marx", (in: Simón Bolívar por Karl Marx, ob. cit., p.  9), as opiniões dos americanistas soviéticos, influenciados de forma decisiva por Vladímir Mikháilovich Mirochévski (1902-1978) e sua escola, "(...) coincidiram com a visão de Marx sobre Bolívar, tornando-a extensiva a uma caracterização negativa das guerras de independência latino-americana. Enfatizando o limitado caráter nacional e popular do processo revolucionário que conduziu à constituição dos Estados independentes, viram nele apenas 'um assunto próprio de um punhado de separatistas crioulos que não contavam com o apoio das massas populares'. O juízo formulado por Marx foi transposto inclusive para as demais personalidades do movimento de libertação e até para o próprio movimento".

No entanto, essa posição canônica dos especialistas do Kremlin mudou nos anos posteriores. A parcial avaliação de Marx sobre Bolívar foi atribuída, então, à parcialidade das fontes por ele consultadas, destacando - falsamente - a ausência de fontes melhores. 

Os americanistas soviéticos escrevem, de forma a salvar a isenção intelectual do seu ícone:  "Marx, como é natural, não possuía à sua disposição, naquela época, outras fontes senão as obras dos autores mencionados, cuja parcialidade era então pouco conhecida. Por conseguinte, era inevitável que Marx elaborasse uma opinião unilateral sobre a personalidade de Bolívar, como se reflete nesse ensaio. Essa ambição de poder pessoal, ampliada nas obras mencionadas, não pôde deixar de influir na atitude de Marx para com Bolívar" (cit. por Arigó, art. cit., p. 9).

Arigó coloca outra razão que explica a pinimba de Marx contra Bolívar: o fato de este ter ancorado na valorização das revoluções bonapartistas, à sombra do pensamento hegeliano e nesses "países sem história" (presentes em Ibero-America) como pensava o filósofo do Espírito Absoluto. Ora, o que Hegel (1770-1831) destacou foi uma espécie de retardamento da grande revolução proletária, consistente numa "expressão linear de uma relação de força já previamente consolidada dentro da esfera econômico-produtiva" (Aricó, art. cit., p. 20). Explicação, convenhamos, um tanto obscura que visa, apenas, a salvar a boa reputação de Marx entre os marxistas....Bolívar era rejeitado por Marx porque encarnava uma abstração da ciência burguesa esconjurada por Marx.

Faço, apenas, duas anotações. Em primeiro lugar, a sociologia marxista se dava bem no contexto dos denominados por Weber (1864-1920) de "Estados Contratualistas", aqueles que surgiram ao ensejo da formação de classes sociais que lutavam pela posse do poder. Não tendo conseguido se eliminar mutuamente, as várias classes firmaram "contratos" a partir dos quais emergiu o moderno Estado, a partir da luta de classes. 

É o caminho assinalado por François Guizot (1787-1874) para explicar a formação da Europa moderna, na sua obra História da Civilização Ocidental desde a queda do Império Romano até a Revolução Francesa (tenho a 6ª edição de 1864). A Europa viu nascer Estados Modernos ali onde houve feudalismo de vassalagem, que possibilitou a diferenciação das sociedades e a emergência de classes "com consciência de classe". Como destacou Plekhanov (1856-1918), Marx se louvou desses conceitos sociológicos conservadores, adotados por Guizot e que, no tangente às classes sociais e à sua dinâmica, tinham sido já tratados por Benjamin Constant de Rebecque (1767-1830) nos seus Princípios de Política (1814).

Já em relação ao tipo de "Estado Patrimonial", estudado por Weber e Karl Wittfogel (1896-1988), não se deu essa diferenciação em classes sociais, mas o Estado moderno se configurou como alargamento de uma autoridade patriarcal primigênia sobre territórios, pessoas e coisas extra-patrimoniais, passando a administra-lo tudo, como "propriedade familiar ou patrimonial". Assim teriam surgido, no Oriente, os Estados Patrimoniais ao ensejo do "despotismo hidráulico", que teve também a sua manifestação na Península Ibérica, bem como na Rússia czarista e nos Impérios pré-colombianos inca e asteca. Teria Marx uma dificuldade especial para lidar com essas formações sociais, onde o poder, como diz Raimundo Faoro (1925-2003), tem donos.

