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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ÉTICA, TERRORISMO E CRIMINALIDADE

Marco Archer Cardoso Moreira, o brasileiro fuzilado na Indonésia, julgado por tráfico de drogas.
A menina Larissa de Carvalho, 4 anos, morta em Bargu, no Rio de Janeiro, por bala perdida. Essa vítima inocente da violência urbana brasileira não teve a solidariedade da Presidência da República,  que lamentou a morte de Marco Archer Cardoso Moreira.

Escrevo este breve comentário sob o impacto de duas notícias: o fuzilamento, na Indonésia, do cidadão brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, acusado de tráfico internacional de entorpecentes e a morte, em Bangu, no Rio de Janeiro, da menina Larissa de Carvalho, 4 anos, por bala perdida. Confronto esses dois fatos com as estatísticas que os jornais lembram. Indonésia: aproximadamente 250 milhões de habitantes. Homicídios por ano nesse país: aproximadamente 15 mil. Brasil: aproximadamente 200 milhões de habitantes. Homicídios por ano: mais de 50 mil. No final da semana passada, o ex-cónsul brasileiro em Jacarta, que há vários anos reside na Indonésia, dava entrevista à Globo News dizendo que esse é um país bem mais seguro do que o Brasil.

Algo anda errado quando a Presidente toma as dores pela execução do traficante brasileiro, sem que paralelamente o seu governo pareça se incomodar com a terrível estatística que nos envergonha, de 50 mil cidadãos assassinados por compatriotas todos os anos. Convenhamos que, no nosso caso, a coisa é pior do que na Indonésia: pratica o Brasil a “pena de morte” extraoficial contra os seus cidadãos, imposta pelos marginais ou por forças policiais despreparadas, que disparam a toque de caixa, como ocorreu na Baixada Fluminense, em 2 de agosto do ano passado, quando uma patrulha assassinou pelas costas a jovem Haíssa Vargas Motta, de 22 anos. Sou contra a pena de morte. Acho que esse instituto legal deve desaparecer da face da Terra. Já temos violência suficiente com o que se passa nas guerras pelo mundo afora. Mas também sou contra a dupla moral do governo brasileiro, que toma as dores de um sentenciado à pena capital em outro país por tráfico de drogas e ignora a sorte de milhares de cidadãos barbaramente executados, na sua própria pátria, sem culpa provada, sem direito a defesa e sem juízo.  

Os parâmetros brasileiros de violência são insustentáveis para qualquer país civilizado. O nosso índice de 24,3 homicídios por 100 mil habitantes (dados de 2012) é injustificável de todo ponto de vista. Países que sofreram grandes conflitos como a Espanha, com uma guerra civil que, na década de trinta do século passado, deixou mais de um milhão de mortos, hoje têm patamares de violência bem menores do que os nossos. Em 2013, o índice de homicídios por cem mil habitantes na Espanha foi de 0,64. Enquanto isso, 154 pessoas são assassinadas por dia no Brasil, sendo que jovens do sexo masculino e negros constituem a maior parte das vítimas. Entre 2002 e 2012 foram executados na guerra informal brasileira 556.000 cidadãos, cifra muito superior ao total de mortos nos conflitos que assolam atualmente o mundo. O Brasil é, hoje, em números absolutos, líder global de assassinatos.

Identifico duas causas para o grave fenômeno que nos assola: a cultura do Patrimonialismo e a crise de valores morais em que mergulhou a nossa sociedade.

Quanto à primeira causa, a mentalidade patrimonialista que privatiza o bem público para poucos, fez da res publica “coisa nossa”, num esquema mafioso que faz com que o Estado somente preste serviços aos altos burocratas e aos políticos, deixando ao relento o resto dos brasileiros, a grande maioria deles, diga-se de passagem. Lula, Dilma e a cúpula da cleptocracia se tratam no Hospital Albert Einstein, com tudo a que um cidadão do primeiro mundo tem direito. Os cidadãos brasileiros, com plano de saúde ou sem ele, morrem na fila de espera, antes de serem atendidos.  O PT nivelou por baixo a saúde da população, tornando todos os serviços péssimos, tanto os do SUS quanto os dos planos. O ministro da saúde conseguiu, semana retrasada, a proeza de debitar na conta do cidadão que paga plano o não funcionamento dos mesmos.

Quanto à segunda causa, a ladroagem institucionalizada inspirada na ideologia gramsciana, conseguiu a proeza de destruir as bases da moral social, atacando os valores que davam sustentação à nossa sociedade. Longe de ter equacionado a educação para a cidadania, os petralhas conseguiram derrubar a escala de valores morais em que assentava o nosso convívio coletivo, suscitando o ódio entre os cidadãos e atacando instituições tradicionais como a família, a religião e o culto aos heróis da nossa história, tendo-os substituído por marginais e facínoras, com cujos nomes são rebatizados pontes, praças, ruas e espaços públicos. Nesse crescendo de dialética da destruição logo mais sucumbiremos todos, se as coisas continuarem pelo caminho escolhido pelos arquitetos do caos.

Nesse contexto de anomia e de demolição axiológica e institucional, torna-se impossível ao nosso país fazer frente ao terrorismo islâmico, que assoma as garras pelo mundo afora assassinando uma média de 100 mil cristãos por ano notadamente na África, fuzilando a queima roupa jornalistas na Europa, tendo iniciado essa guerra (a terceira conflagração mundial) em 2001, com os ataques de Al-Qaeda aos Estados Unidos.


Somente com um grande esforço dos cidadãos deste país, o Brasil conseguirá se soerguer dessa vala em que foi jogado, na última década, pelo populismo irresponsável travestido de salvador da pátria.

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