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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

TRUMP PRESIDENTE: E AGORA?



Trump presidente dos Estados Unidos: e agora? Neste mundo globalizado, o resultado da eleição presidencial americana caiu como uma bomba nos smartfones de muita gente que não pregou o olho durante a noite de apuração do pleito. Eu fui dormir às 23 horas de terça-feira, imaginando que Hillary seria eleita por pequena margem. Confesso que fiquei desapontado. Mais um populista no horizonte, depois que o Brasil se viu livre de Lula e a sua corja! É demais. Mas, em fim, é a realidade. E contra os fatos não se deve brigar.

Gente da minha geração entrou em pânico, como  o jornalista Samuel Silva, editor de opinião da revista América Economia, residente nos Estados Unidos, que escreveu: "O futuro do mundo à la norte-americana se apaga enquanto Trump impõe o populismo". Para Silva, que era jovem quando ocorreu o fatídico 11 de setembro de 1973 (data do assassinato de Allende no golpe comandado por Pinochet), mais duas datas trágicas vieram se somar à lista de surpresas negativas: o 11 de setembro de 2001, com o ataque terrorista às Torres Gêmeas e ao Pentágono e o 8 de novembro de 2016, com a fatídica eleição de Trump. Para o jornalista, que passou a viver como imigrante nos Estados Unidos, onde constituiu família, chegou ao fim a esperança por um mundo globalizado e aberto à cidadania livre. "É possível - frisou Silva - que a vitória eleitoral de Donald Trump haja alterado substancialmente o destino da espécie humana (...). Ganhou Trump: silêncio, estou de luto!".

Imagino que o pesadelo está sendo forte também para os mexicanos, que à sombra do tratado de livre comércio com os Estados Unidos turbinaram a sua economia ao longo da últimas décadas. Hoje, mais do que nunca, com o pesadelo Trump na vizinhança, vale a famosa frase de Porfirio Díaz, o ditador positivista do início do século XX: "Coitado México: tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos!"

Vejo a imprensa internacional de hoje, 10 de Novembro e os titulares, no entanto, não são assim tão catastróficos. Após o primeiro impacto, começam a se diluir as ondas de choque. Na França, por exemplo, noticia Le Figaro, a opinião pública vê com bons olhos o novo fato: 55,47% dos entrevistados considera positiva a eleição de Trump, enquanto 44,53% acha a coisa ruim. Candidatos conservadores à presidência, como Sarkozy, consideram que o ambiente é favorável. E já começam a falar os assessores do novo presidente americano, destacando que a situação não é tão escatológica.

Kellyane Conway, por exemplo, diretora da campanha de Trump, frisou: "A reação dos mercados em face do resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos decorreu do fato de que a vitória republicana foi uma surpresa". Já Peter Navarro, assessor econômico de Trump, frisou que na equipe do novo presidente "haverá muita gente com experiência no setor privado", enviando assim um sinal positivo para os inversionistas.

Concluo estas reflexões com o pensamento de Tocqueville em face dos tsunamis que nos depara a História: nas grandes mudanças não somos os donos do leme do barco em que viaja a Espécie Humana. Temos, apenas, domínio sobre alguns fatos próximos de nós. O importante é nos mantermos vigilantes para que, no que toca à nossa responsabilidade, saibamos defender a Liberdade, esse bem inapreciável que constitui a nossa razão de ser. 

Continuemos, assim, a navegar nestas águas turbulentas, fazendo o dever de casa: consolidando a reconstrução das nossas instituições republicanas, a começar pelo saneamento das contas públicas, dilaceradas com a orgia lulopetista destes últimos treze anos de desgoverno e populismo. As restantes variáveis irão sendo equacionadas quando o seu tempo chegar.

4 comentários:

  1. Parece-me que o que propiciou a vitória de Trump foi o modelo eleitoral americano. É um modelo que atendeu aos interesses goverrnagtivos do século XVIII: a federocracia. Foi uma espécie de poder moderador americano ou o "povoir royal" de B. Constant.

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  2. Bom, parece que, pelo percurso histórico das eleições americanas, o sistema funciona a contento. O problema é que agora, com a crítica de Trump à globalização, o projeto econômico americano é questionado. E parece que a opinião pública americana compra essa ideia...

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    1. O sistema eleitoral americano não tem apenas raízes históricas de circunstância. Os Estados Unidos é e continua sendo, de fato, uma Federação de Estados. O sistema leva em conta o voto individual, mas o consolida de forma a que nenhum Estado seja irrelevante. Por cinco vezes na história houve alguma discrepância entre totalização de voto individual e totalização de representantes ao Colégio Eleitoral, mas a justiça e eficácia do sistema nunca foi posta em dúvida.

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  3. Ricardo, torci muito para que o candidato republicano fosse uma figura mais equilibrada e menos boquirrota. Entretanto, considero inteiramente ridículas as análises e profecias que têm sido feitas. Se o dólar sobe ou desce, tanto faz, é culpa da vitória do Trump. O fato é que a luta ideológica, hoje, é travada basicamente dentro da grande potência e cada vez que a "left-wing" quebra a cara sai anunciando o fim do mundo. O momento, com as emoções à flor da pele, não é favorável a análises mais ponderadas, sob risco de ser soterrado pelos impropérios politicamente corretos da moda. Mas em breve será importante estudar as razões que levaram à vitória legítima do Trump, independente do que se ache dele. Ele venceu em Ohio, Flórida, Michigan, nas duas Carolinas e até na Pensilvânia e no Wisconsin. Perdeu no Distrito Federal por 93%. Que tal? Com excelentes vitórias em muitas grandes cidades, Hillary foi massacrada na maioria dos condados menores. Será que a culpa é do Trump, ou mesmo, será que os méritos são dele? Um bilionário de NY é tão carismático assim? Não bastou a surra aplicada a 16 concorrentes no GOP para a mensagem ser entendida? Tomo a liberdade de lhe mandar 2 downloads para análise: https://www.facebook.com/dionnealexander/videos/10208149246141363/?hc_location=ufi
    http://video.foxnews.com/v/5210354484001/?#sp=show-clips
    Abraços

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