Ora, essa era a realidade imperante na América Latina, por força da forma em que espanhóis e portugueses conquistaram o Novo Mundo, como se se tratasse de um bem de família, submetido domesticamente aos soberanos na "empresa do rei". Um Estado surgido da luta de classes simplesmente inexistiu na América Latina. Daí a dificuldade para Marx entender este quadrante da história moderna. A ação libertadora de Bolívar ficava, portanto, presa a essa penumbra.

Em segundo lugar, do ângulo da formação intelectual, poderíamos reconhecer algumas contradições presentes no pensamento de Marx. No caso da avaliação negativa de Bolívar por parte do pensador alemão, a principal contradição decorria de uma rejeição profunda e emocional que Marx tinha experimentado em face de uma personalidade que não se ajustava às suas expectativas revolucionárias, o seu genro Paul Lafargue (1842-1911), que o destino colocou como parceiro conjugal da sua amada filha, Jenny Laura (1845-1911). 

Médico de origem franco-cubana, Lafargue se orgulhava de ter escrito um ensaio polêmico que se intitulava: O direito à preguiça (1880). Ora, um socialista judeu, como Marx, que valorizava o trabalho como fonte de redenção da classe operária e que acreditava no papel messiânico da classe explorada, à sombra do messianismo político de Saint-Simon (1760-1825), certamente se revoltou contra alguém que se gabava, na empreitada escatológica para libertar os trabalhadores, de faze-lo de costas para o trabalho, a partir do ócio. "Semeei dragões, mas colhi pulgas", afirmou Marx de certa feita em relação aos seus genros, Paul Lafargue e Charles Longuet (1839-1903).

Com a sua concepção anti-trabalho que se aproximava da visão contrarreformista imperante na Península Ibérica, Lafargue virou uma espécie de embaixador informal das ideias comunistas no meio ibérico. Mas o sogro jamais o perdoou por ter negado a "ética do trabalho" presente no Capital. Lafargue seria uma espécie de "bode expiatório" que carregava sobre si a infelicidade ibérica de não contar com a valorização do trabalho. Cubano e herdeiro dessa concepção nobiliárquica ibérica que fazia do trabalho "castigo pelo pecado original", Lafargue possibilitou que a imaginação do sogro enxergasse, à sua sombra, outra figura herdeira dessa perniciosa tradição de ética do não trabalho, o festeiro e guerreiro Bolívar, o "Napoleão das retiradas".

Lafargue e Jenny Laura praticaram o suicídio em 1911, se injetando uma substância letal. Na mensagem de despedida, Lafargue escreve que comete o suicídio "antes que a velhice imperdoável me arrebate". Lenine (1870-1924), tornando-se porta-voz dos comunistas, escreveu a respeito: "Um socialista não pertence a si mesmo, mas ao partido. Pode ser útil à classe operária. Por exemplo, escrevendo nem que seja um artigo ou um apelo. Não tem direito a suicidar-se".

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

L'influence de Rousseau sur la formation et sur la vie de Simon Bolivar

            Este texto foi publicado nos Anais do Congresso sobre Jean-Jacques Rousseau ocorrido en Montmorency, França, no final de 1995.
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O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), inspirador de Simon Bolívar.

La présence des idéaux rousseauniens est indéniable dans les luttes d'indépendance des  plusieurs pays ibéro-américains [1]. Mon but dans ce travail est de montrer l'inspiration exercée par le philosophe de Génève sur l'une des plus expressives personnalités du monde ibéro-américain: le Libérateur Simón Bolivar (1783-1830). Je développerai deux aspects de cette inspiration: premièrement, le Maître, où je releverai la façon dont la pensée rousseaunienne inspira le tuteur et maître de Bolivar, don Simón Rodríguez (1771-1854) et comment celui-là  marqua la formation intellectuelle du Libérateur; deuxièmement, le Disciple, où j'analyserai l'influence de Rousseau sur Bolivar.
1- Le Maître
            Simón Rodríguez fut, sans doute, l'éducateur qui exerça la plus grande influence sur la formation de la personnalité du Libérateur Simón Bolivar. Rodriguez naquit à Caracas et décéda à Amotape , petit village du Département de Piura (Pérou) [2].
            Si quelqu'un un jour réussit à incarner  fidèlement l'idéal de vie et de conception humanistique prêchés par Jean- Jacques Rousseau, ce fut Simón Rodríguez. Il reproduisit  dans sa vie et dans ses enseignements  les  idéaux rousseauniens de la théorie de la bonté naturelle de l'homme et du contrat social, d'autodidactisme, de rapport étroit entre nature et société, de morale basée sur la liberté, de  triomphe du sentiment sur la raison. [3].
            Simón Rodríguez subit également l'influence d"Holbach (1723-1789) et de Saint-Simon (1760-1825). Du premier, l'éducateur de Bolívar prit la valorisation du savoir scientifique et experimental de la nature, une influence qui, d'ailleurs, il avait aussi reçu de Rousseau. Du deuxième, il prit les idéaux socialistes, fondés sur l'idée rousseaunienne d'égalité. La philosophie qui eut donc plus d'influence chez Rodríguez fut celle de Rousseau.
            Comme le philosophe de Génève, Simón Rodriguez fut un penseur itinérant. "Je ne veux pas être, disait-il, comme les arbres, qui étendent leurs racines dans un endroit pour ne plus le quitter. Le vent, l'eau, le soleil, tout ce qui bouge et ne s'arrête jamais, c'est cela la vie pour moi." [4]. Bolivar lui-même ainsi définit la personnalité itinérante et cosmopolite de son maître et ami: "C'est le meilleur homme du monde, pourtant, puisque que c'est un philosophe cosmopolite, il n'a ni patrie, ni foyer, ni famille, ni rien d'autre." [5]. Dans sa conduite le maître de Bolivar était aussi totalement rousseaunien: autodidacte, ce qui a été déjà signalé, amant de la nature, défenseur infatigable des opprimés, réformateur audacieux  des  méthodes pédagogiques , il s'agissait d'une personnalité polyfacétique, difficile à être insérée dans un système de réflexion ou d'un stablishment. Cette originalité naturelle le mena à changer de nom, ayant adopté celui de "Samuel Robinson". Guillermo Francovich[6] a ainsi synthétisé la figure de Rodríguez: "La personnalité du ‘Maître du Libérateur’, Simon Rodríguez, est l'une des plus originales de l'histoire américaine. On connaît beaucoup d'anecdotes sur lui, grâce auxquelles , s'il avait été né en Grèce classique, il aurait certainement mérité de figurer dans la galérie des ‘philosophes illustres’ de Diogènes Laerce, à côté des maîtres de la pensée cynique et sceptique. Malgré son apparente excentricité, Simón Rodriguez fut un esprit profondement humain et toujours préoccupé des problèmes du bien-être social."
            J. A. Cova [7] à son tour, identifie Rodriguez comme étant une espèce de copie de Rousseau: "Les excentricités, les faiblesses ou les manies de l'angoissé auteur des Confessions, revivent incorporées au "dromomane" impénitent, au precepteur systématique, au sophiste et au poète hypocondriaque."
            Le contact de Simón Rodríguez avec Bolivar se fit en trois moments: pendant l'adolescence de son disciple, entre ses 11 et 14 ans (1794-1797), pendant sa jeunesse, à 21 ans (1804-1805) et, finalement, vingt ans après, quand Bolivar était déjà le Libérateur de cinq pays. En tous ces moments, l'influence du maître sur son disciple fut décisive.
            Concernant l'influence exercée par Rodriguez sur Bolivar adolescent, Jules Mancini [8] nous rapporte: "Investi de totale autorité sur son disciple favori, Rodriguez a alors pensé pouvoir réaliser un projet spécialement cher à son coeur, celui de mettre sur pied le système d'éducation prôné par Rousseau. Le garçon qu'on lui avait confié était, tel qu'Emile, "riche", "de grande lignée", "orphelin", "robuste" et "sain". En même temps, Rodriguez ne réalisait-il pas l'idéal du précepteur rêvé par Jean-Jacques? "Jeune", "prudent", "célibataire" et ïndépendant", "une âme sublime", des qualités ou attributs auxquels pouvait aspirer Simón Rodríguez , qui avait alors vingt et un ans et la réputation d'être le meilleur instituteur de la ville."
            Pour que le disciple développât les potentialités, le tuteur se voua, comme le disait Rousseu [9] dans Emile ou de l'Education, à la "difficile tâche de ne rien lui apprendre" afin qu'il pût demeurer dans son "état naturel". D'autre part, persuadé  de la vérité de l'axiome rousseaunien selon lequel "la raison du savant habituellement s'associe à la vigueur de l'athlète", Rodriguez prolongea les séjours de son disciple à la campagne et réussit à développer à merveille les aptitudes physiques du futur Libérateur. En effet, celui-ci devint  un marcheur infatigable, un extraordinaire chevalier et un nageur audacieux, avec qui, comme le remarque Mancini [10], "ne réussit jamais à concourir aucun de ses camarades d'armes."
            Concernant l'influence exercée par Simón Rodríguez pendant la jeunesse de Bolivar, le Libérateur fit lui-même un important rapport. Dans une lettre adressée de Paris à sa cousine Fanny D'Ervieu de Villars, en 1804, Bolivar avoue que ce fut Simón Rodriguez qui le délivra de l'état de dépression où il se trouvait après la mort de sa femme Maria Teresa Rodriguez de Toro, survenue en 1803. Ce fut le maître qui lui fit voir que la lutte pour la libération de l'Amérique espagnole serait un dessein qui donnerait du sens à sa vie. [11]. En 1805, maître et disciple voyagerènt en Italie, et sur le Monte Sacro, à Rome, Bolivar prononça devant Rodríguez  le fameux serment où il s'engageait à libérer les peuples hispano-américains . [12].
            Par rapport à l'influence exercée par Símon Rodríguez sur la maturité du Libérateur, la lettre qu'il envoya à son maître en 1804 en est très éclairante. Rodríguez venait de retourner en Ibéro-Amérique, après avoir vécu 20 ans en Europe. En voilà un extrait: "Mon maître! mon ami! mon Robinson! Vous en Colombie! Vous à Bogotá et vous ne m'avez rien dit, rien écrit ! Il est hors de doute que vous êtes l'homme (...) le plus extraordinaire du monde (...). Personne autant que moi sait combien vouz aimez notre Colombie idolâtrée. (...) Vous souvenez-vous du jour où nous sommes allés sur le Monte Sacro, à Rome, promettre sur cette terre sainte la liberté de la Patrie? (...) Vous, mon maître, ce que vous avez dû m'observer de près, quoique placé à une si lointaine distance! Avec quel interêt vous avez dû suivre mes pas, conduits bien avant par vous même. (...) Vous ne pouvez pas imaginer combien sont enfoncés dans mon coeur vos enseignements: je n'ai pas réussi à effacer même pas une virgule des grandes maximes dont vous m'avez fait cadeau: toujours présentes devant mes yeux, je les suis comme des guides infaillibles. (...) J'impatiente de connaître vos projets au sujet de tout.(...) Vous contemplerez avec enchantement l'immense patrie qui est sculptée dans le rocher du despotisme par le burin victorieux des libérateurs, vos frères. (...) Venez a Chimborazo. Profanez de votre pied audacieux l'escalier des Titans, la couronne de la Terre, la tour inaccessible de l 'Univers Nouveau. (...) Ami de la nature, venez l'interroger sur sa vie, sur son essence primitive. (...) Là-bas (en Europe) , elle est pliée sous le poids des années , des maladies et de l'haleine pestilentielle des hommes: ici , elle est pucelle, immaculée, belle, touchée par la main du Créateur. " [13].
            Le Libérateur voulut que son maître repandît la lumière de ses connaissances sur les pays récemment libres. Dans le Haut Pérou (Bolivie), Simón Rodríguez a essayé de développer ses "écoles-modèles", ou s'accomplirait l'idéal d'un "socialisme pédagogique", dont l'objectif était de transformer les enfants abandonnés en des citoyens libres. L'intention de cette entreprise , le remarquait Rodríguez , "n'était pas de remplir le pays d'artisans rivaux ou miséreux , mais de les cultiver  et les habituer au travail pour qu'ils devinssent des hommes productifs, leur donner des terres et les appuyer dans leurs entreprises. Il s'agissait de coloniser le pays avec ses propres habitants. On donnait instruction et métier aux femmes pour qu'elles ne se prostituissent pas par besoin , ni fissent du mariage une affaire qui garantît leurs nécessités." [14]. L'initiative de Rodríguez n'a pas eu de suite, d'une part à cause de son manque d'esprit pratique, et d'autre part à cause des intrigues des oligarquies, desquelles , d'ailleurs , le Libérateur lui-même fut vicitme, mis à l'écart de la vie publique pendant ses dernières années. [15]. Maître et disciple eurent donc une fin de vie d'incompréhension, comme l'avait eu aussi le génial inspirateur des deux, "l'homme qui croyait en l'homme", Rousseau, pour répéter le titre bien trouvé de l'oeuvre de Vincent Howlet [16].
2-Le Disciple
            S'il est certain que la formation de Simón Bolivar subit, comme nous l'avons vu, la remarquable influence de son tuteur et maître, Simón Rodríguez, on ne peut pourtant pas affirmer qu'elle se bornait aux idéaux humanistiques rousseauniens de son "Robinson". Il eut aussi chez le Libérateur la formation militaire. Pour compenser la formation hétérodoxe et romantique que le tuteur accordait à l'adolescent, son soucieux oncle, don Carlos Palacios décida de l'inscrire en tant qu'aspirant au Bataillon de Volontaires d'Aragua, celui où le père du jeune homme avait été jadis. Entre 1797 et 1798, pendant 13 mois, le futur Libérateur  reçut sa formation militaire. Comme le signale Sandoval Franky [17] "(...) désormais, jusqu'à sa mort, ce serait son activité la plus glorieuse, peut-être son exclusif et vrai métier."
            Dans la personnalité de Bolivar le caractère militaire était évident. "La guerre est mon élément; les dangers ma gloire", dirait-il plus tard. Mêlées d'une ironie mélancolique, écrivait-il ces lignes au général Santander: "Etant l'organisation de cette République un fait aussi sublime et moi même si profondément soldat, je ne serais pas capable de manipuler des touches aussi délicates."  "Hors de l'armée, disait-il ailleurs, je suis deplacé de mon centre." Et encore une autre assez éloquente: "Soldat par besoin et par penchant, mon sort est tracé dans le champ ou dans la caserne." Ou alors, une autre: "Mon horrible métier militaire m'a forcé à former une conscience de soldat et un bras robuste qui ne peut manier le bâton au lieu de l’épée” [18]. Si les idéaux humanistiques et civiques furent abreuvés dans la source rousseaunienne, son archétype militaire fut Napoléon. Comme le remarque Mancini [19], "il ne lui fut pas possible de s'échapper à l'influence des deux hommes dont la pensée et dont l'action dominèrent le siècle; et ce fut à Jean-Jacques et à Napoléon que Bolivar demanda des leçons et des exemples." Malgré l'admiration que le Libérateur avait pour le héros de France à l'époque de la signature du Traité d'Amiens en 1802 [20], au moment du couronnement du Grand Général, en 1804, Bolivar conclut qu'il avait trahi les idéaux républicains. Et il avoua  quelques années plus tard au général Tomás Cipriano de Mosquera [21]: "Après être devenu roi, la gloire de Napoléon même me parut le resplendissement de l'enfer, les flammes du volcan qui recouvrait la prison du monde."
            Désormais, l'archétype militaire que représentait Napoléon était soumis, pour Bolivar, à la préversation de l'idéal républicain prêché par Rousseau, centré sur la sauvegarde du salut publique dans un moment de crise de légitimité, comme celui que vivaient les nations hispano-américaines.
            Le principe qui inspira la "geste" révolutionaire de Bolivar fut, sans doute, celui que Rousseau exposa [22] dans son  Contrat Social: "Seuls les plus grands dangers peuvent contrebalancer  (le pouvoir) d'altérer l'ordre public, et on ne doit jamais suspendre le pouvoir sacré des lois, sauf quand il s'agit du salut de la patrie. Dans ces rares et évidentes occasions, on  assure la sécurité publique par un acte particulier qui confie le poste au plus digne (...), on nomme un chef suprême qui doit faire éteindre toutes les lois, en suspendant la volonté générale, il étant évident que le premier dessein du peuple est d'éviter l'anéantissement de l'État." Ce fut ce principe, par exemple, qui mena Bolivar à accepter d'exercer la dictature au Venezuela, en 1814 et au Pérou en 1824. Mais l'inspiration rousseaunienne du Libérateur ne s'arrêtait pas là. Une fois garantie l'indépendance et la liberté aux nations hispano-américaines, le Libérateur aspira au suprême idéal roussseaunien: incarner la figure du Législateur, "(...) individu unique (...), être extraordinaire, inspiré et quasi divin, capable de donner à un peuple, au point de départ, à l'origine de sa vie politique, son système de  législation, ses lois essentielles, fondamentales, source d'institutions durables" [23].
            De cette façon, l'aspect fondamental du Bolivar homme politique fut celui du Législateur qui pensa les fondements légaux du pacte social, qui garantirait la liberté et l'égalité aux nations nouvellement libérées du pouvoir espagnol. Il est évident que la conception constitutionnelle du Libérateur ne se basait pas seulement sur les principes rousseauniens. Ses inspirateurs furent aussi Locke, Montesquieu, Sieyès et les constitutionalistes anglo-américains. Le projet de constitution présenté par Bolivar au Congrès d'Angostura (1819) laisse voir ces influences dans les huit propositions qu'il contient: 1) forme républicaine de l'Etat; 2) souverainété nationale materialisée par les représentants de la nation élus au suffrage censitaire; 3) adoption du partage des pouvoirs publics, qui devraient être quatre: exécutif, législatif, judiciaire et moral; 4) adoption des droits individuels et des libertés publiques, conformément aux expériences nord-américaine et française; 5) abolition de l'esclavage et des titres nobiliaires; 6) organisation politique et administrative basée sur le principe centraliste; 7) adoption du modèle présidentiel américain, ayant un pouvoir exécutif monocratique contrôlée par un législatif de deux chambres; 8) création d'un pouvoir moral ayant la tâche de garantir une  éducation fondamentale civique pour les citoyens [24].
            On peut donc conclure que l'influence de Rousseau est la plus remarquable en ce qui concerne les convictions constitutionnelles de Bolivar, puisque c'est sur la philosophie politique du génébrien que se fonde l'aspect le plus original de la proposition bolivarienne: l'idée du pouvoir moral. Bolivar  voulait, à partir de ce pouvoir, donner naissance au "régime de la vertu" prêché par Rousseau dans son Contrat Social. Cela consistait, fondamentalement, à bannir les interêts privés pour qu'émergissent le bien public et la volonté générale, indivisible, infaillible, absolue, inaliénable, sacrée et inviolable.
            Ce passage du discours prononcé par Bolivar à Angostura en 1819 dévoile son inspiration rousseaunienne: "Pour retirer du chaos notre jeune République, toutes nos facultés morales ne seront pas suffisantes si on ne fond pas la foule populaire en un tout, la composition du gouvernement en un tout, la législation en un tout, et l'esprit national en un tout. Unité , unité, unité, cela doit être notre consigne (...). L'éducation populaire doit être le soucis aîné de l'amour paternel du Congrès. Morale et lumières sont deux pôles d'une République, morale et lumières sont nos premiers besoins. Prenons d'Athènes son Aréopague et les gardiens des moeurs et des lois; prenons de Rome ses censeurs et ses tribunaux domestiques, et en formant une Sacrée Alliance de ces institutions morales, renouvelons dans le monde l'idée d'un peuple auquel il ne suffit pas d'être libre et fort, mais qui veut aussi être vertueux. Prenons d'Esparte ses austères établissements, et formant, à partir de ces trois torrents, une source de vertu, donnons à notre République un quatrième pouvoir dont le domaine soit l'enfance et le coeur des hommes, l'esprit public, les bonnes moeurs et la morale républicaine. Constituons ce Aréopague pour qu'il veuille sur l'éducation des enfants, sur l'instruction nationale, pour qu'il purifie ce qui a été corrompu dans la République (...). Le pouvoir de ce Tribunal vraiment sacré doit être effectif par rapport à l'éducation et à l'instruction, en même temps il doit donner son opinion sur les pénalités et châtiments. Mais ses annales ou notations, où sont inscrites ses décisions, les principes moraux et les actes des citoyens, seront les livres de la vertu et du vice. Des livres d'enquête du peuple pour ses choix, des Magistrats pour leurs décisions et des juges pour leurs jugements (...)" [25].
            A la lecture de ces paroles, on conclut qu'il n'y a pas d'exagération de la part des biographes du Libérateur (comme Mancini, par example) quand il dit que les oeuvres de Rousseau "constituent (...) en toute occasion, sa lecture préférée. Il prend des Discours  le fond de son vocabulaire jusqu'à ce qu'en lisant Bolivar on croit, parfois, lire une traduction de Rousseau. Quand il s'agit de célébrer par des fêtes les premiers exploits des armées libératrices, il s'adresse à Lettre sur les spectacles. Le Contrat Social, ‘phare des législateurs’, est son code en matière de politique, ainsi que la Profession de foi du vicaire savoyard  lui sert de réligion." [26].
            Pourtant, ce ne fut pas seulement Bolivar homme politique ou législateur qui révela l'influence rousseaunienne. Elle se révela aussi, de façon remarquable, chez Bolivar éducateur, pour qui le processus éducationnel consistait dans "l’endurcissement du corps en tant que support de l'esprit" [27]. L'influence rousseaunienne se manifeste également chez Bolivar romantique qui aime les femmes et la vie du bon sauvage et qui se lasse de la vieille Europe. À Fanny de Villars, dont il s'éprit à Paris, le jeune Bolivar écrivait en 1807: "Je vais chercher un autre mode de vie, je sens du dégoût envers l'Europe et ses vieilles sociétés. Je retourne en Amérique. Que ferai-je là-bas? (....) Je l'ignore.(...). Vous savez que chez moi tout est spontané et que je ne fais jamais de projets. La vie du sauvage a pour moi beaucoup d'enchantements. Il est probable que je construise une chaumière entourée des beaux bois du Venezuela (...)" [28]. Un autre trait romantique du Libérateur qui l'approche de Rousseau, on le trouve dans la mystique révolutionnaire qui l'inspira et qui le mena à proférer, en 1805, sur le Monte Sacro, à Rome, le serment de libération de sa patrie [29]. Côté romantique aussi est sans doute son admiration rousseaunienne de la nature, dont la manifestation est perçue dans son extraordinaire "Délire sur Chimborazo" (1824) [30], ainsi que la séduction et la magnétisme de sa personnalité, qui, sans aucun doute, rappellent à la fois le héros à la Rousseau et le charisme napoléonien [31].
            Comme Rousseau et aussi comme son maître Simón Rodríguez, Bolivar ne fut point compris à la fin de sa vie. Les paroles, écrites peu avant sa mort, à son amie Fanny de Villars, en donnent la preuve: "(...) Je meurs méprisé, proscrit, détésté par ceux mêmes qui ont profité de mes faveurs; victime d'énorme douleur, captif d'innombrables amertumes. Je te laisse mes souvenirs, mes tristesses et les larmes que mes yeux n'ont pas réussi à verser" [32].
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                                             La version de ce travail a été executée par MARIA LÚCIA VIANA. L’Auteur lui consigne ici ses remerciements. Juiz de Fora, (Minas Gerais, Brésil), Octobre de 1995.



[1]Cf. SÁNCHEZ VÁSQUEZ, Adolfo.Rousseau en México. Mexico: Grijalbo, 1969; VÉLEZ-RODRÍGUEZ, Ricardo. Liberalismo y conservatismo en América Latina .Bogotá: Tercer Mundo/Université de Medellín, 1978 . Du même auteur, A propaganda republicana. 2ème édition. Rio de Janeiro: Université Gama Filho, 1994. ARCINIEGAS, Germán. Bolivar y la revolución. Bogotá: Planeta, 1984.
[2]Cf. LIÉVANO AGUIRRE, Indalecio. Bolivar. 6ème édition. Bogotá: La Oveja Negra, 1987, pgs. 15-22.
[3]Cf. FRANCOVICH, Guillermo. “Un mago de la ortografía”. In:Ultima Hora, La Paz, 31/08/83, p. 2.
[4]In CASTRO, Moacyr Werneck de. Bolivar (1783-1830). São Paulo: Ed. Três, 1973, p. 22.
[5]In CASTRO, Moacyr Werneck de,  op. cit.,, ibid.
[6]FRANCOVIC, Guillermo. La filosofia en Bolivia. Buenos Aires: Losada, 1945, p. 75.
[7] COVA, J. A. El superhombre: vida y obra del Libertador. (Prologue de R. Goménez Oreamuno). 3ème édition. Caracas: Novedades, 1943
[8] MANCINI, Jules.op. cit., p. 118.
[9] ROUSSEAU, Jean-Jacques. Obras I. (Plan, intr. et notes par P. Arbousse-Bastide, traduction d L. Santos Machado), Porto Alegre: Globo, p. 65.
[10] MANCINI, Ob. cit., p. 118.
[11] BOLIVAR, Simon.Cartas de Bolivar, 1799 a 1822. (Intr. de J. E. Rodó; notes de R. Blanco-Fombona). Paris/Buenos Aires: Louis Michaoud, 1912, pp. 41-42.
[12] MANCINI, Jules. Ob. cit., p. 150.
[13] Apud MANCINI,  Jules, ob. cit., pp. 154-155.
[14] Apud FRANCOVICH, Guillermo. La filosofia en Bolivia. op. cit., p. 79
[15] Cf. FRANCOVICH, Guillermo, “Contrastes (Diálogo)”.Ultima Hora, La Paz, 24/12/84, p. 2; GARCÍA-MÁRQUEZ, Gabriel.El general en su laberinto, Bogotá: La Oveja Negra, 1989 269-272; MUTIS, Alvaro,  Ël último rostro (fragmento)”. In: La mansión de Araucaima, Bogotá: La Oveja Negra, 1982, pp. 70-93.
[16] HOWLETT, Marc-Vincent,L’Homme qui croyait en l’Homme: Jean-Jacques Rousseau. Paris: Gallimard, 1994.
[17] SANDOVAL-FRANKY, Jairo.Simon Bolivar: sus años formativos. Bogotá: Plaza & Janés, 1991, p. 40.
[18] Apud SANDOVAL-FRANKY, Jairo. Simon Bolivar: sus años formativos, op. cit., ibid.
[19] MANCINI, Jules. Bolívar y la emancipación de las colonias españolas desde los orígenes hasta 1815. Op. cit., p. 151.
[20] Cf. COVA, J. A. El superhombre: vida y obra del Libertador. Op. cit., p.49.
[21] MOSQUERA, Tomás Cipriano de. Memoria sobre la vida del general Simon Bolivar, Libertador de Colombia, Perú y Bolivia. (Intr. de M. González). Bogotá: Instituto Colombiano de Cultura, 1977, p. 39.
[22] ROUSSEAU, Jean-Jacques.Obras II. (Plan et notes par P. Arbousse-Bastide; traduction de L. Gomes Machado). Porto Alegre: Globo, 1962, p. 150.
[23] CHEVALLIER, Jean-Jacques. As grandes obras políticas de Maquiavel a nossos dias. (Trad. de L. Christina). Rio de Janeiro: Agir, 1973, p. 173.
[24] ROZO ACUÑA, Eduardo. Bolivar: Pensamiento constitucional.Bogotá: Universidad Externado de Colombia, 1983, pp. 14-15.
[25] BOLIVAR, Simon. Ensayos políticos. (Selection et notes par G. Soriano). Madrid: Alianza Editorial, 1971 pp. 116-117.
[26] MANCINI, Jules. Bolivar y la emancipación de las colonias españolas desde los orígenes hasta 1815. Op. cit., p. 151.
[27] Apud ACEVEDO CARMONA,  Jairo. Bolivar Libertador y Educador de América. Medellín: Universidad de Antioquia, 1989, p. 26.
[28] Apud GAITÁN DE PARÍS, Blanca. La mujer en la vida del Libertador. 2ème édition. Bogotá: Sociedad Bolivariana de Colombia, 1991, p. 43.
[29] Cf. MANCINI, Jules.Bolivar y la emancipación de las colonias españolas desde los orígenes hasta 1815. Op. cit., pp. 149-150.
[30] Cf. MANCINI, Jules, op. cit., pp. 148-149; ARCINIEGAS, Germán. Bolivar y la revolución. op. cit., p. 57.
[31] Cf. NOGUERA-MENDOZA, Anibal et Flavio DE CASTRO. (Organisateurs). Aproximación al Libertador: Testimonios de su época. Bogotá: Academia Colombiana de Historia/Plaza & Janés, 1983, pp. 83, 137, 168.
[32] In: CASTRO, Moacyr Werneck de. Bolivar (1783-1830). São Paulo: Edit. Três, 1973, p. 275.